a cuca da gerda

o melhor de ter filhos em escola Waldorf é que a escola serve pros pais também. tipo promoção de supermercado, que você compra uma mostarda maravilhosa e ganha uma colherinha de madeira linda pra servir a sua mostarda.
e então os pais ganham também. não colherinhas de madeira, mas noções básicas de civilidade; saquinhos de alegria; amigos em doses alopáticas - tipo dose única de remédio, cavalar, e não 5 gotinhas -; lições práticas do que é um grupo e como lidar com as diferenças, aceitando o outro com tudo o que ele tem diferente de mim; e a "mão na massa".
por mão na massa me refiro a trabalho, esforço, dedicação. e neste momento, especificamente, me refiro a fazer uma cuca!
 

o trabalho das meninas é sobre a mata das araucárias, cuja existência eu, uma gaúcha bem falsificada, ignorava. eu sugeri que as meninas levassem quitutes típicos da região, porque aprendemos com o cérebro, o coração e o estômago - o que é cientificamente comprovado, eh eh eh.
e lá fomos nós, quatro mulheres com o coração quente (o termo foi usado uma vez pelo meu querido médico chinês, quando ele quis dizer que eu era uma mulher boa por ter pago o tratamento longo do filho de uma pessoa querida), organizar a pajelança. 
eu, que não costumo me amedrontar, ia fazer arroz carreteiro. mas fiquei com medo de errar, porque não sei fazer arroz branco...então lembrei da cuca.
no meu caderno velho de receitas não achei a receita. e então fui buscar numas folhas grossas, encapadas com plástico, que eu herdei da minha mãe. ela tinha uma casa de chá, e todas as receitas ela copiava num papel que eu acho que chama fichário, e colocava dentro de um plástico pequeno e grosso, para proteger a receita das melecas da cozinha - farinha, ovo, óleo, mãos melecadas e tal.
mas a minha mãe nunca gostou de seguir receita. ela sempre inventava alguma coisa ou mudava a quantidade. e isso quer dizer que toda vez que eu pedia uma receita pra ela, as quantidades podiam variar. 
e lá fui eu pra cozinha, depois de ter comprado os ingredientes, fazer a cuca da minha mãe. a primeira vez de uma receita é sempre uma aventura. mas a primeira vez de uma receita maravilhosa da nossa mãe é duas vezes uma aventura. e uma receita pra levar pra escola da sua filha, para integrar a apresentação de um trabalho sobre a mata das araucárias, bem, o que dizer? 
eu tirei a foto acima e já vou tirar a foto da cuca pronta porque quero mandar pros meus irmãos e pro breno, pai da classe da minha filha que hoje à tarde mandou uma foto de tenras e escuras blackberries (que eu acabo de descobrir que são amoras pretas, e não vermelhas como as nossas). "danish", disse o breno, o que me faz crer que ele esteja em solo escandinavo.
a receita era enorme. e claro, como é uma receita da minha mãe, a receita "para forma grande" não era o dobro da receita original. o que me deixou mui intrigada. se a receita original leva 3 ovos, por que a receita para forma grande leva 5 ovos e não 6?
pensei em ignorar as quantidades da minha mãe, mas na hora de começar a bater a massa achei prudente seguir fielmente a receita para forma grande. 



eis a cuca da gerda assada. a casa está perfumada, com cheiro de canela. ah, muito orgulho da minha primeira streusel kuchen. não sei se chama streusel kuchen uma cuca com maçã e banana. talvez seja apfel und banane kuchen. não sei.
mas eu sei que sinto alegria. daquelas que enche o corpo da gente, do fio de cabelo da cabeça até a ponto do dedo mindinho do pé. 
gratidão. 






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