os bons modos das moças

ele chegou quando nós já estávamos na mesinha do bar. e então minha amiga e eu nos viramos para chamar o garçom e pedir um copo. ao que ele prontamente diz que era uma tarefa dele, o único homem sentado naquela mesa.
e para ilustrar - e ele é um excelente contador de histórias -, contou como o então namorado da mãe dele deve ter dormido no sofá do quarto do hotel novaiorquino quando eles foram passar uma "lua-de-mel" naquela cidade belíssima.
eles, a mãe e o namorado, tinham terminado de jantar em um restaurante, quando a mãe dele chamou o garçom. e pediu para ele dizer ao cozinheiro que o jantar estava ótimo, que ela tinha adorado a comida.
o namorado, um gentleman - eu suponho -, ficou em estado de choque. e meu amigo gargalha. e conta que a mãe dele estava separada havia uns dez anos, época durante a qual vinha criando os filhos sozinha, quando conheceu o namorado que ficou furioso com a conversa dela com o garçom.
e eu, que horror!, fiquei chocada com a história. e pensei que tenho de ter uma aulas básicas de bom comportamento para me lembrar como mulheres devem se portar em algumas situações.
sei que soa estranho escrever isso. pelo menos pra mim soa estranho pensar nisso, concluir isso - a necessidade do curso, ah ah ah - e ainda escrever sobre isso.
mas aí me dei conta de que mulheres que criam os filhos sem um marido ao lado podem virar uns bichos. mais no sentido figurado que no literal. e para salvar minha pele poderia mostrar uma foto, o que é claro que não farei. mas aí que nos acostumamos a fazer tudo sem pedir ajuda. até porque não há ajuda disponível. e isso não é um problema, claro, é só um fato.
do que estou falando? do encanador que é preciso chamar quando a torneira da cozinha não fecha, do tércnico da lavadora de roupas que não fala sobre a garantia da bomba da máquina que ele está trocando, da pergunta que a moça fez quando perguntei quanto custava um motor novo para a banheira de hidromassagem - "quantos cavalos?" -, da resposta que eu não sei dar quando meu filho pergunta 15 vezes seguidas se esta semana ele pode voltar sozinho de ônibus da escola, da suposta injustiça de eu ter cancelado a semanada dos meus filhos no último sábado por um motivo que não me vem à memória, das passagens para o natal que eu preciso comprar mas não sei se devo porque poderia percorrer 1200 km de carro, do relato de como foi o meu dia que eu não faço desde que meu marido virou ex-marido e saiu de casa.
é fácil pensar que a grama do vizinho é mais bonita. e eu, depois de muitos anos, não penso mais assim. ah ah ah mil vezes. estou gargalhando em silêncio neste momento. mas foi uma virada. tenho achado a minha grama belíssima, mesmo quando tem umas partes secas, outras que crescem mais rápido, e outras que têm ervas daninhas. morreria de tédio com uma grama verde, lisinha e uniforme. mas isso não exclui a necessidade de fazer um cursinho de bons modos. pra saber que eu posso ficar sentada olhando pra grama e, eventualmente, não fazer nada. n-a-d-a.
...
existem homens importantes e imprescindíveis na vida de uma mulher. uns são imprescindíveis por um dia, outros por uma década. e outros ainda durante uma gargalhada, somente.   

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