o dia em que aprendi que orquídeas florescem só quando querem

eu já ganhei muitas orquídeas. e sempre as tratei da mesma forma: já que NUNCA deram flores na minha casa, nunca mantive nem um vaso sequer. pra dizer a verdade, não lembro o que eu vazia com as plantas depois que suas flores caíam.
mas quando fiz 45 anos foi diferente. uma amiga querida e vizinha me trouxe um lindo vaso com orquídeas amarelas, iguais às orquídeas que eu ganhei da minha sogra quase 16 anos atrás, quando o meu filho não nascia e a avó achou que faltavam flores na minha casa para a criança querer nascer.
as orquídeas amarelas que eu ganhei de aniversário ano passado enfeitaram a minha casa por um tempo, e um dia não tinha mais nenhuma flor. em vez de eu me livrar do vaso, resolvi levá-lo até a minha pequena horta, que eu mantenho no pátio da garagem do prédio onde moro.
e então se passaram meses e mais meses, um ano e meio, e a planta seguia sua vida, murcha e desfalecida, no mesmo vaso. uma vizinha que diz cultivar orquídeas disse que poderia levar minha orquídea que parecia tão infeliz para fazer companhia para as outras que ela mantém nas árvores do escritório dela.
mas nem isso aconteceu. acho que a deni esqueceu da oferta e minha pobre orquídea seguiu ao lado do vaso da menta, do da beterraba e do da salsinha e da cebolinha.
eu não sou uma baita cuidadora de horta, mas todos os dias encho o meu regador azul enorme, desço as escadas e molho todos os meus vasos. e num desses dias eu olhei pra orquídea e pensei "como eu sou besta de achar que ela é uma pobre orquídea". e pela primeira vez na minha vida pensei que eu poderia ter orquídeas sem flor, ora bolas, afinal a planta não TINHA que ter flores. isso era só um desejo meu.
eis que duas semanas depois, eu olho pro vaso da minha planta desmilinguida e vejo várias bolinhas num dos seus galhos. fiquei boquiaberta, e levei o vaso pra minha casa. eram mais de 20 botõezinhos. minúsculos, redondinhos e encantadores.

meu lindo vaso de orquídea enfeitando a minha cozinha
parece uma história de mentirinha, mas não é.
e me fez lembrar a história que eu ouvi durante os ensinamentos do mestre Tarchin Hearn aqui em são paulo. ele viajou o mundo ensinando, e tem uns anos decidiu sossegar. foi quando resolveu plantar uma horta. comprou livros e mais livros sobre hortas, leu-os, e um dia plantou algumas sementes.
no dia seguinte, foi ver como estavam as batatas que ele havia plantado. e não viu nada. no outro dia, voltou à horta para ver se algo tinha acontecido com as batatas. e, de novo, não viu nada.
e então ele concluiu que, apesar de ter viajado por anos e anos ensinando paciência às pessoas, ele mesmo não tinha paciência. queria que a horta crescesse logo, e não no tempo da batata e das outras verduras que ele tinha plantado.
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