domingo, 4 de dezembro de 2011

sejamos finas

existem as moças finas, as nem tão finas, e as chiquérrimas. mas num ponto, somos todas toscas. nos comentários em relação aos nossos maridos - atuais, ex e futuros.
talvez esteja sendo desonesta com algumas mulheres que já não ficam nesse papo chatíssimo, insuportável e sempre exagerado.
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era uma festa de crianças. e estávamos ao redor de uma mesa no jardim. conversávamos, eu e outras mulheres com quem não tenho nenhuma intimidade. e elas fizeram comentários ofensivos. eu nem estava escutando toda a conversa, mas o pedaço que escutei foi o suficiente para saber do que estava em pauta. e escapou da minha boca: às vezes separada é mais duro ainda - não lembro ipsis literis o que falei, mas tinha a ver com fazer tudo sozinha e ainda pagar muitas e muitas contas, porque uma pensão alimentícia somada ao salário de uma mulher costuma ser inferior à renda de um casal que trabalha.
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ela se separou há alguns anos, e faz pouco casou-se novamente. e se tem algo admirável que eu tento aprender com ela é o senso de humor e o respeito com o pai das filhas dela. no caso, o primeiro marido. o cara, além de chato, deu muito trabalho pra ela. e continua dando. mas ela tem a sorte de levar tudo com respeito, com distância e com fineza.
e assim ela me descreveu, da última vez que nos encontramos, como voltavam as filhas e a bolsa com as roupas das filhas da casa do pai: "as roupas vêm com cueca e meias dele no meio. os cabelos (das meninas) fedem a cigarro. as unhas vêm pretas, os cabelos, duros, a perereca assada. os dentes parecem milho cozido".
enquanto escrevo, dou gargalhadas. quando ela me contou tudo isso, nós rimos até chorar. é triste, mas ela, a minha sábia amiga, consegue rir.
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chegamos cedo, porque tínhamos um ensaio. a apresentação seria às 10h30, mas as crianças não podiam nos ver ensaiando. por isso, quando chegamos à escola, às 8h, éramos pais e mães sem cônjuges nem filhos. dei oi pra patrícia e disse a ela que tinha deixado as crianças na casa do pai delas, mas as comidinhas para a festa de encerramento eu tinha levado. isso porque seria muita coisa deixar meus filhos e mais um doce um salgado um suco para o pai deles transportar até a escola. pra minha surpresa, ela começa a tirar do carro um doce um salgado e um suco. e me explica, com doçura, que o marido se esforça, mas fica todo atrapalhado quando tem de cuidar das três filhas dela, duas delas filhas dele também. respirei aliviada e pensei: homens são de um jeito, mulheres de outro, graças a deus.
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meu filho tinha 2 ou 3 meses, e eu perguntei ao pai dele se ele, então meu marido, podia ficar com o joão por uma hora, enquanto eu ia cortar o cabelo. e ele disse "não".
fui ao cabeleireiro com o joão, que dormiu no carrinho enquanto meu cabeleireiro mandava ver. até hoje, lembro do carrinho perto da parede gigantesca coberta de espelho.
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eles sempre falam que as crianças são de todos. eu cuido do seu e você cuida do meu como se fossem nossos. eu sempre me emociono quando escuto isso.

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