teste de resistência


em sentido horário, começando pelo verde-musgo, o joão, a dóris, a helena, a leila, o paulo, eu e a lívia - a parte da família que aderiu às caminhadas sugeridas pelo meu irmão para queimar parte das calorias ingeridas com alegria na casa dos velhos durante as festanças de fim de ano

passados dois dias de mãe-que-leva-e-busca-os-filhos-da-escola, estou cansada. achando a vida chatíssima, o trânsito horroroso, o trabalho exaustivo, os amigos escassos. eu acho divertido os meus momentos de a-vida-é-uma-merda, porque começo a enxergar tudo sem cor e é claro que há um exagero bizarro nisso. mas o trânsito com a maternidade podem fazer mães desenvolverem ideias muito esquisitas.
em menos de meia hora, hoje de manhã, eu pensei em me mudar para a pequena florianópolis, em acelerar o carro em direção ao rio pinheiros, em me mudar para o meio do mato (urg!) e em pedir para parar o trem que eu quero descer. a última, claro, é uma ideia que surge quando os pensamentos têm um upgrade e passam a ser alucinações.
nossa, escuto o barulho do silêncio neste momento, o que significa que meus pequenos herdeiros adormeceram. afe! o dia foi duríssimo. escutei palavras imundas. da boca de quem? ainda bem que a oma, minha vó querida, não está mais entre nós, porque ela desmaiaria: as palavras saíram das lindas bocas do joão e a lívia. como eu costumo dizer a eles, sorte é que eles são bonitos.
vou partindo para o lado B, o meu, é claro, e isso é sempre perigoso. fui buscar uma cerveja na geladeira e o que vejo no caminho? meus filhos deitados em suas respectivas camas, os olhos bem abertos, e a luz do quarto deles acesa! bizarro. apaguei a luz, e agora eles dialogam alegremente, como se amanhã não fossem sentir sono e reclamar com vigor até chegarem à mesa do café da manhã.
eu me sinto cansada, triste e incrivelmente feliz. acho esquisito, deve ser um sintoma de início de esquizofrenia, não é possível. mas sinto um alívio quando penso em "biutiful", filme no qual javier bardem descobre que vai morrer logo e ouve de sua amiga e bruxa que ele tem de acertar as coisas da vida dele antes de morrer, porque "das crianças quem vai cuidar é a vida", ou o destino, não me lembro a palavra que ela usou. ao que ele responde que a vida, ou o destino, não pagam o aluguel. o que é verdade. mas quando temos filhos temos de saber que eles são do mundo, e não nossos, pelamordedeus.
estou trabalhando na minha casa, em vez de ir ao escritório, faz dois dias. e a sensação que eu tenho é que faz uns cinco anos. é adorável NÃO ter de me deslocar. mas não é adorável trabalhar dentro do meu quarto. ainda assim, me sinto feliz.
a vida está cinza, e eu tenho três dias - o limite quem deu fui eu - para organizar um esquema decente de ida e volta de filhos pra escola. tenho certeza, a mais absoluta de todas, que a solução cairá feito uma fruta madura no meu colo. a metáfora é pobre boba infeliz, mas faz sentido.
a vida sempre nos mostra as horas em que devemos agir e as horas em que devemos esperar. os sábios sempre enxergam isso. mas eu, nem sempre. mas como sei que tenho de viver um dia depois do outro, vou me preparar para dormir. amanhã tem mais. com cores, pelamordedeus.

Comentários

  1. nossa.... quase as minhas ideias, agonias e palavras!!!!
    mas agora depois da chuva, e da loucura de me mudar para este lado de cima, a bonança parece perto!!! estou confiante... por que afinal... nada terá valor se a coragem nos faltar!!! Saudades... um beijo...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

nunca me senti tão rica

as dores do chute na bunda

Só sendo uma santa