domingo, 19 de outubro de 2014

o claustro

"saber ficar satisfeito é ter um tesouro na palma da mão."
provérbio tibetano
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eu estava cortando um pedaço de tofu em quadradinhos, e senti uma alegria muito grande: minha sopa ia ter tofu! aí me dei conta de que quando uma pessoa acha TOFU o ingrediente mais interessante do seu jantar, hello, esta pessoa está em sofrimento.
bem, eu estava. era o último jantar do meu jejum, que durou oito dias, contando o dia zero, quando comi somente frutas e verduras.
para dar conta, me organizei: faria o jejum na primeira e única semana do ano sem filhos. e a preparação foi longa. em junho, quando a minha médica receitou isso, eu disse pra ela: "nunca". passadas as férias de julho, achei que podia pensar no assunto. e tanto pensei que consenti em fazer a tal dieta detox.
além de estar sozinha em casa, organizei minha agenda para que a minha presença física no escritório não fosse necessária.
e deu certo. apesar de ter trabalhado muitíssimo, não saí de casa. acordava cedo, meditava por 30 minutos, fazia uma pequena caminhada e trabalhava desenfreadamente. mas parava cedo também, para descansar por longas horas à noite.
e, sem me dar conta, vivi num claustro esses sete dias - o dia zero eu passei num sítio, meditando na beira de um minúsculo lago, onde o sol nascente refletia sua luz e uma névoa ia subindo da água.
nunca tinha feito um jejum tão severo - apesar de já ter feito muitas dietas detox nos últimos oito anos.  foram 21 sucos verdes orgânicos e sete caldos quentes com verduras e frutos crus.
sobrevivi, e senti muita alegria. minha amiga paula - a primeira pessoa que vi pós claustro - minimizou um pouco meus méritos. contou de uma pesquisa e da fala de um médico, que diz que o nosso corpo sabe tirar dele as impurezas e as toxinas.
mesmo assim, ainda acho que foi bom. é uma experiência espiritual. porque sem rezar e meditar não creio ser possível chegar ao fim.
a ideia do claustro só ficou clara para mim no final. e me fez lembrar minha mãe, que era uma católica fervorosa e tinha grande admiração pelas "irmãzinhas" (assim ela chamava as freiras) que viviam no claustro. e eu entendi que há certas coisas na vida que exigem a clausura.
mais detalhes quando eu digerir tudo o que passou.

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