por fora

dia desses recebi um e-mail engraçado. uma amiga me mandava o texto de alguém que tinha escrito sobre as vantagens de se namorar uma mãe solteira. li, achei engraçado, e respondi que tinha adorado.
mas as vantagens de se namorar uma mãe solteira ficaram na minha cabeça. dizia o texto que ela, a tal da mãe solteira, "já tem filho", ou seja, não seria uma pessoa interessada num relacionamento só pra procriar. e que a tal também "já casou", ou seja, não ficaria pedindo o rapaz em casamento.
bem, o fato é que eu tenho amigas que nunca casaram nem tiveram filhos e estão vivendo suas vidas felizes e faceiras. e conheço mulheres que tiveram filhos, se separaram, e depois casaram novamente e tiveram mais filhinhos.
fiquei pensando e me dei conta de que o texto incomodava - a mim, claro - porque tratava a mãe solteira como uma espécie diferenciada. e depois de ter achado a tal da campanha do dia dos namorados muito divertida, achei um grande saco.
...
tínhamos combinado o jantar para as 8:30pm. eu estava morta de cansaço, mas tinha me comprometido a ir e a levar uma torta de maçã maravilhosa, receita da minha avó. mesmo cansada, pensei "ah, não, não vou deixar de encontrar minhas amigas só porque estou exausta".
fui. levei a torta. e tive de dizer que não estava gripada, que a cara meio amassada era só sono. conversávamos alegremente ao redor uma mesa oval maravilhosa, na sala do belíssimo apartamento recém-reformado de uma amiga. tomávamos prosecco geladinho, e várias garrafas de vinho tinto estavam na cozinha para serem abertas assim que começássemos a comer o delicioso bacalhau.
mas a conversa rolava e eu ia me sentindo mais e mais cansada. por fim, levantei e disse "meninas, tchau". o jantar ainda não tinha sido preparado, e eu não aguentava deixar meus olhos abertos.
vim dirigindo poucas quadras até a minha casa pensando que era chato sair de um jantar sem comer. não lembro de ter feito isso na vida.
mas nada como uma noite de sono para refrescar os sentimentos e os pensamentos. quando acordei, me lembrei de que das quatro, somente uma tinha filho. essa uma era eu. na verdade eu não tinha esquecido que eu tinha filhos. eu só não tinha lembrado que meu sono era porque eu havia acordado mais cedo do que minhas amigas e no outro dia eu possivelmente também acordaria mais cedo do que elas.
fiquei pensando em todas as minhas amigas que têm filhos menores de 10 anos e que acordam seus pais ao saírem da cama. e fiquei aliviada ao imaginar que todas teriam sentido sono.
ufa!, eu não estou tão por fora assim.

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