querida mãezinha

tenho rezado muito.
você sabe que eu nunca fui de rezar como tu. mas sempre rezei - ainda que não o teço, nem na missa, nem com a Bíblia no colo. ainda que sempre tenhamos rezado de formas diferentes, eu sempre rezei. mas ando rezando freneticamente nos último tempos.
hoje fiz um pão de carne. o paulo havia feito no fim de semana e me mandou uma foto. e isso me deu uma vontade louca de fazer. fui procurar a receita e achei uma folha com a tua letra na minha pasta de receitas salgadas. "pão de carne da Minna." eu não sabia que o apelido da tua mãe era com dois N. achei que fosse Mina.



hoje fui à igrejinha aqui perto de casa para pedir para rezar um missa pra ti. o tempo passa rápido. no próximo sábado vai fazer cinco anos que nos vimos pela última vez!
hoje fui escolher algum colar que era teu no meu armário - e fiquei em dúvida entre o que tem uma florzinha dos alpes seca entre dois vidros dentro de uma moldura redonda de metal, o que tem vidrinhos coloridos e um que tem um pingente com strass vermelho escuro que era um broche da Oma e que eu levei para transformar num pingente. aí vi teu relógio e resolvi usá-lo. estava com o horário de verão. acertei a hora, mas depois percebi que o relógio estava parado. vou levar num relojoeiro para tocar a bateria. deve ser isso.
vou fazer uma torta de maçã no sábado em tua homenagem. a missa seria cedo, às 8h, e eu ia chamar alguns amigos que gostam de ir à igreja. mas não deu certo. passei na secretaria de igrejinha lá pelas 7h, e estava fechada. voltei uma hora depois, quando já estava aberta, mas não havia ninguém. fiquei esperando. escutei uma mulher conversando no telefone, e esperei que ela fosse aparecer. mas a conversa dela era longa e ela não apareceu. uma porta se abriu e saíram três senhoras muito bem vestidas, bem penteadas, mas não muito simpáticas. responderam ao meu bom dia e saíram. e nada de alguém aparecer. entrou um homem, esse sim sorridente, me deu bom dia. ele entrou, escutei a mulher que estava ao telefone dizer para ele pegar o café. ele saiu da sala, passou por mim, entrou pela porta de onde tinham saído aquelas três senhoras, e não voltou. fiquei uns 30 ou 40 minutos esperando, mas ninguém apareceu. saí de lá meio chateada, com um pouco de raiva. mas vim andando pra casa e pensei que assim será melhor. eu só iria à missa para te homenagear, mas tu sabes que eu tenho horror né? eu estava com short de corrida e fiquei pensando que talvez na secretaria da igrejinha eles não atendam que está com as pernas descobertas. vai saber...
então a homenagem no sábado será uma torta de maçã, que eu vou assar bem cedo para ter um café da manhã doce. e farei uma linda prática de meditação em tua homenagem também. acho que será mais bonito do que a missa, porque eu estarei mais confortável e não estarei me sentindo um ET - que é como eu me sinto quando entro em um igreja.
tem dias em que eu morro de saudades de ti. é uma saudade parecida com as contrações que eu tive quando entrei em trabalho de parto: forte e rápida. aperta o meu peito e molha os meus olhos. aí tua imagem nítida vai se dissolvendo igual fumaça no vento e desaparece. é engraçado, porque é um sentimento doce e amargo ao mesmo tempo. como no mate que eu colocava açúcar para aguentar o amargo, e quando o pai chegava em casa ele descobria e ficava furioso.
a vida é assim, tudo misturado. demorei tanto pra aceitar isso. agora eu aceito e aproveito. e me alegro.

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