acabei me distraindo

é engraçado como algumas pessoas perdem importância nas nossas vidas, enquanto outras ganham.
eu estava andando pela calçada quando ouvi a voz dele. ele caminhava na calçada oposta. andávamos em direções opostas também. ou seja, o encontro era inevitável. nos olhamos, eu acenei e, para o meu espanto, segui andando.
isso faz valer a máxima "aproveite o momento". e ponto final. como assim eu não atravessei a rua para dar um beijo e um abraço? é que tudo na vida começa e termina, baby.
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sabia que precisava mexer com as mãos. por isso fui àquele encontro de mulheres que iam fazer trabalhos manuais. inventei uma desculpa: tinha de entregar as três bolas de natal que tinha confeccionado. mas como não teria nada para fazer no tal do encontro - eu já tinha aprendido a fazer as tais das bolas forradas de tecido -, levei um trabalho de ponto cruz que estava quase pronto.
senti uma alegria imensa ao sentar entre mulheres que iam trabalhar com as mãos. e eis que me sento ao lado da carla. vamos conversando sobre fazeres e sobre tudo o que deixamos de fazer porque não damos conta. chegamos na culpa, e ela me contou um pouco sobre como foi a morte do marido dela.
eu sabia que ela era viúva, apesar de ela nunca ter falado sobre isso nas reuniões da escola - o filho caçula dela é colega de classe da minha filha. o papo foi curto e me levou às lágrimas. fiquei muito emocionada ao ouvir sobre uma história de amor de verdade. "ele não tomou nenhuma injeção, nenhuma picada de agulha sem que eu estivesse ao lado dele. passei dois anos e meio em hospitais", disse, serena.
e quando fui embora, minhas lágrimas iam aquecendo minhas bochechas geladas daquela manhã fria. eu ia dirigindo lentamente e chorando. sentia uma tristeza absurda, um medo de perder o que não tenho. que é igual à saudade que eu sinto do que nunca vivi. meu deus!
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saí andando. o dia estava belíssimo, e eu tive de sair de carro cedo. mas depois de ver tantas pessoas com cara de ó-o-dia-está-tão-belo, fui andando para o cinema. quando escuto alguém ao meu lado na calçado me chamar. o caio estava em cima da bicicleta. há tempos não nos víamos, e ele estava mais bonito do que da última vez que tínhamos nos encontrado. fomos andando assim, eu a pé, ele de bicicleta, até eu chegar ao cinema. ele já tinha visto o filme, e me disse que não tinha gostado.
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eu adoro ir ao cinema quando sei que TENHO de ir. e hoje eu sabia. e o filme é fabuloso. saí do cinema chorando, com medo das perdas. medo de perder o que eu não tenho. intocáveis, um filme francês que minha amiga disse que parece um filme americano. e que o caio não gostou.
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em casa, ia começar a bordar duas bailarinas para um avental que vou fazer pra minha filha. mas acabei me distraindo e fazendo outras coisas mui importantes, como comprar um cd fabuloso para dar de presente pro meu velho. e eis que o pai das crianças me liga pra dizer que minha filha quer voltar pra casa. e dali a 10 minutos chega não só a minha filha como meu filho também. não quiseram dormir na casa do pai.
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liguei pro pai deles. amanhã terei de ir à casa dele pegar a bicicleta do joão para irmos ao parque. nunca me arrependi das minhas decisões. e sigo tão cabeçuda que não me arrependo do que fiz. de nada. um horror. mas consegui dizer pro alessandro que não importa o que aconteça, estaremos sempre juntos por causa das crianças. não quero saber dele, nem ele quer saber de mim. mas temos de dar conta das crianças juntos, por mais distante que seja.
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tenho uma coragem assustadora. graças a deus. tenho chorado muito, das tristezas que tenho medo de sentir. mas me parece que isso vai acabar. não sei por quê.
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às vezes acho que sou louca de escrever tanto.
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