o jardineiro


sonhei que um amigo me convidava para uma viagem. o destino era um ligar maravilhoso, e eu, louca de vontade de ir, dizia que não dava, mas pensava em como ir. ele me apresentava um amigo. chamava-se danilo.
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fiquei pensando. danilo era o nome do jardineiro dos meus avós, muito antes de eu nascer. eles, o opa e a oma, moravam numa casa gigantesca, tanto por dentro como por fora. e, assim, tinham um jardineiro que morava na casa deles! o danilo não tinha nascido no brasil. meu irmão vai morrer de rir quando ler isto, mas eu não me lembro se ele era russo ou tcheco ou o quê. parece que não tinha família no brasil, e quando morreu, meus avós que o enterraram.
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eu ia dirigindo o longo caminho da minha casa até a escola das crianças quando me lembrei de "quantos danilos eu conhecia". as lágrimas iam caindo timidamente, e eu as ia secando com lenços kleenex.
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quando éramos crianças, quem cuidava dos gigantescos jardins do opa e da oma era o generino (ou seria jenerino?). que não só era jardineiro como tocava acordeão - nas festas da minha família inclusive. eu era muito pequena, e não sei ao certo se isso seria um comportamento normal para um velho alemão ou uma extravagância. o fato é que, pelo que me lembro, tanto o opa quanto a oma tratavam com muito amor os empregados que eles tinham. e um dia o generino casou-se, e nas fotos eu via um "túnel de espadas". era o caminho da entrada da igreja até o altar. me diziam que era uma religião diferente. e como o noivo já não era novo, a noiva era igualmente "não jovem".
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às vezes a tristeza é tão grande que até a fome vai embora. e eu sei que isso é um treinamento para aguentar as alegrias. sim, porque só quem morre de tristeza pode morrer de alegria.

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