bahia roots - parte II

filhos não costumam ouvir o que as mães falam. por isso viramos papagaios, e passamos os dias dizendo muitas vezes a mesma coisa. ora pois, na bahia não foi diferente. o joão concluiu que não lavar os pés no banho é uma boa ideia, e assim foi.



até que dias antes de irmos embora, bingo! um bicho de pé infeccionado - sem detalhes, é claro, porque mais explicações seriam desagradáveis - e com bicho geográfico. eu acho muito aflitiva a ideia de um bicho no meu pé. agora um bicho que anda eu acho insuportável. e lá estava meu filho, na casa de uma médica, nossa anfitriã no litoral e no sertão baianos, que olhava os pés dele e dizia "ah, mas tem que lavar". horror dos horrores. e uma humilhação, claro, porque eu sou daquelas que tomam banho todos os dias.
a coisa toda se resolveu de maneira mui simples. minha amiga chacha apareceu em casa (a dela) no final do expediente com um amigo. "esse é o cirurgião do hospital", disse ela animadíssima. e lá se foi ele dar uma olhada e depois uma escavada cirúrgica do pé do joão.
andei até a farmácia da esquina e comprei gaze, esparadrapo, pó antisséptico, pomada para bichos que se movimentam no pé. ah, e aquele troço branco que se enrola ao redor de machucados cujo nome de escapa neste momento. no outro dia voltamos pra são paulo, para desfazermos as malas e seguirmos para o sul. mas nessa parte das férias a família ia se dividir: o joão iria s-o-z-i-n-h-o visitar os avós. um desejo antigo, que finalmente foi autorizado pela mãe-pior-que-uma-mãe-judia, esta que escreve.



tirar dez dias de férias de UM filho é uma experiência diferente. já tirei muitas e muitas férias de DOIS filhos, o que significa brincar de sou-solteira-e-não-tenho-filhos. mas tirar férias de um só era inédito pra mim.
todos passamos muito bem, mãe, filha e filho.
e ontem fomos, a lívia e eu, até o aeroporto buscar o joãozito. um trânsito surreal para um final de tarde de sábado me fez pensar que eu chegaria no aeroporto quando o avião já tivesse pousado. mas como mães histéricas com horário fazem cálculos para sobrar tempo, chegamos a congonhas e ainda faltavam 4 minutos para o avião pousar.
mas ficamos quase 45 minutos plantadas, olhando aquela porta automática do desembarque abrir e fechar, sem nem VER o joão. a lívia perguntava que roupa ele estaria usando, e eu dizia que não sabia, e ela ia ficando irritada. até que disse "eu quero ir embora e dormir". mas não dá pra ir embora com um e deixar outro, eh eh eh.
enfim, avisto uma juba loira e tive certeza de ver o joão. mas de repente ele desapareceu, e uia, apareceu de repente de novo no meio da onda de seres esquisitos que vão passando por aquela porta automática cheia de anúncios de aparelhos de celular super mega blaster incríveis.
quando uma criança viaja sem adultos, um sujeito da companhia aérea faz a entrega. mostrei RG, assinei um papel sem ler e pronto, meu filho tinha voltado. a cena era linda e, yes, cômica. ele mascava chicletes com a boca aberta, e imediatamente me mostrou a incrível embalagem dos chicletes que ele tinha no bolso. no pulso ele portava o ipod que ganhou do pai faz um mês, e ao redor do pescoço tinha um fone com desenho de caveira. "não tinha outro na loja, mãe. só muito maiores do que esse", me explicou. e foi falando o que tinha comido no voo, uma barra de chocolate, acho, e contou que o saco enooooorme de batatas fritas estava intacto dentro da mochila.
as roupas dele eram t-o-d-a-s novas. botinas de camurça adoráveis, uma calça xadrez muito macia, camiseta, camisa aberta por cima.
ele estava visivelmente feliz. e eu fiquei impressionada. e feliz também. ficar longe dos filhos é uma delícia. e reencontrá-los também.
chegamos em casa e o sujeito ia falando falando falando. me explicou que não precisava tomar banho porque, afinal, tinha ficado o dia todo em casa e depois tinha passado uma hora e pouco no avião... os princípios de higiene (ou falta de) do meu filho não haviam sido alterados.
o café da manhã tinha bolos. e chicletes estavam liberados o dia todo. filmes, eram de um e três por dia. e a bola? "não tivemos tempo de estrear, porque depois que ganhei a bola só choveu." ele ia relatando tudo alegremente. e foi dormir.
e eu fiquei na minha cama lendo, e pensando na doçura das férias do joão na casa dos avós. com açúcar e muuuuuuuuito afeto.

Comentários

  1. saudade sem fim d vc....
    estou indo a sampa e queria t ver

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  2. que lindoooooo....amei os relatos, confesso que me diverti mais com o roots II...
    saudades incriveis...
    bjos

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  3. Fala, Joao Gabriel!

    E o bicho de pe teve coragem de atacar esse pe sujo?

    A proposito, a foto foi tirada antes ou depois de lavar o pe? Pelo que li, acho que serao necessarios muitos, mas muitos banhos para remover essa sujeira toda.

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