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a libertação de estar um ano sem comprar roupas

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hoje faz 3 meses e 6 dias que começou o projeto um-ano-sem-comprar-roupas. uau, só falta o tempo de uma gestação! em 9 meses poderei entrar numa loja e comprar um par de sandálias ou um lenço.
só que parece que não.
a ideia de me enfiar nesse projeto criado por mim mesma era muito antiga. mas acho que demorou uns anos - não sei se 5 ou 8 ou mais - para eu criar coragem. um dia acordei e tive certeza de que devia encarar a façanha.
no começo tava morrendo de medo, e fiz posts neste blog, quando tive a ideia de começar a contar os 365 dias sem comprar nenhuma roupa ou acessório. para me comprometer publicamente, e também para digerir o meu choque, publiquei a lista de roupas que estavam no meu armário quando do início do projeto. eu estava perplexa e mui entusiasmada. passado um mês, para a minha surpresa, eu havia sobrevivido e não estava em sofrimento.
minha ideia de escrever uma vez por mês sobre o tema foi pro saco. eu estava me sentindo muito atrasada para cumprir a tarefa de posta…

o carnaval, a obra, o bolo e o não fazer nada

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sento em uma das cadeiras da cozinha, enquanto o bolo assa no forno e os panos de prato são lavados pela minha eficiente máquina de lavar roupas.
os homens da obra da esquina estão trabalhando hoje. vai ver os donos da construtora são de blumenau (santa catarina), onde os descendentes dos alemães que chegaram nessas terras uns 100 anos atrás simplesmente ignoram o carnaval. ou são de caxias do sul (rio grande do sul), onde os descendentes dos italianos que vieram pra cá mais ou menos na mesma época que os alemães tampouco consideram a celebração do carnaval - e eu estou falando da terça-feira de carnaval, não dos 15 dias que antecedem este feriado que não é feriado oficial nem da semana posterior a hoje. a obra da esquina sobe rapidamente, e um elevador vermelho carrega homens e materiais de construção obra acima e obra abaixo. 


eu me sentei para parar. frequentemente eu passo dias sem me sentar para parar. não é para almoçar, tomar um café, jantar. não é para ver um filme, abrir meu …

bem, vamos esperar (o carnaval passar)

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eu moro no meio do carnaval. eu moro dentro do carnaval. a uma quadra para o norte e para oeste, cartazes avisam que as ruas estarão fechadas pelos próximos quatro dias.
saí de casa cedo para fazer compras. as ruas já estavam fechadas. o mercado municipal de pinheiros funcionava pela metade, ou talvez menos do que a metade. "íamos fechar às 15h sábado passado, mas tivemos de fechar antes. as pessoas entravam, pegavam mercadorias e saíam", me conta bel, que me atende no entreposto das feijoadas. a cena é um pouco desoladora, luzes apagadas, o mercado vazio em pleno sábado de manhã, que é quando o lugar costuma ser lotado de moradores e turistas ávidos por comidas e temperos especiais, vendidos com fartura e a preços baixos.




sábado passado começou o carnaval na região. eu sabia, mas não sabia que as estações de metrô que servem o bairro seriam fechadas. fui até o ponto de ônibus mais próximo para ir ao encontro de uma amiga, fazer uma reunião de trabalho. a ideia de cancelar u…

o poder da boa vontade

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o lugar é bem simpático, dentro das possibilidades de simpatia que um laboratório de exames pode ter. não sei onde é o prédio, e o táxi passa. damos uma volta. depois não sei onde fica a entrada, e depois não sei onde fica o atendimento. me dou conta de como é bom estar em lugares onde nunca estive antes, mesmo que esse lugar não seja o mais acolhedor do mundo.



a primeira sala é a de densitometria óssea. pergunto por que não vou fazer primeiro a coleta de sangue, já que estou de jejum desde das 21h do dia anterior e são quase 7h30. "este exame tem hora marcada, mas a coleta, não, você pode fazer até o fim do dia. "hum, que ótimo, acho que quem trabalha no laboratório meio que esquece que toda aquela multidão que se aglomera em cadeiras coloridas cujos pés são grudados no chão está ali em jejum. o exame me dá uma sensação de futuro, uma máquina linda que tem um braço enorme que passa sobre o meu corpo e vai e volta e vai e volta de novo. a moça diz pra eu não me mexer enquant…

'minha mãe é viciada em celular'

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eu tenho duas amigas mais jovens que eu. uma tem 6 anos, a outra, 7. moramos perto, e elas vêm me visitar de vez em quando. como elas são super hiper ultra jovens, elas tocam a campainha e esperam alguém abrir. elas não me avisam com antecedência. então, quando a campainha de casa toca, mas o porteiro não me avisou pelo interfone que a dona judith ou a dona paula estão subindo, eu sei que são as minhas amigas muito mais jovens do que eu que estão na porta.
às vezes eu posso recebê-las. e então as convido para entrar e ofereço algo para beber e algo para comer. como elas são mega jovens, elas respondem com sinceridade. e a resposta é s-e-m-p-r-e sim. querem bolo? sim! querem uvas? sim! querem um copo de água? sim! querem um pedaço de chocolate? sim! se por acaso elas batem na porta quando eu estou trabalhando, eu digo pra elas que aquela não é uma boa hora, que eu tenho de trabalhar, e elas sorriem pra mim, dizem tchau e vão embora.



nós nos damos muito bem, e conversamos sobre diversos…

um ano sem comprar roupas - dia 33

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três dias atrás meu projeto um-ano-sem-comprar-roupas completou um mês. e o que aconteceu nesses primeiros 30 dias? eu achava que a decisão era um enorme ato do coragem, oh my god, acho que vou ter uns faniquitos e vou me dar conta de que sou louca ou vou desistir. que nada. eu não tive nenhum faniquito, sim eu sei que eu sou louca e eu não desisti.
nesse ínterim - entre completar 30 dias e eu escrever sobre isso -, a dona Kondo estreou uma série no Netflix, "Tidying Up with Marie Kondo", que aqui na bananalândia foi traduzido para "Ordem na Casa com Marie Kondo". são poucos episódios, oito, e curtos. eu os assisti e eles terminaram antes de eu perceber que estavam terminando.
Marie Kondo é uma mulher pequena. é baixa e magra e delicada como uma japonesa. diferentemente de programas sobre arrumação doméstica que proliferam na TV, dona Kondo não fica na casa das vítimas arrumando tudo. ela começa o processo, com direito a ajoelhar-se no chão e fazer uma apresentação…

breve relato das férias da mãe

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hoje, 14 dias atrás, meu filho entrou no táxi e foi para o aeroporto. era o começo das férias dele. e das minhas também. as férias da minha filha tinham começado umas horas antes - ela tinha viajado no dia anterior.
eu estava trabalhando no dia 18 de dezembro, e não me continha de felicidade. falava pra um e pra outro que as minhas férias já tinham começado. é uma coisa não usual a gente falar em férias quando se está no trabalho. talvez tenha um pouco a ver com a nossa necessidade de colocar tudo em caixas. tem a caixa do trabalho, a caixa das férias, a caixa do fim de semana, a caixa de ficar sério, a caixa de se divertir. estou tentando tirar a minha vida das caixas. ou seria tirar eu mesma de dentro de caixas que eu inventei? boa pergunta. não sei a resposta. fiquei 14 dias em casa, sozinha. e daí? quantas pessoas ficam sozinhas em casa? milhões. bilhões, talvez. mas eu sou mãe, então é raro eu estar sozinha na minha casa por mais do que algumas horas. assim como todas as mães do mun…