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Mostrando postagens de Maio, 2017

como adoçar e aquecer um domingo com os biscoitos da prof dora

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desde sempre eu acho divertido estar na cozinha. mesmo nunca tendo sido uma criança daquelas que recebem elogios por conta das habilidades com comidinhas de verdade.
num natal, ganhei um livrinho de receitas, e resolvi experimentar uma das receitas. para isso, preparei uma mesinha no quintal da casa onde morávamos. não lembro o que era a receita que eu tentei fazer, mas imagino que era um bolo ou biscoitos. tenho somente uma vaga lembrança de tudo dar muito errado, de os ingredientes virarem uma meleca dentro da bacia onde eu os misturava. talvez uma batedeira tenha sido envolvida - mas como eu ligaria a batedeira no quintal? não lembro dos detalhes, mas lembro que no fim, tudo foi pro lixo.
uns anos mais tarde, um grupo de meninas da turma da escola se reunia na casa de uma de nós para fazer um bolo e compartilhar a receita com as amigas. devíamos ter uns 12, 13 anos. talvez 14. achávamos essa reunião muito divertida. agora as minhas receitas já viravam um bolo, e dos bons.
mas depoi…

o perrengue nosso de cada dia

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eu tenho uma amiga que dá os parabéns toda vez que alguém pede demissão ou, melhor, é demitido. "foi demitido? ai que bom!", é a frase que ela adora. e sem lembrar disso, ontem assisti ao vídeo de uma palestra que ela deu sobre trabalho e propósito, e dei risada. eu me sentindo um asno, sem trabalho, sem ganhar dinheiro, e a ale nahra ali fazendo uma plateia inteira gargalhar com aquelas palavras de ordem - sejamos felizes.
mas depois das risadas que eu dei assistindo ao vídeo da tela do meu computador, o dia foi indo sem muita graça. as chances de a sensação de ser um asno tomar conta da gente quando estamos desempregados é grande, e é por isso que é preciso estar atento.


porém, diferentemente de um dia ordinário em que eu colocaria meu pijaminha e pularia na minha cama, ontem eu iria tomar uma cerveja com um amigo que estava fazendo 55 anos. eu tinha combinado comigo mesma que eu TINHA DE IR ao bar para, pelo menos, dar um abraço e um beijo e um feliz aniversário. depois p…

uma dieta para parar você

eu lembro de ter feito duas dietas daquelas que se faz para emagrecer. a primeira, quando quis parar de fumar pela primeira vez (depois eu teria de parar de fumar mais uma vez). a segunda, quando quis ter um filho e achei conveniente engravidar magra (depois eu engravidaria outra vez sem fazer nenhuma dieta antes e fiquei gigantesca). mas ao longo da minha vida tenho colecionado outros tipos de dieta. sigo o que os meus adoráveis médicos recomendam, e costumo ficar felicíssima. uns 20 anos atrás passei 40 dias sem carboidratos. depois faria isso algumas outras vezes. depois conheci uma dieta detox daquelas que perto da segunda semana a gente tem certeza de que vai morrer, mas não só não morre como ao fim da temporada com muito caldo de verdura sente-se revigorado, mais forte, sadio e magro, é claro. desta vez repeti uma dieta duríssima, que apesar de durar só uma semana exige esforços hercúleos. da primeira vez, fiquei uma semana trabalhando em casa - tudo acordado no escritório, de f…

as dores do chute na bunda

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boa sorte. um bom novo trabalho. volte logo.
assim se despediu o pequeno e enrugado médico do trabalho com quem eu fiz meu exame demissional - e que também tinha feito o meu exame admissional e um outro entre esses dois.
ser demitida é chato. fazer o exame demissional é chatíssimo. eu estava naqueles primeiros dias de demitida, me esforçando pra fazer cara de quem NÃO levou um chutão na bunda. requer esforço e elegância.
mas eu achei tão doce a frase do médico que saí feliz da vida daquele cafofo onde todos os dias dezenas de pessoas vão fazer algum exame relacionado ao trabalho.
depois da tontura da primeira semana, me dei conta de uma coisa que eu já falava, mas precisava sentir: todo pontapé que levamos é bom, mesmo quando achamos ruim. a vida vai nos chutando e a gente vai sendo arremessado pra frente. até porque na vida não tem pra trás: não podemos voltar, só ir.
e hoje, mais de um mês depois, me dei conta de outra coisa: que quem fala que é bom "sair da zona de conforto&qu…

lidando com a (própria) sujeira

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um fim de semana grudado com um feriado na segunda-feira e com uma greve geral na sexta-feira é um fim de semana longo.  depois de uma sexta-feira gloriosa - sim, a greve rolou; não, eu não fui à manifestação; sim, eu tenho vergonha da cobertura jornalística feita por quase todos os veículos; e não, eu não consegui lavar roupas na lavandeira porque ela estava fechada! -, acordei sábado com a certeza de que a minha adorável faxineira chegaria a qualquer momento. mas este momento não chegou. ainda que na minha casa já tenhamos passado daquela fase em que se não tem alguém para limpar arrumar guardar a casa fica parecendo um campo de guerra, as vindas da ana a cada 15 dias deixam a nossa casa de um jeito que nós não conseguimos. usamos vassoura e sapólio, mas a ana usa cândida e álcool... eu conheci a ana mais de 20 anos atrás, quando ela limpava a casa onde eu morava com meu ex-marido. depois nunca mais tive dinheiro para ter uma faxineira, mas ela era um anjo da guarda que aparecia em …