pijama, férias escolares e natal: viva dezembro!

nem sei por onde começar.
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ela me ligou, indecisa sobre a festa de aniversário dela. em casa ela não aguenta, um brunch num restaurante que eu não conheço o marido e o pai dela ficam criticando. no sítio seria uma delícia, mas ela argumenta: "as pessoas têm fazer compras, pagar o 13o da empregada, o IPVA, organizar as festas, seria sacanagem". adorei. o aniversário é DELA, mas ela pensa na conveniência dos OUTROS. aprendi com minha amiga alice que no dia do aniversário da gente, a gente faz o que quiser.
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começo a trabalhar de pijama. coisa que nunca tinha feito na vida. mas sempre tem a primeira vez. filhos de férias, mãe trabalhando loucamente. eles querem ir ao parque com as bicicletas, comprar picolé, passear. eu tenho vários projetos com prazos natalinos. respirar fundo e com calma tem me ajudado a não surtar. e quando tenho certeza de que vou começar a chorar, sugiro pra mim mesma que é bom fazer uma coisa de cada vez. e assim não choro, e trabalho.
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comprei panos para FAZER toalhas de mesa para dar de presente de natal. aí que são tantas festas, encerramento da escola, comemoração que o castelo ficou pronto, compra da bicicleta do joão, feitura de bolachas de natal, que não sobra tempo pras minhas costuras. todo ano tento fazer a parte chata do final do ano antes de dezembro: compras, organizações, passagens. e ano que vem, além das tarefas de sempre, vou começar a costurar em agosto! fico pensando onde é que fui amarrar meu burro pra ser uma pessoa sem tempo. digo não a muitos compromissos, durmo muitas e muitas horas toda noite - coisa que sempre, sempre causa espanto aos meus interlocutores -, moro perto de quase tudo (do meu dia a dia, claro), compro pouco, não quero trabalhar demais. e mesmo assim "não dá tempo". abaixo, as provas do meu esforço por uma vida lenta, digna, verdadeira e feliz:


nossa árvore de natal foi montada com galhos encontrados numa praça perto de casa. pegamos um cachepô de cerâmica, e dentro dele colocamos garrafinhas de azeite vazias. dentro de cada garafinha, colocamos um galho. e para que tudo ficasse firme, jogamos todas as rolhas que tínhamos na gaveta da cozinha dentro do cachepô. por sorte, passamos em duas lojas e as crianças escolheram bolas, muitas bolas de natal. e então nossa árvores, que era sempre tão pequena e tinha poucos enfeites, ficou farta. com bolas, estrelas, anjos, a maria e o josé pequeninhos, o pastor e a pastora de tricô que o joão fez, ursinhos e botinhas e sininhos de tricô. e mais os enfeitinhos de madeira que eu comprei há mais de uma década, antes de ter herdeiros.

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tita canta na peça de natal, durante o encerramento do ano do jardim de infância do colégio das crianças. fui aos três ensaios, e cantei com alegria. a lívia, sentada na plateia, me dava tchau toda vez que nossos olhares se cruzavam. foi muito especial, e eu descobri que o bom é o possível, é o que dá pra fazer. o resto é o resto.

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a parte da frente do castelo do joão, finalmente.


e a parte de trás! onde uma torre tem uma porta e a outra, uma janela. trabalho do flaviano, o marceneiro da escola, que me ajudou todas as vezes em que entrei na marcenaria pedindo torres, paredes, telhados.

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tive que fotografar. ele veio pra casa com o caderno de um amigo, para "copiar o que faltava". o que eu acho admirável na pedagogia waldorf é a possibilidade de limites sem histeria. as crianças têm muitos afazeres, e todos respeitam o ritmo de cada criança. mas são muitas as tarefas: horários, lições, desenhos, biscoitos para os amigos. tudo tem de ser feito com dedicação, com concentração, com amor.
a lição do joão - e de todos os colegas dele - para as férias é a prática do silêncio. não é meditação, não é castigo, não é 'calar a boca'. é praticar o silêncio. só isso.
ao escrever, fico boquiaberta, pensando em como podem existir escolas tão maravilhosas, que enxergam as crianças não como "alunos" - ou "clientes", como me contou uma conhecida, ao relatar a visita a uma escola suuuuuper mega blaster paulistana -, mas como pessoas. e esse é todo o nosso esforço, non?, de olhar pra essas crianças e tratá-las como gente. com respeito, com calma, com paciência. e com muito, muito amor. senão será um olhar vão.

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que nossos dias de dezembro - e de todos os outros meses - sejam leves, felizes e significativos. amém.

Comentários

  1. Ai, Tita, tu tá inspirada e inspiradora! Um dia eu ainda aprendo contigo a fazer as coisas ANTES! Imagina o que sobra de tempo pra mim que sou uma pessoa que: 1. sempre pega mais pra fazer do que cabe no tempo. 2. é meio lentinha, pra não dizer lerda. 3. demora pra tomar decisões. 4. não sabe estabelecer prioridades. 5. e outras coisitas mais.
    Bj,
    Dani

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  2. dani,
    acho que tu tens de trocar os espelhos da tua casa. e te enxergar com outros olhos. ser lentinha é um privilégio para poucos. aproveita!!! eu me esforço todos os dias pra fazer tuuuuuuudo mais devagar.
    bjs
    tita

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  3. Bom, acho que precisamos de uma cerveja...risos...eu me acho MEGA acelerada e mga exigente e tenho tentado praticar a lerdisse, para parar de nascer cabelos brancos na minha cabeça...Hoje me sinto bem feliz com essa decisão, dizer não (com tranquilidade) é uma dádiva. Trocar roupas com as amigas, é outra. Pentelhar a Tita para me ver antes do Natal não é uma dávida, mas ter uma amiga como ela, com certeza é! Beijos, Ana

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