não é não


joãozinho assiste ao jogo do palmeiras. ele sofreu, gritou e chorou, e eu disse pra ele que chorar por futebol é demais. vamos ao jogo semana que vem



a loura da casa - i am joking. é uma peruca que ela ganhou em xangrilá beach, provavelmente numa lojinha antiga de capão da canoa

ela ia falando e os pais, ouvindo. assim como a comédia é a tragédia vista sob o ponto de vista do futuro (será que estou escrevendo merda?), a sabedoria vem com o tempo. no caso da dora, ela é uma doce mulher, que carrega com ela a sabedoria de quem criou três filhos, já adultos.
e ela nos dizia: temos de deixar claro para os nossos filhos que não é não, sim é sim e talvez é talvez. idiota? não. pelo menos pra quem tem filhos, que ficam o tempo todo testando nossos limites - e os limites deles também.
eu estava abaixada no quarto dos meus filhos, colocando dentro da caixa do banco imobiliário uma das cartas "sorte azar" que achei no chão da sala. e então vejo que a minha outra mão, a que não estava segurando a carta, segurava o saleiro. sim, o saleiro. uma cena patética, que eu adoraria ter filmado. só pra mostrar pras pessoas que dizem que mães são loucas ou, na versão comentário light, um pouco descompensadas. amanhã as férias escolares chegam ao fim. será um dia glorioso. eu vou trabalhar na minha casa de segunda a sexta. porque terei de levar e buscar meus filhos. a família com quem eu fazia rodízio para levar as crianças para a escola contratou um perueiro. e a motorista que os buscava não vai mais trabalhar como motorista este ano.
minha amiga flávia diz que a gripe é a tristeza da alma. eu sempre concordei com ela, mas na semana que passou eu concordei mais ainda. se é que existem "graus" para acharmos algo bom ou ruim, verdadeiro ou falso.
foi inesquecível ficar doente e TER DE trabalhar. fiquei de cama, com o computador sobre as minhas pernas. uma dia depois, tinha três reuniões. fui, suei, fiz as reuniões e voltei pra casa brava e mal humorada (será que mal humorada virou malhumorada com esta sinistra reforma ortográfica?).
passamos um final de semana exuberante. as crianças brincaram durante dois dias. e eu pude ler muito, cozinhar e achar uma delícia passar dois dias dentro de um apartamento com meus adoráveis filhos. ontem saímos para comprar frango para o almoço. e hoje saímos para comprar dvds - num ato de coragem, dia desses doei uns dvds que meus filhos tinham e que eram absolutamente impróprios - e tomar sorvete numa sorveteria deliciosa e absurdamente cara na vizinhança. alegria. essa é a palavra para descrever esses dois dias.
todo esse papo meio bundalelê pra falar que é um perrengue criar dois filhos sozinha. limites escola lição escovar os dentes não brigue na escola meu filho ensinar a comer direito meu filho pegue o garfo direito cortar as unhas pentear o cabelo dizer para provar comidas contar histórias levar na natação ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas organizar as férias combinar de ir brincar nos amigos ir às reuniões na escola conversar com o terapeuta pagar o terapeuta pagar a motorista comprar material escolar passar pomada nos dedos cheios de frieira depois da praia levar ao dermatologista ao dentista ao pediatra ligar para o pediatra para saber se a tosse e a febre são ok limpar o sangue do corte na cabeça depois de uma briga de irmãos.
puta que o pariu.
eu digo e direi muitas vezes: não desejo a ninguém criar filhos sozinha. é um horror. isso para ser fina e elegante e não entrar nos detalhes sórdidos.
mas, por outro lado, é incrível. como diz a carmen, que eu chamo de minha amiga mas ela não sabe, criar filhos é uma escola, mas criar filhos sozinha é como ir a harvard. não são essas as palavras que ela usa, o mas o sentido é esse.
voltando à teoria da flávia, de que a gripe é a tristeza da alma, eu acho que a gripe é a exaustão da alma. todas as vezes em que fiquei gripada nesses cinco anos, eu nunca estava triste, só estava exausta.
meu irmão, que é autor de frases inesquecíveis, me disse que eu tenho de ter uma vida mais sossegada. bem, a tia milionária que poderia deixar uma herança fabulosa não existe. meus dois casamentos não me renderam um centavo. na verdade, do segundo casamento as coisas foram tão sinistras que no juízo final alguém me chamará de bandida. meu trabalho de jornalista que é mãe me paga o suficiente para eu ficar gripada de exaustão.
no fim, acho que a vida é dura. muito mais dura do que deveria ser. acho que podia ser diferente. que as pessoas podiam ser mais gentis, e que o dinheiro podia significar o que signfica, nem mais nem menos.
agora vou levar meus filhos pra cama. já os levei, mas eles saíram. e amanhã vão chorar gemer urrar para acordar.
isso é vida. o resto é perfumaria. a vida que eu escolhei, diria a minha mãe. sim, a vida que eu escolhi, graças a deus.

Comentários

  1. Força na peruca! Coragem já tens de sobra! Melhoras pra gripe,
    Bjs e bom dia,
    Dani

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  2. adorei: ¨o dinheiro deveria significar o que significa¨ mas o fato é que ainda não significa, mas acredito que um dia irá significar. You will survive! Beijinhos, Rê

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  3. Titosa, coragem amore. Vc tem garra e amor para dar e vender!!! Qualquer coisa bate um fio (nossa essa é foda)

    Bjs, estamos aqui!
    Rafa

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