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Mostrando postagens de Novembro, 2018

dezembro, o mês perfeito para desentulhar a vida da gente

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quanto menos você tem, mais livre você é.
isso não fui eu que inventei, e na verdade ainda estou engatinhando na arte de ter uma vida simples, não cheia de coisas, mas ao contrário: só com as coisas necessárias.
(em inglês o oposto de só ter as coisas necessárias é uma palavra maravilhosa, cluttering. e o ato de se livrar das coisas inúteis é decluttering. não temos em português uma palavra com esse significado. na verdade a tradução de clutter é bagunçar, entulhar. então declutter seria desentulhar. a tradução do dicionário é limpar ou criar mais espaço em algum lugar.)
foi uma bobagem. eu estava sentada em frente ao meu computador, que é a minha ferramenta de trabalho, e fui ver alguma foto no meu celular. lembrei que havia fotos tiradas havia mais de um ano ali. eu até transfiro pra minha máquina, mas não apago as do celular. quem sabe eu vou precisar de alguma foto, não é mesmo? e elas vão ficando. foi então que senti uma coceira nos dedos e apaguei todas as mais de mil fotos e de…

por que raios um retiro de silêncio?

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eu queria tirar férias de mim mesma. sentadas em um café metido a besta na vila madalena, minha professora me olhava com seus olhos azuis claros e brilhantes enquanto eu chorava ininterruptamente. era um choro desses discretos, eu conseguia seguir contando a ela por que eu estava determinada a não ir ao retiro de silêncio que ela conduziria com o parceiro dela a partir do dia seguinte. ela escutava com os ouvidos, com o corpo todo e com o coração.
as lágrimas escorriam sem trégua. iam molhando meu pescoço, e eu seguia falando. vez ou outra ela dizia algo como "tita, vai ser muito bom se você for ao retiro", ou "pense e decida, porque ir ao retiro será muito benéfico para você".  eu sabia o que ela estava querendo dizer, mas eu sou cabeção e estava certa da minha decisão. eu não iria.
depois de uma hora e meia de conversa, nos despedimos gentilmente na esquina de uma rua tão íngrime que há um corrimão no meio da calçada, para as pessoas terem onde apoiar suas mãos m…

tentando não levar uma vidinha de merda

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meu relacionamento com órgãos públicos e serviços de atendimento ao consumidor não costuma ser amigável. tenho raiva da lerdeza e da burocracia num nível tamanho que não consigo enxergar quando as coisas FUNCIONAM. mas com a SPTrans, com quem tenho de ter uma relação por conta de dois filhos que andam de ônibus e para isso utilizam bilhetes de estudante, está sendo diferente.
descobri faz pouco que existe um posto de atendimento à população no centro da cidade - por telefone não existe atendimento, porque o 156 da prefeitura não informa lhufas, e pelo site é um caminho tortuoso, um incrível teste de paciência e resiliência. esse posto costuma ter filas que dão várias voltas. algo perto de 100 pessoas ou mais. porque como em todo sistema ineficiente, tem uma fila para dar uma senha e informações e outra fila para o serviço propriamente dito.
o posto abre às 7h, e meu sangue germânico influenciou minha decisão de chegar o mais cedo possível. nos meus planos insanos de mãe super eficient…