serei eu um caso de pessoa obsoleta?

o dia seria longo. ainda não eram 8h e estávamos nos aprontando para partir. passaríamos o dia num cliente. e o cliente fica longe do nosso escritório. "vou pegar um 3G", ele me disse, com alegria.
ele foi até a gaveta onde os 3G são guardados, e voltou com as mãos vazias. "não tem nenhum na gaveta." é normal, respondi. as pessoas levam 3G para trabalhar de casa, da praia, talvez do clube.
fomos sem o 3G. e claro que trabalhamos loucamente, e que o acesso à internet teria sido pouco válido. pensando bem, talvez o pedro tivesse conseguido checar e-mails nos 45 minutos para ir ou nos outros 45 minutos para voltar...
li um texto longuíssimo no guardian, de uma moça que suponho ser jornalista. e ela vai falando do equilíbrio - tudo começa com ela dizendo como ela dorme menos horas do que tem de dormir, porque ela leva o computador pra cama (!!!!) pra falar com amigos via skype, pra tuitar, e pra editar textos. uau!, eu pensei. não costumo deitar com máquinas, ah ah ah.
mas fui lendo o texto e fiquei um pouco preocupada com a possibilidade de eu ser uma pessoa absolutamente obsoleta. ipod? não tenho. ipad? também não. acesso à web pelo celular? nunca. GPS para não me perder? não pretendo ter, porque adoro meu guia editado pela quatro rodas e amo parar num posto para encontrar o caminho quando estou perdida. acesso remoto para a internet? só na minha casa, porque trabalho na sala no quarto na cozinha. jamais carrego computador a passeio.
bem, agora não vou voltar ao texto para ver que outras parafernálias a moça cita. o fato é que eu não entendo como alguém CONSEGUE ler um jornal na tela de uma computador. muito menos, mas muito menos mesmo, como consegue ver um filme. conheço pessoas que até NAMORAM pelo computador - as que casaram não serão citadas aqui. mas eu acho tão bom olhar no olho, tocar na mão e sentir o cheiro. prefiro em 3D do que em 2D.
e a falta de capacidade de andar sem olhar para máquinas? tem os que não correm no parque sem música, os que checam e-mails no celular todo minuto - mesmo durante um almoço ou jantar num restaurante! -, e os que acham que vida sem internet o tempo todo não é vida.
penso na minha infância, e olho pra vida dos meus filhos, que são pequenos, e sinto um alívio enorme. meus filhos viajam de carro e não levamos dvds. a gente conta caminhão, canta, procura carros de diferentes cores, conta fuscas. meus filhos brincam com corda, bicicleta, sobem em árvores muito altas e dão risada quando tomamos sorvete.
uma das definições que o houaiss dá para obsoleto é "fora de moda; ultrapassado, antiquado". li hoje na folha de s. paulo que as escolas chinesas vão dar aulas de boas maneiras para as crianças. entre os temas, como se comportar no elevador, como falar no celular e como tratar os idosos. uau! isso sim é obsoleto: uma pessoa ter de aprender a ser gente na escola!
que bom que eu gosto das coisas de antigamente. e que meus filhos vão lembrar que quando eles eram crianças eles iam ao parque, davam risada, faziam biscoitos, andavam de bicileta, comiam picolés que a mãe deles fazia e sentiam tédio. ah, ia me esquecendo. eles vão lembrar também que acendíamos velas em vez de luzes, para iluminar cafés da manhã e jantares.

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