domingo, 17 de fevereiro de 2013

TITINHA, ARRUMAR. PELAMOR!

eu tinha deixado o recado no meio de um texto. estava exausta, não aguentava mais trabalhar, e o recado ficou para a tarefa "de amanhã". como se eu soubesse que o recado ia funcionar não só para eu lembrar de arrumar um trecho horroroso de um texto ininteligível, mas para me deixar animada. e, claro, funcionou. com amor sempre funciona.
bem, essa era a introdução. agora vou falar sobre o que interessa. estávamos muito cedo de manhã tomando um café delicioso na escola. é um ritual do qual sou adepta e fã há quatro anos, quando meus filhos começaram a estudar lá na roça. como provavelmente menos de 5% dos alunos moram perto da escola, tem uma garrafa de café muito fresco na cantina da escola todas as manhãs, por volta das 7h. assim, dá pra esperar meia hora pro trânsito aliviar, ou fazer uma reunião ou, uau!, conversar com as amigas.


na frente da cantina, no dia em que o joão saiu para a primeira viagem de classe. o travesseiro ficou.


no meu caso, que vou pra roça às 6h30 e estou no contrafluxo, nunca tenho menos trânsito quando volto pra capital. só mais. exceção para o dia que um helicóptero baixou na raposo tavares pra resgatar um motoboy, e eu fiquei com os pés pra fora da janela, tomando sol, por duas horas. depois disso, levei 15 minutos para chegar ao escritório, já que não tinha ninguém na estrada que havia sido fechada. brinquei de fórmula 1, mas light, porque graças a deus meu carro não vai a mais que 140km/h.
reuniões também não faço.
ou seja, eu só fico lá por causa dos amigos, do papo jogado fora, e das conversas. e assim foi. fiquei irritadíssima quando minhas amigas me disseram que eu tinha uma carga de ó-vida-ó-céus. eeeeeeeeu? como assim? imagina! eu rebolo, dou conta de tudo, e o mínimo é sofrer!, respondi irada.
mas apesar da fúria, as palavras delas entraram. e eu fiquei pensando em como é possível viver sem carregar pesos desnecessários. como se fosse um pó de pirlimpimpim, a nuvem cinza escuro se dissipou. bem devagarinho, e em silêncio.
passada uma semana, tive de ouvir mais uma: existem coisas que só os amigos conseguem dizer pra gente. não fiquei irada dessa vez. engoli seco. e fui pra casa feliz.
tudo culpa delas.
uma amiga me disse, muitos anos atrás, quase 20, que "if our friends don't say that our shit stinks, who will?". em tradução livre, seria "se nossos amigos não falam das nossas merdas, quem vai falar?". eu nunca esqueci dessa frase. assim como não esqueço dos meus amigos tão lúcidos que conseguem me dar bofetadas sem luvas de pelica e, mesmo assim, eu sigo tendo certeza do amor deles.
cosi è la vita. e o grande esforço, ohmygod, não é ser sempre fofa, mas ser verdadeira e com doçura. isso sim é uma tarefa hercúlea. e eu morro de êxtase de saber que eu tenho amigos que têm muito pra me dizer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário