enfim, lenta

meu deus. finalmente consegui. com muito esforço, é verdade, porque tenho a impressão de que na vida tudo custa um pouco de esforço - seja interno, da alma, seja externo, do corpo. mas um pouco.
eu estava no supermercado fazendo compras para receber quatro vietnamitas na minha casa por uma tarde. já tinha pensado no que seria feito para o almoço, para o lanche da tarde e para o jantar. mas acabei deixando para comprar algumas coisas na última hora. tão última que quando olhei no relógio faltavam dez minutos para eu estar no ponto de encontro onde pegaria as três crianças e a/o líder do grupo, que tinham vindo à bananalândia para um acampamento do CISV.
respirei fundo e falei para mim mesma: "calma, nega". terminei as compras, paguei e saí do supermercado tentando fazer cara de tá tudo bem. não parei na feira. cheguei em casa falando alto, nalva cheguei e já estou saindo porque estou atrasada.
no carro, no meio do caminho, a lucy, responsável pela "entrega" do grupo, manda uma mensagem dizendo que está na praça, num carro cinza, perto de um toldo vermelho. pergunto se as crianças já tinham chegado. não, ela responde.
vou dirigindo no espírito "calma, nega", sentindo o descontrole idiota da pressa me sacudindo. cheguei rapidamente, e logo vi meus adoráveis vietnamitas, que desciam do microônibus naquele momento. lucy me olhava feliz, porque eu tinha aceitado hospedar os meninos uns dias antes.
eu estava voltando de longas férias de 37 dias no dia anterior, estava me adaptando à minha vidinha paulistana depois da morte da minha mãe, as criançcas voltando pra escola. aliás, um voltando pra escola, outro trocando de escola e com recuperação.
vida fácil.
mas achei que seria muito divertido conhecer quatro vietnamitas, olhar praqueles rostos lindos lisos morenos e tão diferentes da gente. saber que língua eles falam e se gostaram de comer arroz e feijão. e sentir que na vida existe tanta diversão sempre mas sempre esquecemos disso.
as crianças ficaram na minha casa por poucas e doces horas porque o voo deles era às 3h45, e o acampamento tinha terminado às 8h do dia anterior. e a líder, chii, não queria passar tanto tempo no aeroporto antes de tão longa viagem, que duraria 36 horas. a saber, são paulo - doha - bancoc - hanoi.
foi um presente.
e eu percebi naquele dia que finalmente estava fazendo uma coisa de cada vez. para os meus insanos parâmentro de eficiência e oh-my-god-lets-be-cool é uma coisa e tanto.



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