mas por que alguém carrega um piano nas costas?

claro que eu faço a pergunta e não sei a resposta.
cheguei ao trabalho cansada. não é normal uma pessoa dormir muito bem no fim de semana e acordar cansada na segunda-feira. mas eu acordei cansada, como tenho acordado faz dias.
ele chegou ao trabalho, e eu perguntei como tinha sido o fim de semana. coisa que eu nunca faço. porque eu nunca converso com ele além do oi-tudo-bem?. e então reclamamos, os dois, que não tínhamos ido ao show do paul mc cartney. que eu acho um chato, mas mudei de ideia depois de ler o que o ivan finotti escreveu na folha de s. paulo sobre o show em porto alegre. mas depois fiquei pensando, que coisa besta uma pessoa reclamar que não foi a um show porque os ingressos eram caríssimos! aí me dei conta de que o problema não era não ter dinheiro para ir a um show, mas não ter a felicidade de ir a um show maravilhoso e cantar músicas maravilhosas - de preferência acompanhada de uma pessoa maravilhosa, pelamordedeus.
e o dia, que tinha começado triste, acaba triste. consegui pagar duas vezes uma conta sem perceber, e quase paguei duas vezes um imposto que eu já tinha pago faz 10 dias.
hoje doeu viver. foi difícil trabalhar, e meus olhos passaram a maior parte do dia molhados. algumas vezes, encharcados.
coloquei meus óculos de sol para disfarçar durante o almoço, e minha amiga alice começou a rir e disse simplesmente "eu não me importo com lágrimas". e depois completou: "mas algumas pessoas se importam".
e quando chorei porque tinha esquecido de pagar a escola das crianças no mês passado e porque esqueci de levar minha filha a uma festinha, minha amiga salete deu risada e disse "é muita coisa".
como é bom ter amigas para quem não é preciso dizer nada. n-a-d-a. elas olham meus olhos e entendem.
semana passada, almoçando na copa da firma, eu ouvi uma frase muito estranha. ela, uma colega, dizia que se uma mulher tem dinheiro para pagar a babá, a empregada e o motorista, não vale a pena casar. é mais fácil (?) ou mais feliz (?) criar o filho sozinha, disse ela. eu nem perguntei nada, porque ela disse essa frase com a mesma naturalidade que diria "vamos tomar um café"?.
bem, eu, uma velhinha com ideias milenares, fiquei pensando em como alguém coloca o casamento no mesmo nível do dinheiro. talvez ela, a minha colega, tenha razão. mas eu me nego a concordar.
ando feliz da vida, e cansada. e lembro do que minha amiga alessandra me disse esses dias, quando veio jantar aqui em casa e falava do amor dela: "estou feliz e estou triste. mas mesmo assim estou feliz". hoje meu cansaço virou tristeza, mas daquelas tristezas que apertam o coração. e eu ia dirigindo bem devagar, com o trânsito da chuva deliciosa que cai até agora, e pensando em como é bom ficar triste.
não tem nada a ver com "como é bom sofrer". tem a ver com sentimentos. como diz meu mestre, "a tristeza é a melhor forma de conexão".
e eu vou dormir ouvindo o barulhinho da chuva, e pensando sobre o piano que estou carregando. tenho de tranformá-lo numa flauta doce, ou num violino. senão a vida vai ficar muito pesada e sem graça. e isso é o que ela não é.

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