terça-feira, 17 de dezembro de 2013

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"que festa era aquela! nunca fui numa festa assim!" eu achei a frase maravilhosa. saiu da boca da sueli, a tagarela copeira do escritório onde trabalho. e dizia respeito à fabulosa festa da firma. dançamos até cair.
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"é tendão inflamado. ainda não tá bom. volta em janeiro. quando tá cansada, doi. quando descansa, para." esse foi o sucinto diagnóstico do dr. kong quando, às 9h30 da manhã, saí do consultório dele depois de uma sova de 1h e meia. senti muita dor, e descobri que estou mais cansada do que imaginava.
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ela me perguntou o que eu achava do pai das crianças. era uma pergunta profissional, a dela. mas a minha resposta, não. disse pra ela que na fantasia de toda mulher que tem um filho haverá um pai e uma mãe. mas que às vezes isso não funciona, como no meu caso. aí a gente é mãe solteira sem querer. o que é o pior dos mundos, não pela solidão, mas pela dureza do caminho. muito, muito duro. depois que fui embora fiquei com ódio da pergunta e da resposta. mas a vida é imperfeita.
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"pra que mais?" é o que está escrito numa plaquinha atrás da porta. foi minha filha que um dia chegou em casa e me contou. a porta em questão fica no apartamento da maria angélica, a professora de piano da lívia. que perguntou pra ela o que significava a frase na plaquinha. ao voltar pra casa, a lívia me relatou a resposta: "mãe, ela tem a plaquinha pra lembrar que ela tem o suficiente, e que não precisa de mais". e ainda completou: "ela me disse que era complicado de explicar isso pra mim". mas não era. minha filha não só entendeu como me contou com a maior cara de "é simples assim".
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fui visitar uma amiga querida, e peguei o atalho que passava no meio da favela. não sinto medo de morar em são paulo, mas o caminho me deu pavor. cheguei. ela me esperava com "comida de dieta", que de dieta não tinha nada. um pão integral delicioso, mussarela de búfala com um tempero incrível, tomatinhos, vinho tinto. mas o mais incrível é ter amigos com quem podemos gargalhar e falar sério. ela montou o cantinho do pepe no pequeno apartamento. é a sacada, com banquinhos coloridos, parede lilás, flores. ah, o pepe é o presidente do uruguai. meu ídolo, e dela também.
ela ficou falando de como o corpo muda. ela tem 12 anos mais do que eu. morremos de rir com os episódios de falta de flexibilidade que ela relatou. eu tava achando tudo normal. ficamos velhos. e ela completava com comentários hilários. o melhor foi a citação de um médico, que diz que temos de comer uma maçã por dia, fazer alongamento e tomar muita água. assim tá fácil.
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no dia seguinte à visita à minha amiga, saí de casa de bicicleta para uma aula de ioga. acho estranho alguém fazer uma aula de ioga num domingo de manhã, mas eu estava sozinha em casa e achei a ideia maravilhosa.
o melhor de tudo foi ficar lembrando dos comentários da minha amiga e ver que eu dava conta de fazer uma aula inteirinha de ioga. olhava pra minha barriga numa dessas posições em que a temperatura do corpo parece atingir 55 graus e não acreditava. fiz a aula do começo ao fim com destreza, e saí de lá pedalando minha bike felicíssima.
o corpo é forte. talvez um reflexo da alma. sinto uma exaustão, e não sei de onde vem tanta força.
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faremos uma viagem de 1.200 km. de carro. as crianças e eu. fico dando risada pensando que meu carro já é um velhinho, e que eu devia deixar de ser besta e comprar um carro novo e mais confortável - um que ande mais, preferencialmente. meu carro não é uma carroça, mas não anda muito. eu, com meus princípios de grinfa mão de vaca, acho que um carro que faz 17 km por litro na estrada tá de bom tamanho. afe!, por que é tão duro mudar?
mas vou me dar de presente de aniversário de um carro mais veloz. pra pelo menos me divertir quando descer a serra rumo ao mar, quando meu saco estiver na lua e eu me lembrar que a estrada me faz bem. ainda bem que a vida não poderá parecer chata ao longo do caminho rumo aos pampas.  


 

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