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Mostrando postagens de 2019

perdi os meus óculos (e achei a minha paciência)

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deve significar algo. todas as coisas que acontecem têm um significado.
saímos para comprar um par de tênis. ele não tem tênis para correr e combinamos que no sábado iríamos resolver isso. eu estava deitada no sofá lendo quando ele apareceu na sala e disse que estava pronto.
escovei os dentes, tomei muita água e saímos. o dia estava ensolarado e quente depois de uma semana fria e chuvosa. andamos, não encontramos nenhum tênis que o agradasse, tomamos o sorvete mais doce da minha vida e acabamos com as muitas moedas que tínhamos dando para quem nos pedia. quando cheguei em casa fiquei feliz de tirar os sapatos e sentir o chão de madeira debaixo dos meus pés.
fui procurar os meus óculos. nada. a tela do meu computador ficou listrada. era um dia cheio de acontecimentos.



no dia seguinte saí para andar. e pensei ah, que ótimo, finalmente irei a um oftalmologista e farei uns óculos de acordo com a necessidade de quase meio século de vida - compromisso que eu venho negando há muitos e muitos…

o bebê vai nascer - 9 meses sem fazer compras

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o bebê vai nascer. no dia 10 completam-se 9 meses da minha aventura, meu sabático de compras. o tempo de uma gestação. e assim como a ansiedade que vai aumentando conforme se aproxima a hora do nascimento do filho, com a barriga crescendo cada vez mais e o peso também, comecei a ficar com vontade de comprar (ansiedade, alguém?).
a aventura é muito mais interna do que externa. não comprar roupas não quer dizer nada. você simplesmente deleta emails com promoções das lojas que você gosta. e você entra e sai de lojas sem se incomodar - tipo o amigo que senta no bar e pede uma coca, enquanto todo mundo cai de boca no chopp ou na caipirinha. o cara da coca não tá nem aí pro que os outros estão bebendo, não olha pro garçom. também não gasta uma grana, nem fica bêbado.
e isso é um pouco frustrante. eu imaginava que passar um ano sem ir às compras fosse uma aventura e tanto, algo que renderia inúmeros textos, muitos insights, muitos comichões em diferentes partes do corpo. mas não.
quase toda …

por que NÃO fazer tudo sempre igual

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chegamos ensopados.
três dias atrás, em um cruzamento de duas largas e barulhentas avenidas de são paulo, senti vontade de pisar no chão sem sapatos. mas em vez de tirar os sapatos e andar de pés descalços pelas calçadas imundas até a minha casa, segui andando com meus sapatos e minha vontade foi aumentando.
eu estava me organizando para viajar para o interior naquele dia, mas a semana foi passando e eu me dei conta, um dia antes da viagem, de que eu estava sem condições de viajar. não, não era o trabalho. era eu. não jogar a culpa em cima de alguém ou de algo é bem bom. ou, se não é bom, pelo menos é útil, porque nos ensina a lidar com as coisas sem mentiras, sem mimimi.
depois de decidir não viajar, sobrava um fim de semana inteiro sem planos. uma maravilha.
avisei os meus filhos, que não andam de bicicleta há uns anos, que eu iria ao parque no sábado ou no domingo. quem quer ir comigo?, perguntei, esperando escutar grunhidos como ãããn, blé, humpf. mas não. em vez de grunhidos, meus…

a preciosa lição do meu hóspede

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"não fale, a menos que possa melhorar o silêncio."
...
era um dia perfeito. nublado. fresco. com uma leve chuva. eu tinha saído para andar e só vi o chão molhado ao chegar à porta do prédio que dá pra rua. mas era uma chuva fininha, me garantiu o porteiro, quando ameacei voltar pra casa.
o chuvisco me fez lembrar o meu hóspede alemão. uns dias antes, estávamos, o alemão e eu, caminhando pelas largas calçadas da avenida paulista. chovia um pouco. e ele disse, animado, "it's fresh".
é maravilhoso quando aproveitamos o que está acontecendo. e eu estava aproveitando aquela manhã cinza, fresca e molhada para andar e achar bom. o que me fez lembrar do meu hóspede outra vez.
ele havia chegado na minha casa na noite anterior. não nos conhecíamos. eu estava morrendo de sono. era perto das 23h quando a campainha tocou. oi, como vai?, quer comer?, aqui tem uma toalha pra você, ah, deixe suas mochilas aqui. ele disse que ia tentar dormir, mas para ele eram 3 da tarde - ele tinh…

queridas amigas, isso seria um texto de whatsapp.

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queridas amigas,
isso seria uma mensagem de whatsapp.
cheguei em casa nesta tarde cinza e gélida e em vez de sentir tédio - oh eu tenho de me organizar para amanhã, quando vou dar aulas, e tenho de fazer uma sopa para o jantar -, eu senti uma alegria amarela e quentinha, se a alegria tivesse uma cor e uma temperatura.
vou mandar uma mensagem para elas, pensei. aí logo lembrei que teria de começar assim: "sentem. respirem. pronto, agora podem ler bem devagar".



aí eu ia contar pra vocês como estava me sentindo. mas logo por whatsapp? onde a gente lê rápido e responde rápido e depois nem lembra o que disse nem se respondeu fulano sobre aquele assunto?
fui dar uma olhada no meu blog e vi que fazia quase dois meses que eu não parava, sentava e escrevia. fazia seis quilos e uma semana de férias. isso quer dizer muito tempo, um tempo infinito e, por isso, imensurável.
nunca tive uma regularidade de publicação de textos neste blog por um simples motivo. quando eu escrevo eu não uso …

querida mãezinha

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tenho rezado muito.
você sabe que eu nunca fui de rezar como tu. mas sempre rezei - ainda que não o teço, nem na missa, nem com a Bíblia no colo. ainda que sempre tenhamos rezado de formas diferentes, eu sempre rezei. mas ando rezando freneticamente nos último tempos.
hoje fiz um pão de carne. o paulo havia feito no fim de semana e me mandou uma foto. e isso me deu uma vontade louca de fazer. fui procurar a receita e achei uma folha com a tua letra na minha pasta de receitas salgadas. "pão de carne da Minna." eu não sabia que o apelido da tua mãe era com dois N. achei que fosse Mina.



hoje fui à igrejinha aqui perto de casa para pedir para rezar um missa pra ti. o tempo passa rápido. no próximo sábado vai fazer cinco anos que nos vimos pela última vez!
hoje fui escolher algum colar que era teu no meu armário - e fiquei em dúvida entre o que tem uma florzinha dos alpes seca entre dois vidros dentro de uma moldura redonda de metal, o que tem vidrinhos coloridos e um que tem um …

três mulheres

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ela estava numa festa. uma festa da escola, em que famílias inteiras vão juntas e aproveitam a mesma festa. já era noite. eu a encontro com um grupo de amigos. e ela me conta, um pouco sem fôlego, que encontrou N, um garoto com quem ela tinha convivido bastante no ano anterior. mas em algum momento ele teve o celular roubado ou o aparelho havia quebrado, e ele não tinha mais dado notícias. mas apareceu na festa. ela o chamou, e antes de falar qualquer coisa, deu um tapa na cara dele. depois pediu desculpas. ela me conta que o tapa foi dado sem pensar. e que explicou isso a N, mas explicou também que ele pisou na bola ao desaparecer e nunca mais dar notícias. ele se desculpou.




ela estava procurando uma fila nos caixas do supermercado. era um domingo, e todas as filas eram longas de dar aflição. quando ela passou por mim, ofereci um lugar na minha frente. ela aceitou, sorriu e agradeceu. embicou seu pequeno carrinho de compras na frente do meu, e me contou que tinha dor nas costas. por …

carta para R

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querida amiga,
ironicamente começo a escrever esta carta no dia dos namorados. brindamos ontem e hoje você disse que irá brindar novamente, com a sua amiga, com vinho e bombons.



eu fiquei muito tocada ontem quando você disse que está muito cansada. eu sei o que você está sentindo, porque eu já me separei. vi ruir o castelinho de areia que teimamos em construir quando nos casamos, mesmo sabendo, desde muito pequenas, que a qualquer momento uma onda vem e desmancha nosso castelo construído sob o sol escaldante da praia. quando somos crianças, a construção leva uns minutos, talvez uma hora. mas quando nos tornamos adultas, leva vários anos.
você sabe que para duas pessoas se separarem, é preciso muita coragem. e muita lucidez também. e ainda resiliência, para aguentar o espaço que se abre - que em alguns momentos parece uma plantação de lavanda, mas em outros parece um rombo escuro dentro do estômago da gente. e nessas horas, o estômago da gente dói como se fosse um órgão doente.
tem os …

a febre alta, o cuidar e agradecer

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eu nunca tinha pensado nisso. mas foi inevitável.
passei pouco mais de 24 horas fora de casa. o que, para uma mãe, é mais ou menos como passar uma semana num SPA. cheguei descansada e feliz.


na sala não havia ninguém, apesar de ainda ser cedo. achei um filho em cada quarto. um lendo. o outro debaixo das cobertas, com frio e com calor.
mais cedo naquele domingo eu estava sentada ao lado do meu professor e dávamos gargalhada. ele tinha lembrado como eu tinha me machucado durante um retiro de silêncio na bahia. tínhamos ido à praia, e a atividade era andar, umas duas ou três horas, até chegar às piscinas naturais daquela praia. eu me joguei num morrinho de areia, e caí de mau jeito. assim que me dei conta de que não tinha morrido - ah ah ah -, comecei a sentir muita dor. fui me mexendo e com grande alívio me dei conta de que podia me levantar. mães são capazes de pensamentos um pouco histéricos do tipo "ainda bem que não fiquei tetraplégica, afinal tenho dois filhos pra criar".

os cheiros do amor e a Brené Brown

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tenho tentado fazer caminhos diferentes nas minhas caminhadas matinais com 5% de corrida. procuro entrar em ruas em que não costumo andar, acho que vou dar num lugar e dou noutro. e vez ou outra, a glória!, eu me perco, mesmo estando a poucas quadras da minha casa.
e foi assim no domingo. eu vinha numa rua e dobrei numa esquina em que eu não tinha certeza onde iria dar. não me perdi, só tive aquela sensação boa de oh essa rua dá na praça e eu nem sabia!
mas ao virar a esquina da ruazinha que eu não sabia ou não lembrava que dava na praça eu vi uma senhora que me fez lembrar muito a minha mãe. a estatura média, o corpo de uma pessoa que não é magra nem gorda, a roupa bem passada e combinando, o casaquinho de linha jogado sobre os ombros, o cabelo visivelmente penteado por um cabeleireiro e com uma boa dose de laquê. e o cheiro. o perfume maravilhoso que senhoras endinheiradas e de bom gosto usam! era o cheiro da minha mãe.
imaginei que esta senhora estava saindo da missa dominical, com…

os Buddhas entre nós

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tem os que gostam do dia. e tem os que gostam da noite. desde sempre eu adoro acordar cedo. e como diz uma amiga minha, eu sou a única pessoa que ela conhece que acorda feliz - que não precisa de um tempo para passar do estágio oh-meu-deus-tenho-que-sair-da-cama-mas-estava-tão-bom-aqui para o estágio pronto-acordei-o-dia-começou-vamos-nessa. tudo isso pra dizer que sair de casa quando o sol já foi dormir não é algo usual para mim. eu acordo antes do sol, e faço muitas coisas durante o dia. o que quer dizer que quando o sol vai dormir eu também quero ir dormir. ainda que o meu fisioterapeuta-bruxo teime em dizer que eu sou do tipo noturno, que deveria ir pra cama por volta das 4h e acordar depois do meio-dia, eu posso tranquilamente acordar às 4h30 ou 5h e começar a trabalhar às 6h. mas era um desses dias em que eu achava que valia a pena sair de casa no horário em que normalmente estou jantando e me preparando para ler ou ver um filme ou conversar com os meus filhos. era um evento org…

abraçando a oportunidade de ir

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cheguei na frente da porta da minha casa, parei, meti a mão na bolsa e peguei a chave. mas, antes de usá-la, coloquei a mão na maçaneta e abri a porta. eles não tinham trancado a casa. tinham dormido com a porta fechada, somente. a sala estava escura. o mundo estava escuro. passava um pouco das 5h. o ônibus, que eu entendi que chegaria umas 5h30, chegou às 4h40 a são paulo.
dei uns passos sala adentro, arrastando minha mala de rodinhas devagar, para não fazer barulho. senti o cheiro dos meus filhos. senti o alívio que sinto toda vez que entro em casa voltando de uma viagem. eu fiquei dois dias e meio fora. saí à noite no sábado, voltei antes do amanhecer da terça. mas tenho a impressão de que estive fora por vários dias. quando eu viajo eu mudo o jeito que eu olho o mundo, e talvez mude também o modo como percebo o passar das horas.
nesses dois dias que pareceram uma semana, eu fiz tudo o que eu não costumo fazer. viajei de ônibus, dormi poucas horas, dormi num futon, fui à praia, não…

um ano sem comprar roupas - 5 meses

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hoje faz cinco meses que eu não compro roupa.o acordo, feito comigo mesma, é esse mesmo. um ano sem compras. o que mais me afligia, desde que inventei essa história, dia 10 de dezembro do ano passado, era não ter tido nenhum ataque, de nenhum tipo. ansiedade? nada. desespero? nada. pesadelos? nada. passar vontade? nada. impulsos de consumo descontrol tendo de ser reprimidos? nada. que chatice. então o que eu achava que seria libertador - um ano sem compras - não era nada? WTF. mas a vida é sempre assim. nos traz surpresas. e esta semana eu finalmente tive uma sensação de alívio. passar na frente de lojas que estão por todos os lados e não entrar traz alívio. olhar manequins em poses às vezes bizarras, parar para olhar e saber que não vou comprar nada traz alívio. entrar em sites que vendem roupas que eu acho lindas e saber que não vou comprar nada por pelo menos mais sete meses... ah, muito alívio. ... a cidade está frenética. o mercado público de pinheiros estava lotado, os shoppings…

ela amava as Sextas-feiras Santas

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ela amava as Sextas-feiras Santas. sempre inventava programas. viagenzinhas.
dizia que colher macela antes do sol nascer era auspicioso (ou a macela era especial, não lembro). ela também gostava de fazer simpatia para se ver livre de verrugas. uma vez eram umas na mão da minha irmã. tinha que ser na Sexta-feira Santa, antes de o sol tocar a terra. saíamos de casa cedíssimo, e parávamos na beira da estrada, quando ainda tinha sereno sobre as plantas.
ela era muito divertida. sempre tinha ideias. na páscoa, sempre escondia todos os chocolates.
e o que eu amava nas sextas antes da páscoa era comer bacalhau à gomes de sá. toda Sexta-feira Santa tinha. só não tinha bacalhau quando íamos viajar.
a lembrança que eu tenho é que sempre tinha um pouco de caos que antecedia o dia santo. ela esquecia de comprar o bacalhau, ou se comprava esquecia de pôr na água para dessalgar. o estresse das quintas que antecediam essas sextas ora envolvia a empregada, ora envolvia o meu pai. mas o bacalhau saía.…

praticando se jogar do trampolim

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pablo virou a cabeça pra trás, tentando fazer cara de preocupado.
- ah, os passageiros sentam e o cinto acaba entrando e fica embaixo do banco.
ele falou isso com a propriedade que um motorista da 99 trabalhando na praia de botafogo, no rio de janeiro, falaria. eu fiquei intrigada, lembrando do outro motorista da 99 que tinha me dito algo na mesma linha: ah, a gente manda lavar o carro e os caras enfiam o cinto pra dentro do banco.
hum, pensei, que coisa, carros que transportam passageiros o dia inteiro no rio de janeiro têm o mesmo problema.
- a senhora não é do rio não, é?


ãããã, claro que não. meu sotaque de gaúcha não engana ninguém, muito menos o pablo, que nos 15 minutos em que dirigiu para me levar do escritório do meu cliente até o aeroporto santos dumont me contou sobre roubos de roupas e mochilas nas academias smart fit, fato que tinha levado a empresa a instalar armários do lado de fora dos vestiários, além de câmeras para monitorar o movimento; que gostava de café coado, pr…

a libertação de estar um ano sem comprar roupas

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hoje faz 3 meses e 6 dias que começou o projeto um-ano-sem-comprar-roupas. uau, só falta o tempo de uma gestação! em 9 meses poderei entrar numa loja e comprar um par de sandálias ou um lenço.
só que parece que não.
a ideia de me enfiar nesse projeto criado por mim mesma era muito antiga. mas acho que demorou uns anos - não sei se 5 ou 8 ou mais - para eu criar coragem. um dia acordei e tive certeza de que devia encarar a façanha.
no começo tava morrendo de medo, e fiz posts neste blog, quando tive a ideia de começar a contar os 365 dias sem comprar nenhuma roupa ou acessório. para me comprometer publicamente, e também para digerir o meu choque, publiquei a lista de roupas que estavam no meu armário quando do início do projeto. eu estava perplexa e mui entusiasmada. passado um mês, para a minha surpresa, eu havia sobrevivido e não estava em sofrimento.
minha ideia de escrever uma vez por mês sobre o tema foi pro saco. eu estava me sentindo muito atrasada para cumprir a tarefa de posta…

o carnaval, a obra, o bolo e o não fazer nada

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sento em uma das cadeiras da cozinha, enquanto o bolo assa no forno e os panos de prato são lavados pela minha eficiente máquina de lavar roupas.
os homens da obra da esquina estão trabalhando hoje. vai ver os donos da construtora são de blumenau (santa catarina), onde os descendentes dos alemães que chegaram nessas terras uns 100 anos atrás simplesmente ignoram o carnaval. ou são de caxias do sul (rio grande do sul), onde os descendentes dos italianos que vieram pra cá mais ou menos na mesma época que os alemães tampouco consideram a celebração do carnaval - e eu estou falando da terça-feira de carnaval, não dos 15 dias que antecedem este feriado que não é feriado oficial nem da semana posterior a hoje. a obra da esquina sobe rapidamente, e um elevador vermelho carrega homens e materiais de construção obra acima e obra abaixo. 


eu me sentei para parar. frequentemente eu passo dias sem me sentar para parar. não é para almoçar, tomar um café, jantar. não é para ver um filme, abrir meu …