desconhecidos

hoje acordei cedo como todos os dias, fiz tudo o que eu sempre faço. o café da manhã, o banho, o vestir-se com um mínimo de decência nesse frio excessivo, a paciência com a pequena lívia que leva 30 minutos pra sair da cama e colocar uma roupa e comer um pedaço de pão, a ida até a carona dela.
mas então eu voltei pra casa e fui conhecer um lugar da cidade onde eu jamais tinha estado. uma são paulo de casinhas, de pessoas andando pela rua porque as calçadas são muito estreitas, onde a avenida tem uma pista pra ir outra pra voltar, e a faixa de segurança não tem farol nenhum - nem o dos carros, e o dos pedestres. uma são paulo que cheira bem, aquele céu azul de dia frio às 7h. casinhas antigas lojinhas pequenas. uma lindeza.
eu que nunca uso muita roupa estava com um casaco de couro grosso pesado que me fez suar tanto que até o meu umbigo ficou molhado. acho que os termômetros marcavam uns 8 ou 9ºC. e eu suando feliz da vida de ter entrar num trem do metrô e sair e entrar num outro e andar pelas ruazinhas da são paulo desconhecida.
e parecia que a cidade era outra e que eu era outra também. pessoas dormiam nos assentos dos trem, era cedo e fazia frio e afinal ficamos tão cansados. não tinha alegria nenhuma na cara de ninguém, e eu que sou uma gaúcha mais paulistana que gaúcha acho que era por causa do frio.
...
meu celular tocou. o ddd era o da cidade onde meu filho mora. atendi.
- alô, aqui é fulana da cultura inglesa. é patricia?
- sim.
- seu filho veio fazer uma avaliação aqui e e eu estou ligando pra saber quando ele vai começar as aulas.
- ah, sim, ele me falou, mas ele não mora comigo, ele mora com o pai dele.
- eu só tenho o seu contato.
e então eu passei o telefone do pai do joão, e a dona cujo nome não me vem à cabeça pediu desculpas uma, duas ou três vezes. eu disse que não tinha de se desculpar.
e quando desliguei, comecei a gargalhar. foi esquisita a nossa conversa, assim como têm sido esquisitas várias conversas que eu tenho tido nesses últimos meses.
...
eu fui buscar o joão na escola. íamos para um programa incrível, um retiro de meditação com meu professor. e por isso perto das 17h eu estacionei o carro uns 300 metros à frente do portão da escola do joão, desci e perguntei pra uma mulher que estava na calçada, junto com outras muitas mulheres: é por este portão que saem os alunos do oitavo ano?
não, era no próximo portão. e então eu andei uns poucos passos até chegar no portão por onde o joão iria sair.
olhei pra minha amiga judith e perguntei pra ela se não era estranho uma mãe não saber o portão pelo qual o filho sai da escola. ela disse claro que não, não tinha nada de estranho. mas eu me achei um alienígena vendo todas aquelas mulheres a postos esperando seus filhos e eu olhando a escola do meu filho pela primeira vez em quatro meses.
...
e agora as fotos dos meus dias novos na cidade nova onde eu moro há mais de 20 anos:

a névoa no parque villa lobos, às 7h, 8ºC, quase vazio

quando faz muito frio o quero-quero não voa 

dentro do carro, antes de congelar 

o sol foi surgindo "no fim" da estrada 

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