you need tranquility

eu acho normal falar que eu medito, e falo pra todo mundo. no trabalho, no ônibus, pros amigos, pros conhecidos, pros amigos dos meus filhos. quando você gosta, é fácil. você é um divulgador.
e foi assim. um amigo queria saber sobre cursos de meditação, e eu descobri um retiro na bahia. sim. isso mesmo, um retiro na bahia.
eu, calma e reservada que sou, disse pra ele, o amigo, que podíamos ir de carro. ele declinou - tanto de carro quanto de avião, não, ele não iria.
eu, na hora, não me dei conta. reservei pousada voo e vaga no retiro, e fui atrás de amigos queridos para hospedar meus herdeiros por 12 ou 13 dias. ousadia.  não lembrava que o meu mantra quando meu primeiro filho nasceu era "mãe também é gente", tampouco lembrava que havia anos eu queria ficar em retiro.
estava feliz da vida, e fui organizando tudo. trabalhei muito, declinei alguns convites - trabalho, jantar e tals -, consegui hospedagem pras crianças, arrumei as malas delas, coloquei resposta automática no e-mail, fugi do escritório e dei folga pra santa nalva.
acordei às 5am pra arrumar a minha mala e chegar ao aeroporto às 8am. uma dor de barriga, acompanhada de um rombo na mesma região do meu corpo, me acompanhavam. mas por que raios eu decidi fazer um retiro na bahia? bem agora, com muitos projetos depois de meses de ócio - e renda zero -, e eu indo pra bahia? hellooooooo!
fui. embarquei. cheguei.
sem detalhes. porque retiros são pessoais e intransferíveis.
na primeira aula, o choque: a partir de agora, ninguém fala. nem com os cachorros.
meu deus!, o que eu estava fazendo ali? sem internet, sem celular, sem computador, sem filhos, sem trabalho, sem casa? o nirvana, e o medo.
...










as fotos estão em ordem. nosso mestre/professor vetou o uso de câmeras durante o retiro. então fiz uma, somente uma foto por dia, no mesmo horário e local - na frente da minha cama de rainha, na cabana em frente ao mar. a primeira é do primeiro dia, a última é do dia em que fomos embora.
...
o medo a gente vai ganhando e vai perdendo na vida, conforme os dias vão passando. eu não tinha medo nenhum até uns 25 anos. aí comecei a ganhar muitos medos de presente, e os fui colecionando. eles eram muitos, mas disfarçados: quem acredita que uma mulher que dirige 1200km sozinha tem medo? eu!
o que eu aprendi é que com o medo devemos fazer o mesmo que fazemos com os outros sentimentos: abraçá-los. quando for a hora, eles vão embora.
e não é que eles começaram a partir? depois das experiências violentas, que eu enfrentei com medo e com coragem e com muita dor, eles foram dizendo tchau. então pude perdoar meus sequestradores, curar a dor da morte da minha mãe, aceitar as cagadas do homem que eu idolatrava, entender os fins dos meus casamentos, não gritar com os meus filhos, andar devagar, agradecer, viajar, gargalhar sem gritar e largar meu saquinho de medos e horrores na lagoa do cassange, no mar e no vento que entorta os coqueiros.
...

e no ímã de geladeira que dei pro meu irmão está escrito:
life isn't about waiting for the storm to pass, it's about learning how to dance in the rain.
eu precisava dar isso pra alguém, porque eu já sabia.
...
gratidão aos meus mestres. sem eles eu jamais escutaria que eu preciso de tranquilidade.

Comentários

  1. amo e admiro muito! :)
    bios
    Ana

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  2. tita querida, grata por ser sua amiga e aprender tanto contigo, em sua própria caminhada (e também de dar tanta risada quando estamos atacadas falando merdas maravilhosas!) <3

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