liv e a vida de verdade

era um documentário. a liv ullmann falava da vida dela e, claro, da relação com ingmar bergman, pai da única filha dela.
eu assisti em são paulo. numa sala de cinema. mas tenho a impressão de que foram poucas as pessoas que assistiram. eu tenho adoração por ela e por ele. e depois que vi o filme, minha adoração aumentou.
como é difícil viver uma vida de verdade.
numa cena do filme, ela diz que tem muita raiva, e que essa raiva ela usa para atuar. noutra parte ela diz que um dia falou pro bergman que achava um saco a carreira dela sempre estar relacionada à dele. ao que ele respondeu que ela era o stradivarius dele, e com ela (liv) ele (bergman) pode tocar/executar a arte dele. e no fim ela conta que nunca tinha usado um avião só pra ela. mas um dia ela teve um pressentimento e alugou um avião para ir a faro, ilha que fica no fim do mundo e onde eles se conheceram e bergman viveu uma grande parte da vida dele. quando ela chegou, teve tempo de se despedir dele, que estava morrendo - e ela não sabia.
e daí?
daí que eu também sinto muita raiva mas não sou atriz e não sei onde colocar tudo isso. adoeço com as mentiras que escuto e com as faltas de certeza. as minhas e as dos outros.
telefonemas hipócritas me deixam louca. processos na justiça provocam a minha ira. comentários idiotas me irritam e eu tenho vontade de apertar o botão "eject" e sair fora.
mas não existe o botão "eject". nem o maquinista do trem que eu possa chamar e pedir pra parar para eu descer.
que ironia. ia escrever um texto lindo de gratidão para comemorar os 20 anos que vivo nesta cidade cinza e maravilhosa. e escrevi um texto sobre a raiva e a minha incapacidade de lidar com ela.
como é difícil viver uma vida de verdade.


Comentários

  1. como é difícil viver em SP... como é difícil usar a raiva para algo positivo.
    beijos
    Ana

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  2. mas a liv morava em faro e também tinha raiva, anininha!

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