eu reclamo, tu reclamas, ele reclama

ela sempre reclama da mãe das enteadas dela. diz que é uma boba, mãe incompetente, que não dá conta das filhas. eu escuto com atenção, pensando num outro ponto de vista. eu não tenho enteados, mas meus filhos têm uma madrasta, que é casada com o pai deles. e eu, nesta história, posso ser uma bruxa.
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ele conversava com uma amiga quando me aproximei. ele falava do presente de natal que daria à babá da filha. a babá é funcionária da ex-mulher, não dele. mas ele gosta muito dela, e disse que ela, a babá, trata a filha dele com muito carinho. falávamos de bons presente e recompensas em dinheiro quando ele falou mal da ex-mulher. ele paga todas as contas extras no mês, além da pensão alimentícia, mas reclamou que às vezes a ex-mulher não o comunicava com antecedência dos gastos. fiquei pensando no que seria o ideal, para ele. a criança adoece, a mãe resolve levar ao pediatra, mas antes liga para o ex-marido, para ele se planejar com o gasto. seria assim? fiquei escutando atenta o que um ex-marido fala de uma ex-mulher.
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adoramos reclamar. a sorte é que existem muitos caminhos na vida da gente. e que depois de casarmos, podemos eventualmente optarmos por descasar. é preciso muita, mas muita coragem. mas é uma possibilidade que se apresenta para todos.
o problema é quando passamos a reclamar mesmo depois de termos conseguido optar pelo "a emoção acabou, então bye bye, meu bem". é uma coisa muito, mas muito chata.
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passados mais de dois pares de anos - meu deus, será que tenho 90 anos mas esqueci de contar? -, finalmente começou a fazer sentido para mim a frase "você é corajosa". e uma outra, "você que escolheu". sim, eu que escolhi, e sim, a coragem esteve ao meu lado sempre. nunca passou pela minha casa ficar casada porque isso era mais fácil. não gosto de coisas chatas. e casamentos chatos não costumam ser chatos, mas chatíssimos. pois bem, se tá chatíssimo, dá pra fazer diferente.
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a coisa mais difícil de todas é usar palavras para dizer o que sentimos.
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o ano está acabando. meu irmão voltou ao brasil depois de um exílio voluntário de quase quatro anos. e estou feliz, apesar da tristeza que anda me rondando. tenho uma certeza quase insuportável de que melhores dias virão.
antes de o ano acabar, volto a escrever. mas de porto alegre, onde os passarinhos cantam mais alto, o céu é mais azul e as pessoas não são cinzas.
deus esteja.

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