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Mostrando postagens de Dezembro, 2018

aprendendo a dançar na chuva

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era um SPA. compulsório, mas ainda assim um SPA.
labismina planejou os dias em que ficaria sozinha no feriado de natal e ano-novo. planejou do jeito que ela considera planejar. dormir, andar. correr, nadar, ler alguns livros da pilha que só cresce na mesinha de cabeceira. um ou dois dias em retiro (dentro da própria casa) e uma dieta daquelas que nem é bom anunciar entre os amigos porque não tem nada de encantador.
como todo planejamento, as ideias de labismina foram abruptamente abortadas. o primeiro dia sozinha em casa transcorreu normalmente. ainda que o silêncio fosse o começo do retiro que não aconteceu. ninguém conversando, ninguém abrindo nem fechando portas senão ela mesma, nenhum ruído de passos, nenhum grito, a palavra mãe não sendo pronunciada nem uma única vez. talvez a única anormalidade tivesse sido o cansaço. labismina sentia-se exausta. justo no começo das férias. mas ela nem desconfiou do que viria.
o segundo dia começou como começaria o segundo dia de qualquer pequen…

aproveite(mos) o momento

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a calçada estava cheia de gente, como sempre. e chegando perto do farol para pedestres, na frente da larga faixa para atravessar a avenida, foi ficando mais cheio. eu estava olhando pro chão e reparei num par de sandálias belíssimas. pretas, de couro, sem salto, simples e, aos meus olhos, confortáveis. fiquei olhando pras sandálias e pensando que faz tempo que eu quero ter sandálias pretas, mas agora, no meu ano sem comprar nada para ser guardado no meu guarda-roupa, nada da sandálias nem pretas nem de nenhuma outra cor.
levantei meu olhar e percebi que a dona das sandálias também usava um vestido de malha preto tão lindo quanto as sandálias. era uma mulher mestiça, parte oriental e parte traços de um pai ou uma mãe que deram a ela pernas grossas, batatas da perna enormes e quadris largos. 
o farol para os carros fechou. e o bando começou a atravessar a rua sobre a faixa larga. a mulher de preto, linda, ia andando com passos curtos e afobados, na frente de todos. tive a impressão de q…

dia 9 - um ano sem comprar roupas

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passada a euforia de tomar a decisão de ficar um ano sem comprar nenhuma roupa/sapato/acessório, minha vidinha segue. e eu fiquei pensando, a cada dia que abria meu armário: meu deus, quanta coisa tem aqui dentro!
a decisão calhou com um trabalho em que eu tenho de sair de casa - coisa rara nesses dois anos trabalhando como jornalista freelancer em casa. resolvi fazer um inventário do que mora no meu guarda-roupa, que será comparado com um novo inventário em 2019, quando meus 365 dias sem comprar roupas chegar ao fim.
fiquei um pouco escandalizada. eu nunca tinha contado as peças de roupa do meu armário. só os sapatos, que há anos tento manter em menos de 20 pares - mais do que isso é muita baixaria. mas contar 26 vestidos me fez parar e contar novamente. não era possível.
não interessa que são vestidos de dez anos, vestidos que eu ganhei de amigas, vestidos de mais de dez anos, vestidos de liquidação (um deles custou R$ 49, eu lembro). interessa é que são quase 30 cabides, um com cad…

dia 1 - um ano sem comprar roupas

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existem as ideias que precisamos amadurecer, dar um tempo para pensar. e existem as ideias que já vêm prontinhas, que não nos deixam em dúvida. hoje enquanto eu meditava eu tive uma ideia desse segundo tipo. na verdade, eu resgatei uma ideia de uns anos atrás que eu nunca tive coragem de pôr em pratica. e agora me parece que este é o momento correto para fazer a ideia virar uma ação. não estou criando nada, mas estou precisando de um desafio para colocar no lugar o meu consumismo.
éramos 18 mulheres e dois pequenos rapazes, gustavo, de quase 2 anos, e rafael, de pouco mais de 1 ano. num determinado momento, eu fiquei em silêncio e percebi que o barulho feito por nós era quase ensurdecedor. assim é que é quando mulheres se reúnem, principalmente quando estamos celebrando.
eu não lembro de ter feito um swishing - encontro de mulheres para troca de roupas que não usam mais - com tanta gente. talvez já tenha feito. mas costumeiramente somos em menor número. eu ia tirar fotos das comidas e…

parando. de reclamar. e de correr.

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eu só lembro do primeiro nome dela. Pilar. é um nome inesquecível.
era uma palestra sobre educação, possivelmente focada nos primeiros sete anos da criança. Pilar falava maravilhas. uma delas sobre a importância de as crianças terem lugares pra se mexer dentro de casa - um colchão velho em frente à TV, pra que elas possam ficar pulando enquanto assistem algo na tela, ou uma rede pra elas poderem se balançar.
ela é uma mulher de poucas palavras, e de palavras diretas. ela me disse duas coisas que eu nunca mais esqueci. 1 - eu levantei a mão e disse que no meu pequeno apartamento não cabia uma rede, ao que ela respondeu "você pode derrubar uma parede". 2 - eu levantei a mão novamente e disse que meu filho passava o dia todo reclamando. o que eu poderia fazer? ela, maravilhosa, perguntou: "você reclama muito?" ah ah ah, nada como estar na frente de uma pessoa inteligente, forte e direta para aprender lições valiosíssimas.
o exercício de NÃO reclamar é diário. talvez a…

eu não acredito em milagres, mas eles existem

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"tirou B na prova."
"melhor aluno, articulado, responsável, adequado. é o único que sabe todas as respostas."
"só vou elogiar, tira de letra. é bem esperto."
"se esforça. contribui de forma positiva. opina, argumenta."
"nota [para ele] não é um problema."
"A na prova, B+ no trabalho, B na apresentação."
"a participação dele em aula é incrível. ele está acima da classe."
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existem pessoas que mudam. em algumas, a mudança acontece aos 16 anos.
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foram duas reuniões. nas duas, eu tinha a impressão de que estava no lugar errado. ou que estavam falando de outra pessoa. ou que eu não estava entendendo. ou que algum milagre tinha acontecido.
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eu não acredito no sistema escolar tradicional. nunca acreditei. nunca disse aos meus filhos que eles precisavam tirar uma nota x ou y. ao contrário: sempre disse a eles que eu não dava (e continuo não dando) a mínima para notas. é um sistema cretino, que massacra as crianças e…