a justiça, a comgás e o saco cheio

tudo começou quando eu fui passar férias nos pampas com as crianças. ficamos 15 dias no sul, e nos outros 15 dias do mês de férias das crianças elas viajaram com o pai delas. mas a comgás mandou pra minha casa uma conta mais alta que o normal.
no mundo civilizado, o consumidor liga pra companhia, pede revisão de conta, e tudo se resolve. em "oito dias", me disse o primeiro atendente. e o segundo, o terceiro e todos os outros.
passado um ano, meses em que não recebi conta nenhuma, meses em que paguei 6 ou 9 reais, trocentos protocolos de atendimento anotados, e chega uma conta de 500 reais. bingo.
no mundo civilizado, o consumidor liga pra companhia, descobre que houve um engano e tudo se resolve. mas eis que os atendentes da companhia me diz primeiro que meu consumo não foi registrado por 2 meses. outro atendente diz que não foi possível fazer a leitura do relógio por 3 meses. por fim, outro me diz que foi por 6 meses.
no trabalho, me indicam o tribunal de pequenas causas, que agora já tem outro nome mas ninguém usa. fui, e oito meses depois vou à audiência. é uma conciliação, e uma mulher minúscula nem quer ouvir o que eu tenho a dizer. ouvimos a proposta da comgás, eu digo que não concordo, e uma nova audiência é marcada para dali a uma semana. peço ajuda ao marido de uma amiga querida. mas ele deve estar ocupado e deve ter esquecido de responder meu e-mail. fui à segunda audiência hoje, no clima tô-cagando-e-andando.
a audiência foi ridícula. o advogado se atrasou, e a representante da empresa tremia. o juiz perguntava por que a empresa não havia feito a leitura de consumo do relógio, e eles não respondiam. o juiz perguntou qual era a proposta deles, os da empresa, e eles disseram que era a mesma que eu havia negado uma semana antes, na audiência de conciliação. eu não me contive e falei que as empresas não tratam bem os consumidores, ao que o juiz pediu para eu esperar até o advogado terminar de falar.
devo aguardar dez dias e checar o resultado na internet, me informa um advogado que se sentou ao meu lado, não se apresentou, e creio que é pago pelo Estado para me defender. dependendo da decisão do juiz, ambas as partes podem recorrer. aí eu vou precisar de um advogado. e isso é o tribunal de pequenas causas, rápido, ágil, incrível.
saí do fórum furiosa. mas pensando que eu bem que poderia ter escolhido uma profissão mais divertida. nunca imaginei que advogados gaguejassem, tremessem e fossem moles, bobos. bocós mesmo.
minha fúria ainda não foi embora. e um sentimento meu-deus-como-eu-sou-idiota-e-que-saco-de-vida tomou conta de mim.
tenho minhas dúvidas de que deus esteja vendo tudo. acho que às vezes ele dorme, e o sono dele deve ser bem, mas bem pesado.

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