domingo, 23 de fevereiro de 2014

cansa

quebrei meu recorde histórico de não escrever - e não me importar com isso - neste blog.
tem vez que a vida parece nos deixar mais ocupados, e aí nos concentramos no que é essencial. e eu tenho me concentrado nas tarefas mudanas de começo de ano. filhos na escola, lição dos filhos, horários da natação e do piano e do inglês e da terapia dos filhos.
diz uma das minhas mestras que deus tá o fardo que cada um consegue carregar. eu acredito nisso desde a primeira vez que ela me disse isso, uns anos atrás, mas eu sempre fico com um pouco de dúvida. por que às vezes o fardo parece tão pesado que a gente tem certeza de que vai cair de boca no chão? aí vem a falta de ar - uma visita que não é bem-vinda mas que se nega a ir embora -, a azia, a insônia. e a tristeza, que me presenteia com a certeza de que estou andando pra frente, me equilibrando com esforço e tropeçando dia sim, outro também.
...
ontem fiquei pensando no meu medo. saí de casa tarde da noite para os meus pacatos parâmetros. andei até o metrô, troquei de trem duas vezes, saí numa região escura que pouco conheço, andei as seis mais longas quadras da minha vida e cheguei à casa de um amigo.
quando a rua ficava muito escura, e meu coração dava uma acelerada, eu respirava fundo, e uma calma entrava junto com o ar pelo meu nariz. mesmo assim, sentia meu corpo duro, e acho que era o pavor.
eu não ia deixar de ir ao aniversário de um amigo porque não queria dirigir numa região que não conheço, porque minha carona furou e porque nenhum táxi existia na cidade nos 10 ou 15 minutos em que fiquei tentando chamar um.
a longa jornada me fez pensar nas coisas desconhecidas que fazemos. e por desconhecido eu quero dizer qualquer coisa que nunca tenhamos feito. pode ser uma comida, um diálogo, um caminho. eu carreguei meu medo comigo, me senti só mas estava feliz.
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"as pessoas têm dificuldade em abrir mão de seu sofrimento. ao invés de um medo do desconhecido, elas preferem um sofrimento que lhes é familiar."
li a frase hoje de manhã. um amigo de longa data a postou no FB. o zeca e eu nos encontramos uma vez a cada quatro ou cinco anos. e tenho a impressão de que estamos sempre muito perto um do outro. mesmo sem saber da vida dele, e de ele não saber da minha.
adorei pensar que prefiro o medo do desconhecido. e que por isso pego o medo e o levo comigo, sempre com um sorriso no canto da boca, daqueles que ninguém vê. parece que estou fazendo uma sapequice.
mas o que seria da vida se não escolhêssemos, de vez em quando, andar por caminhos que nunca pisamos?
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a falta de ar continua. mas eu tenho certeza, absoluta, que isso vai passar. porque se eu tiver um aumento, mesmo que pequeno, do meu fardo, vou cair, e tenho a impressão de que não vou levantar. e isso não é ruim. é só o meu cansaço. grande, insuportável.

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