quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

as azeitonas, a velha e a igreja

Do not fight against pain; do not fight against irritation or jealousy. Embrace them with great tenderness, as though you were embracing a little baby. Your anger is yourself, and you should not be violent toward it. The same thing goes for all your emotions.”  
Thich Nhat Hanh 
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eu fui ao mercado de pinheiros comprar azeitonas, pimenta caiena e anchovas, para fazer uma maravilhosa tapenade, e umas frutas também. tava com uma daquelas roupas ó-tomara-que-eu-não-encontre-ninguém, coisa que a danuza leão desaconselha com veemência. segunda ela, podemos encontrar o amor da nossa vida a qualquer momento, por isso, temos de sempre estar vestidos com decência, mesmo que seja para comprar azeitonas pretas chilenas para fazer a tal da pasta.
mas enfim, eu não costumo ouvir todos os conselhos que eu acho que fazem sentido. é sempre bom não seguir todas as normas, ainda mais pessoas que, como eu, são respeitadoras da lei e adoram cagar regras (sim sim sim, o esforço tem sido hercúleo para melhorar a minha pessoa, mas tenho espelhos em casa). 
eu estava feliz nos meus trajes simplórios e deselegantes quando escutei uma senhora, cujo carro estava parado ao meu lado no estacionamento, dizer a seguinte pérola: "pra quê inventaram o natal? só pra atrapalhar a vida das mulheres". 
eu a tinha visto fazendo compras no mercado, na mesma banca onde eu tinha adquirido os preciosos ingredientes da tal da tapenade. e ela estava acompanhada de uma criança linda, negra, com o cabelo todo trançado e com cara feliz. achei que a garota não poderia ser filha dela, por causa da diferença de idade, tampouco neta, por causa da diferença da cor da pele das duas. mais por probabilidade do que por preconceito meu. 
assim que ela terminou a frase, eu emendei outra. disse que ela tinha de se concentrar no que era essencial, e deixar de lado o resto. ela entrou no carro, manobrou com certa dificuldade, e partiu, com a garota. 
não sei se ela escutou o que eu disse. mas eu escutei o que ela falou. olhei pro céu, que estava escuro, com nuvens de chuva, e vi a torre da igreja nossa senhora do mont' serrat, que fica num lugar xexelento do largo da batata. 
lembrei do meu irmão, que está em praga, passeando, e que adora o velho mundo. lembrei de como eu não olho pra cima quando estou na minha cidade. só pra baixo. afinal, não estou a passeio, e preciso me concentrar pra fazer tudo o que é preciso fazer a cada dia.
fiquei rindo sozinha, achando linda a torre da igreja cujos sinos tocam todos os dias às 18h, mas onde eu nunca entrei. achei lindo o céu carregado de nuvens cinza escuro. e achei lindo eu ter comprado umas coisinhas para o jantar que eu inventei, vamos-celebrar-a-vida-amigas-queridas. 
ando pensando muito na riqueza e na pobreza. menos na riqueza de fora do que na riqueza de dentro. "acho graça desses estereótipos. pobre é quem precisa de muito. tenho um tipo de riqueza que muitos não ambicionam. desprezo acumulações de dinheiro. tenho 78 anos e estou a um passo [da morte], vou acumular dinheiro?" a frase foi dita pelo admirável presidente do uruguai, josé mujica, ou pepe mujica. 
ando muito inspirada. sinto uma alegria enorme a cada dia. e faço tudo devagar, e uma coisa de cada vez. risco bobagens das minhas infindáveis to-do lists. aprendi com a meditação que preciso estar atenta à minha respiração. o resto vem de presente.
tim-tim. 
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