quinta-feira, 8 de setembro de 2016

nossa vida sem a nalva

meus filhos foram criados por duas mulheres: esta que escreve e ednalva moreira miranda, a.k.a. santa nalva.
sem exageros nem pieguice, foi a nalva quem cuidou dos meus filhos, os levou para nadar na ACM quando eu não tinha dinheiro para pagar uma escola de natação, os buscou da escola e os colocou na cama enquanto eu trabalhava.
não. eu não era uma executiva fodona que trabalhava 14 horas por dia ou mais. eu trabalhava o tanto que qualquer pessoa trabalha. todos os dias, uns dias mais, uns dias menos, um ou outro fim de semana quando as crianças já estavam na cama, uma ou outra noite durante a semana quando o prazo apertava. mas alguém tinha de cuidar das crianças quando eu não estava em casa, e essa pessoa era a nalva.
eis que meu filho saiu de casa e minha filha aprendeu a andar de ônibus sozinha. e fomos vivendo um dia depois do outro e a nalva virou uma governanta, num apartamento pequeno, sem nenhum empregado pra ela dar ordens, com uma garota que já dava conta de chegar da escola sozinha, fazer a lição sozinha, almoçar sozinha, não obedecer à ordem de tomar banho tampouco a de ir pra cama. ou seja, eu tinha uma dama de companhia pra uma menina que não precisava estar acompanhada.
e foi assim que a santa nalva partiu, faz pouco mais de três semanas.
já passei da felicidade excessiva  - uau, não tenho mais uma funcionária cujos pagamentos eu tinha de inserir todo mês naquele portal horror do governo - à depressão - meu-deus-puta-que-o-pariu-de-onde-eu-tirei-essa-ideia-de-jerico.
agora estou boiando no mar, entendendo que sim eu vou emagrecer e sim vou lavar a louça todos os dias, mas vendo que ninguém vai morrer com o pó da casa, nem com a lixeira suja e eu sem tomar uma atitude (e esquecendo de trocar as toalhas).
a gente se acostuma a uma vida de mimos e depois fica achando tudo um excesso. e aí se dá conta de que é preciso pouco para por a casa em ordem. e muito esforço para não se incomodar com a falta da doce governanta que deixava tudo, TUDO impecavelmente no lugar.

a pia, eu acho, nunca mais será a mesma

e mesa (des)arrumadinha para o jantar

e assim, entre a felicidade louca e a depressão, estou no meio do caminho, me dando conta de que eu sempre adorei os extremos. por isso eu queria tanto ter cinco filhos. por isso nunca penteei meus cabelos. e por isso troquei os serviços diários de uma governanta pelos serviços quinzenais da ana. sim, quinzenais. a ana não tem mais dias livres, e eu achei incrível gastar muito menos todo mês.
e isso me faz lembrar das cores que eu já usei nos meus cabelos, da quantidade de belos rapazes que eu namorei, do caldo de palavrões que sai da minha boca quando não estou atenta, das toneladas que eu já engordei e emagreci, dos hectolitros de vinho que já tomei e dos incontáveis jantares que já dei em todas as casas em que morei - que foram muitas, mais de uma dúzia.
os excessos cansam.

5 comentários:

  1. Respostas
    1. :p
      parece que vivemos em continentes diferentes...

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  2. Pois eu, com apenas 2 semanas aqui nas terras do Tio Sam, lavando e passando minha roupa, tendo que arrumar as unhas sozinha, vou preferir gastar todo mês um dinheiro que poderia se tornar uma mega viagem anual e manter os mimos da Santa Zilma. Adoro este excesso! Beijos no coração, querida Tita. Josi

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  3. Pois eu, com apenas 2 semanas aqui nas terras do Tio Sam, lavando e passando minha roupa, tendo que arrumar as unhas sozinha, vou preferir gastar todo mês um dinheiro que poderia se tornar uma mega viagem anual e manter os mimos da Santa Zilma. Adoro este excesso! Beijos no coração, querida Tita. Josi

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  4. ah, josi, o que v está fazendo na terra do tio sam?
    eu acho o máximo ter essas santas. aproveita!!!

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