quarta-feira, 25 de julho de 2012

aproveite o momento

estamos sempre cheios de "teres", "fazeres" e "quereres". não sei se o que estou escrevendo é português. mas o que quero dizer é que não sei como conseguimos criar tantas coisas que têm de ser feitas. tudo inventado por nós mesmos.
hoje terminam as férias mais tranquilas da minha vida. e isso não é jeito de dizer. acho que é isso mesmo. um dia calmo depois do outro. e assim ando desconfiada que posso viver em férias para sempre. porque para viver um dia calmo atrás do outro não é preciso estar em paris, nem numa praia fabulosa de cuba. um trilhão de chavões maravilhosos vêm à minha cabeça neste instante.
ontem consegui ler um texto que me foi enviado há muito tempo. talvez há mais de um ano. claro que eu teria tido tempo para ler qualquer coisa nesse tempo todo, mas não tinha disponibilidade. ontem tive. é um texto curto, em inglês, que fala das bolas de golfe. é mais ou menos assim:
um professor de filosofia entrou na classe e,  em silêncio, encheu um vidro de maionese vazio com bolas de golfe. perguntou aos alunos se o vidro estava cheio, e eles disseram que sim. depois ele colocou pedrinhas. e de novo os alunos disseram que o vidro estava cheio. depois o professor jogou areia, e de novo a resposta à pergunta se o pote estava cheio foi afirmativa. por último, ele jogou duas xícaras de café dentro do vidro.
tudo pra explicar pros alunos que as bolas de golfe representam as coisas importantes da nossa vida. as pedrinhas, as coisas que temos - trabalho, casa, carro - e a areia, as pequenas coisas que não têm importância.
e o café?, perguntou uma aluna. o café representa o tempo que sempre vamos ter para tomar uma ou duas xícaras de café na companhia de um amigo.
moral da história do cara: não devemos encher o vidro com areia e deixar as bolas de golfe de fora. bem, esse foi o jeito que o professor achou para dizer o que muitos já disseram, e que pode virar obsessão para alguns - entre os alguns em questão incluo a minha pessoa.
voltando às férias e deixando as bolas de golfe de lado, como é incrível - e difícil - aproveitar o momento. minha filha e eu passamos 12 dias na bahia, e choveu muito. em NENHUM momento as crianças que estavam na casa da praia conosco reclamaram. íamos à praia entre uma chuvarada e outra. às vezes chovia cedo, outras, quando estávamos na praia. à noite chovia muito, de fazer barulho e deixar as ruas de terra com muitas poças d'água.
um dia a chuva nos pegou na praia. o seu geraldo veio correndo com um guarda-sol, que grudado ao guarda-sol que usávamos, fez uma cabaninha. as crianças se encolheram ali até a chuva passar. ficamos todos - lívia, yan, lara e eu - morrendo de frio. de repente veio o sol, que secou todas as nossas toalhas e saídas de banho.
e com toda essa chuva - também teve chuva na hora de sair pra jantar, na hora de voltar, durante a visita às tartarugas do tamar -, as férias poderiam ter sido eleitas "as férias com chuva". mas não foram.
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o bom de férias com amigos é que cada um faz uma parte. supermercado, almoço, levar as crianças pra praia, pensar num passeio a cavalo até as ruínas do castelo de garcia d'ávila, comprar tapioca e coco na vila. todo mundo de bom humor, pelamordedeus, e todos cuidando de todas as crianças. mais ou menos o nirvana. e eu espero ter muitos amigos para poder dividir férias adoráveis e inesquecíveis.
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bem, mas aí a viagem terminou, mas as minhas férias, não. e isso acho que foi tão delicioso quanto tomar água de coco olhando pro mar verde da praia do lord, na praia do forte.
o que devemos fazer nas férias? aproveitar. encontrar amigos, fazer uma boneca com um pedaço de calça jeans que eu cortei, cozinhar pros amigos, bordar um jogo da velha de feltro, jogar trocentas partidas de ping-pong com a filha e começar a gostar da coisa, combinar um piquenique no parque com cinco crianças e aprender - e amar! - a andar de skate aos 41. ah ah ah. 
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voltamos pra casa ontem, depois de uma pequena obra. ter amigos que nos hospedam é um luxo. e foi um luxo ficar hospedada na casa de amigos muito queridos. "o amor não se explica", me disse a avó paterna das crianças, quando fomos visitá-la semana passada. ela fez um jantar delicioso pra lívia, que teve permissão de comer ao lado do computador, enquanto jogava. na casa da vó quem manda não é a mãe, me disse a lia. a lívia ainda ganhou um colar delicado de pedras, comprado em algum momento pela avó em paris.
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passados três dias que comecei a escrever este texto, continuo acreditando em férias todos os dias. quando disse a uma amiga que tinha voltado ao trabalho, ela disse "é a vida né?". e quando respondi que estava mui contente, ela disse "tu é doida mesmo". mas não seria louca se não gostasse da labuta? sempre penso que amar o que se faz é uma dádiva. porque tem as pessoas que não gostam de trabalhar, e isso, sim, deve ser muito duro.
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um dia depois do outro, diria um velho sábio.

2 comentários:

  1. minha amiga querida, que bom saber que está feliz!!! precisamos nos encontrar!!!bjssss, rafa

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  2. parece que a gente mora muiiiito longe uma da outra. vamos combinar um almoço no fim de semana? ou num fim de semana?

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