sábado, 9 de agosto de 2014

a fotossíntese

(o texto foi escrito dois meses atrás. antes das minhas longas férias de quase 40 dias. antes de a minha mãe ir para o céu. e antes de eu saber que eu tenho um milhão de amigos com quem eu posso contar nos dias mais nublados, e nas noites mais escuras, quando não enxergo nenhuma estrela no céu)

o dia tava lindo. e a dor era tanta que eu não conseguia andar sem senti-la. interrompi minha caminhada e fui pra casa. tinha de trabalhar, assinar um documento no cartório, comprar frutas. e enquanto ia fazendo todas as mil coisas a fazer, lembrei que há muitos e muitos dias vinha adiando minha ida ao incrível dr. kong. liguei, mas ninguém atendeu. um frio percorreu a minha espinha, e eu fiquei morrendo de medo que ele estivesse na china passando longas férias ou, pior, que não estivesse mais atendendo. e eu teria mais uma dor, a do coração, para juntar-se às tantas outras dores que eu tenho hospedado em partes diversas de mim.
ia fazendo as coisas devagar, porque as costas doíam e o corpo estava cansado. meu irmão e eu conversamos um pouco sobre as férias - não as dele, mas as minhas, durante as quais passarei uns dias na casa dele, que fica na ilha de florianópolis, o lugar mais verde e azul que existe no mundo. 
então liguei mais uma vez, e dessa vez o dr. kong atendeu. sim, eu podia ir dali a meia hora. a sova foi intensa, e passada uma hora e meia ele disse, com seu singelo vocabulário, "costas fora do lugar né? muita dor, muita dor". sim, muita dor, com direito a gritos. 
coluna no lugar, de volta à casa, o dia termina. 
para parar um pouco, fui buscar minha filha muitos minutos antes de a aula dela terminar. me sentei no sol, já com a coluna no lugar, e fiquei fazendo a fotossíntese. 
lembrei do lindo poema que recebi dia desses. 
...
Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente. Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer. Sonhos se realizam, ou não. Os olhos se fecham um dia, pra sempre. E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só. Caio Fernando Abreu
...
é engraçado como a vida nos dá muitos presentes todos os dias. eu tenho pensado muito nisso. minha mãe sempre diz que não sabe como eu posso ter tantos amigos. e eu nunca entendi como uma pessoa pode estranhar alguém ter amigos.

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