sábado, 6 de novembro de 2010

ana amava lucas que amava ana

ana amava lucas que amava ana. tudo ia bem - às vezes muito bem, às vezes pouco bem, como em qualquer casamento. e aí eles resolveram ter mais um filho. o terceiro. tudo lindo, tudo maravilhoso. até o dia em que saíram para jantar, e lucas disse à ana que não sabia se a amava. ela, num ato de coragem que não lhe era comum - pelo menos em relação a ele -, disse "i am so sorry baby, mas não vou discutir a relação com essa barriga". e então ele disse que estava apaixonado. não por ela. por outra.
ele saiu de casa. foi morar na casa da nova namorada - estranho, mas eu tenho a impressão de já ter ouvido essa história um zilhão de vezes. e no meio do caminho ele engravidou uma moça, não a namorada, nem a ex-mulher, mas uma outra. mas a coisa é tããão confusa e sinistra que eu não tenho detalhes.
ontem eu fui à casa da ana. ela é uma mulher maravilhosa, que tem uma família igualmente maravilhosa. ninguém tem dó dela, mas todos cuidam dela com amor e calor.
e então ela me disse que lucas pediu um exame de DNA. ele arrumou uma namorada quando a mulher estava grávida, engravidou uma terceira mulher, e tem dúvidas se o filho da hoje ex-mulher dele é dele.
a história não é inventada. só os nomes que são, por motivos óbvios.
lucas morre de ciúme da mulher que ele abandonou. ele acha que ela tem um namorado. e é muito divertido quando conversamos, ana e eu, sobre as bobagens que ele diz. a história do namorado - que não existe - está sendo mantida, e nós temos dado muitas risadas.
"é uma carga muito grande cuidar da casa, dos filhos, das transformações. às vezes vou me arrastando (...), com cansaço emocional."
a frase não é de ninguém que eu conheço. eu a copiei de um textinho de uma dessas revistas que falam da vida alheia. a vida alheia, neste caso, é a da claudia raia, que tem até uma foto na capa. eu anotei numa canhoto de cheque faz uma duas semanas. mas ontem, quando saí da casa da minha amiga, eu não parava de pensar nisso. a ana é feminista, como a mãe dela. as duas são mulheres inteligentíssiamas, divertidas, excelentes companhias. e sabem que eu tenho hum, como não ser ofensiva?, que eu tenho horror de feministas. mesmo sentimento que nutro por pessoas machistas.
mas eu tenho de fazer a defesa das mulheres. estou aqui pensando em quantos homens que eu conheço que dão conta dos filhos que têm. lembro de um, que eu não conheço, mas que autografou o livro sobre a vida dele que eu comprei. de resto, oh my god, eu não conheço.
mas conheci duas mulheres que fizeram o caminho inverso. foram embora, e deixaram a casa, o marido, o filho para viver uma paixão. elas contam a história tranquilamente. as paixões não deram em nada, a vida voltou a ser o que era, mas os filhos moram com os pais. eu não conheci os pais, só as mães. e fiquei em estado de choque com os meus pensamentos. ó-meu-deus-como-uma-mulher-abandona-um-filho?
menos mal que com os homens que fazem isso eu não me choco. só com as moças. mas daqui a uns dias saberei olhar sem comentar. tô quaaaaase lá.

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