domingo, 29 de janeiro de 2012

siamo tutti bene

cada vez mais tenho certeza de que vale a pena viver o momento. isso quer dizer viver uma coisa de cada vez, fazer tudo devagar e não ter falta de ar.
e então, para colocar minhas teorias à prova, meus filhos reduziram as férias deles com o pai a cinco dias. sendo que nesses cinco dias - seis, na verdade, contando o dia que eles passaram na estrada para voltar pra casa -, me ligaram muitas vezes, ora chorando, ora perguntando 'mãe, quando você vem nos buscar?'. ou seja, uma tortura, pelo menos para mim. tentei reduzir as ligações a uma por dia, e no primeiro dia do acordo eles perguntaram se podiam me ligar não só de manhã, mas à tarde também.
voltaram e ficamos mui felizes. eu não acreditava que eles estavam trocando banhos de mar por um sofá velho da nossa sala, mas essa foi a escolha deles.
é engraçado quando tudo o que você organizou deixa de fazer sentido. eu trabalhando - muito -, as crianças de férias em casa, a empregada de férias na bahia. o que fazer? trabalhar, cozinhar e, eventualmente, subornar as crianças para que se comportem. ofereci R$ 5 pra cada um - quantia a ser paga no final do dia, claro - caso passassem o dia sem brigar e sem chamar pela mãe 13 vezes a cada 5 minutos. na verdade acabei economizando R$ 10, porque exatamente no dia do acordo a avó os convidou para passar o dia na casa dela.
aliás, quando os planos vão pro ralo, surgem sempre coisas novas. e o grande presente destas férias - pouco de menos de 60 dias, acho que 58 dias, que ainda não terminaram - foram os dias passados na casa da avó.
tenho a impressão de que o mês de janeiro teve 387 dias. faz só uma semana que as crianças voltaram das férias 'encurtadas'. e me parece que estou trabalhando em casa enquanto as crianças veem TV há muitos meses.
liguei para marcar hora no acupunturista, e uma gravação atendeu. 'clínica dr kong. de 15 a 29 não trabalha. dia 30, trabalha. desculpe.' fiquei comovida com a gravação. tão simples, tão direta, no português precário do médico chinês cujas mãos são de um anjo. meu corpo todo dói, e o caminhão que passou por mim foi na verdade um trem com vários vagões. trabalho, filhos, prazos, almoços a serem feitos, medo de não dar certo, reunião com filha no colo, casa suja. e muita, muita alegria. parece esquizofrênico, mas não é. conseguir cuidar dos filhos da gente dá muita alegria. parece uma coisa idiota, mas quem cuida do filho sabe o que é isso.
amanhã a doce nalva volta ao trabalho, depois de longas férias. as dela, claro, que começaram antes do natal e vão terminar nos últimos dias de janeiro. ela me ligou da bahia. perguntei se estavam bem, e ela, com a fala mansa, disse 'mais ou menos'. os filhos dela pegaram catapora, e eles não puderam embarcar para voltar na data combinada. como não recebi nenhum telefonema depois desse, creio que o embarque, adiado para ontem, foi possível.
uma coisa de cada vez. se ela não vier amanhã, faremos o almoço enquanto termino o relatório de um banco cujo prazo é amanhã à meia-noite. estou ensinando as crianças a cozinhar. e amanhã a aula de culinária será sobre como fazer arroz e carne de panela.
deus esteja.

9 comentários:

  1. Tita,

    às vezes dá vontade de te dar colo. É realmente muita coisa pra uma pessoa só. Fico feliz que, apesar de tudo, a alegria de construir esta família de três tão especial a cada dia mora dentro de ti e só cresce. Pra mim fica bem fácil entender porque eles preferem o sofá velho. Vou torcer muito pra que a Nalva chegue pontualmente amanhã, cheia de energia! Take care,
    Dani

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  2. Ai, Tita, vc é um exemplo de uma grande mulher. Com uma demanda sobrehumana, consegue dar leveza a momentos tão complexos... não é por acaso que seus filhos preferem o sofá velho da sala, só pra ter vc por perto. muita sorte a sua. quando crescer, quero ser vc. um beijos, Carol

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  3. carol, tudo depende do espelho que a gente usa pra se ver. obrigada pelas palavras tão doces.
    bjs

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    1. Com certeza. Mesmo acordando amassada de noite mal dormida, cansada antecipada só de pensar em como será o "malabarismo materno" de cada dia, me olho no espelho e me vejo linda: q sorte ter uma filha tão querida ao lado! Penso que no seu caso, a sorte é dupla!!! rs. Beijos ;-)

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  4. minha amiga, minha ídola!!!

    Fique bem, te ligo para conversarmos!!! bjs

    Rafa

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  5. Faço as palavras do Rafa, que eu não conheço, as minhas!Só naõ integralmente, pois nos veremos sábado.
    beijos

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  6. Adorei, Tita. Quando eles choram e ligam querendo voltar e' muito triste.
    Um dia a Luiza deixou 19 mensagens no meu celular em prantos me pedindo pra ir busca-las...
    "This too shall pass"
    xo

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  7. this too shall pass será meu novo mantra, querida erika!!!

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