segunda-feira, 1 de novembro de 2010

mas o que é importante mesmo?

fui pagar a conta do condomínio. e, surpresa!, eu não tinha dinheiro. não, não estou me referindo à minha carteira. estou falando da minha instável conta corrente. coitada. ou coitada de mim. mas depois de uns ataques de falta de ar, já estou quase dando risada. quase.
eu fico muito brava quando o itau me diz que meu dinheiro acabou, e que o saldo que eu tenho é uma fantasia. sim, o banco me diz que eu tenho um "saldo disponível" quando estou devendo até os cadarços dos meus tênis velhos.
meu pai sempre dizia - e diz ainda - que vale à pena comprar à vista, para não se endividar. e eu aprendi a lição. acho que se não tenho dinheiro, não devo comprar. mas isso vale pra um carro novo, uma casa na praia, férias na bahia, uma garrafa de veuve clicquot. mas pro supermercado e pra padaria não dá, né?
grito mentalmente "que saco" mil vezes. e outras palavras de baixo calão também. eu sou uma mocinha muito mimada, e como dizia meu sogro, "não dá pra falar de dinheiro" comigo. isso ele disse há muitos e muitos anos, e eu lembro que fiquei ofendidíssima. claro que era verdade, mas não foi muito elegante a forma como ele disse. aliás, falar de dinheiro jamais é elegante. j-a-m-a-i-s.
mas hoje eu posso dizer pra ele que sim, dá pra falar de dinheiro comigo. pastei até aprender o valor. e mesmo assim sei que sou uma moça mimada - será que um dia a gente deixa de ser mimado?
pelo sim pelo não faço das tripas coração pra não mimar os meus herdeiros. o pai deles uma vez disse que pagaria os estudos dos filhos em harvard se tivesse dinheiro. e eu lembro que quase desmaiei. tenho arrepios ao pensar que meus filhos podem ser uns idiotas metidos a besta, que pensam que dinheiro é mais importante do que realmente é.
mas que é uma merda não ter dinheiro para pagar o condomínio, ah, isso é. mas como tudo na vida tem o lado bom, eu estou me desenvolvendo e já não choro mais só porque não tenho dinheiro. ah ah ah. sempre tem o lado bom.
todos os dias eu tento não ser deslumbrada. é um esforço hercúleo. eu quero achar bom o que for bom para mim, e isso - o bom - deve ser o suficiente. mas como é difícil. sim, eu quero passar férias na bahia. e sim, agora eu quero também ver os botos cor-de-rosa na amazônia, depois que uma entendedora do assunto me disse que posso fazer uma viagem dessas com meus filhos. e sim, eu quero ter uma casa no meio do mato para passar todos os dias em que não preciso comparecer ao escritório. e também quero ter um carro imenso para não ter de calcular a quantidade de coisas que posso jogar no porta-malas. e quero comprar umas sandálias prada, pelamordedeus.
mas como transformar os meus quereres no que é o suficiente? como não chorar quando o itau me diz que não há saldo para pagar uma conta besta como o condomínio? como não me considerar uma tola por trabalhar o mês inteiro e sempre achar tudo absurdamente caro?
eu sei que isso é uma ideia de uma menina horrivelmente mimada, mas como eu gostaria de não ter de ver os extratos bancários, nem de ligar para o contador para saber se paguei corretamente os impostos do mês. adoraria nunca mais receber e-mails com o boleto da escola das crianças. e atingiria o nirvana se não tivesse mais de checar os valores do meu cartão de crédito, que traz desde os pagamentos no posto de gasolina até o mais singelo suco de laranja da padaria.
às vezes a vida parece mais dura do que realmente é. mas tudo passa, e isso também passará.

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