charme, luxo e poder

a fila da padaria era pequena e andava rápida. quando chegamos ao caixa, as duas atendentes conversavam alegremente. como se a minha presença e a dos outros clientes não fizessem diferença. aliás, não faziam.
"ela é bonita, ótima dona de casa", diz uma.
"mas ela gostava mais dele", diz a outra.
"minha mãe sempre diz que é o contrário, o homem tem que gostar mais da mulher", respondeu a primeira.
"por isso não deu certo", completou a segunda.
pelamordedeus, saí pensando da padaria. como a pessoa pode pensar assim? teria ela um medidor de amor pra saber quem gosta mais de quem? e que vida sem graça você ficar com alguém e saber que tem um que gosta mais do outro.
...
estávamos naquelas constrangedoras salas de espera. a TV ligada, tudo como deve ser. e então uma senhora muito enrugadinha faz uma ligação do celular dela. diz ao interlocutor que irá se atrasar, e que ele poderia checar umas coisas. então ela fala o e-mail dela, e descubro que ela se chama josefina. mais especificamente, professora josefina. quando a ligação termina, ela conversa com a neta, uma garota de uns 20 anos - e percebo que não é a neta que acompanha a avó, mas sim o contrário: a dona josefina toda enrugadinha estava lá para acompanhar a neta de unhas compridas e coloridas. e então ela conta que como está lá no laboratório, não poderá analisar os trabalhos, mas que poderá fazê-lo no dia seguinte.
a dona josefina, aliás, é professora da usp!

...


amigos são adoráveis. alguns nos presenteiam com coisas preciosas e singelas, como essa xicrinha que a ana me deu!
o caio me mandou esse vinho, s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l, lá da terra do tio sam, onde ele mora e onde o coppola investe.

a lívia chegou em casa com muitas flores. foi me dizendo o nome delas. e o lírio durou tantos dias que até foi fotograrado.

essas fotos foram tiradas na laje da casa do rodrigo. fabulosas as fotos, e também as risadas. os encontros são sempre bons.

o charme, o luxo e o poder são palavras que eu roubei de um comentário do facebook. o autor é o daniel, que, imagino, tenha achado mui luxuosas as fotos que minha amiga priscila fez na varanda da casa de um amigo. varanda, não, laje.
e as palavras do dani me deixaram dias e dias pensando em como a vida pode ser banal ou não. e em como quando alguém tira uma foto da gente e a foto fica bacana a gente acha isso não banal.
muitos dias se passaram, semanas. e isso não sai da minha cabeça.
os aprendizados do curso de meditação vão grudando no meu corpo e eu vou mudando a forma de fazer tudo o que eu sempre fiz da mesma forma. sentar e meditar aquieta o corpo e a alma. e essa quietude se espalha pelo meu corpo, chega nas paredes do meu pequeno apartamento, atinge minha pequena família, a santa nalva, e sai da minha casa pro mundo, enchendo todos de paz, de lentidão, de atenção.
engraçadíssimo. meu irmão tinha me falado, dois anos atrás, que os 42 anos eram uma idade de mudanças. e como se um fosse um puzzle de 5 mil peças, que está sendo montado há muitos anos, eu ando encontrando umas peças bem pequenas. e toda vez que as encontro, vibro, olho assombrada e vejo que cada peça tem o seu lugar.
agora, relendo as palavras que o dani usou e que eu copiei, fico procurando o sentido. tudo é muito simples. mas haja paciência. e luz.
ainda bem que eu tenho amigos. 

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