sobre a frugalidade

o livro é desses com a capa ordinária, e tem páginas cujo papel é fino, poroso e vai ficando cada vez mais amarelado. quando você compra, o papel é bege. passados dez anos, tá quase marrom. 
mas eis que dia desses, eu lembrei do livro - o que é bem diferente de quando você passa em frente à estante e enxerga um livro. eu tenho poucos livros na minha casa. só guardo os que me tocaram profundamente, e que, por causa disso, eu acho que um dia eu ainda vou ler novamente. mas esse era diferente. eu nem lembrava o que tinha nele. sim, lembrava do assunto, mas não do conteúdo. e lá fui eu relê-lo, tantos anos depois. 
eu costumo esquecer de muitas coisas. filmes e livros incluídos. então foi enorme a minha alegria quando encontrei um pequeno trecho sublinhado. sim, apesar de eu não lembrar lhufas, eu já tinha lido aquilo!
e agora estou na parte em que os autores falam sobre frugalidade. sobre isso, o houaiss diz o seguinte: 1. moderação alimentar; 2. simplicidade, sobriedade de costumes, de hábitos etc.
os autores dizem que a definição que nós temos de frugalidade é pobre. e eles dão outros significados. dizendo e repetindo que frugal não é ter muito nem pouco, mas o suficiente. o exemplo, que equivale a um bom tapa na cara, é didático: se você tem dez vestidos e acha que não tem o suficiente, você não é frugal. mas se você tem dez vestidos e faz bom uso de todos, aí sim você é frugal.
eu vou lendo e vou enlouquecendo. meu guarda-roupas, se fosse uma pessoa, não seria uma twiggy, magérrima, mas seria considerado magro. e hoje eu quase tive um ataque ai-meu-deus-por-que-será-que-esses-vestidos-nunca-são-usados?-nesse-caso-melhor-me-livrar-deles. mas me contive.
eu fiquei muito impressionada em como podemos ler coisas mui relevantes e seguir uma vida de ah-tudo-bem-gastar-um-pouco-mais-do-que-o-que-tenho-no-banco-afinal-todo-mundo-faz-isso. hellooooooo. 
diferentemente daquelas pessoas insuportáveis que dão dicas para quem vive em marte - ou para quem tem 54 anos mas quer ter cara de 18 e até consegue, só que com menos elasticidade na cútis -, esses falam de coisas reais, palpáveis. além de relevantes e patéticas (para mim), como "tudo bem você gastar no seu cartão, mas você terá de pagar, cedo ou tarde". 
mas para não denegrir mais ainda a minha pessoa, aprendi com os autores que uma pessoa, ao usar seu cartão de crédito, gasta mais ou menos 25% a mais do que gastaria se a compra fosse efetuada com dinheiro. outro soco - ou falei tapa?
ah, o título é "your money or your life", e os caras são joe dominguez e vicki robin (penguin books). não creio que tenha sido publicado em terras brasileiras. 
  

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