quinta-feira, 2 de agosto de 2012

desculpa, mas você não tem direitos

a palavra "desculpa" é para colocar um pouco de fineza nos fatos, se é que isso é possível.
era uma vez um restaurante japonês que abriu uma filial na rua henrique monteiro - ruazinha pequena, cheia de restaurantes que atendem às trocentas pessoas que trabalham na região, faria lima, rebouças e arredores. o tal do restaurante, temakeria & cia., instalou o que eu imagino ser um exaustor, na chaminé. e o exaustor, barulhento, é ligado por volta das 11h até as 15h e depois por volta das 18h até a 1h. o barulho entra por t-o-d-a-s as janelas do meu apartamento.
no início pensei que fosse um barulho daqueles que alguém da vizinhança provoca mas que um dia para. mas não parou. e então começou a minha epopeia. que agora eu conto aqui porque não sei mais o que fazer.
liguei para o restaurante, e perguntei se o tal do barulho vinha da chaminé deles. a moça que me atendeu, andrea, disse que não, que o barulho devia vir do restaurante vizinho. pedi para falar com o gerente. ela tentou passar a ligação, mas de repente a gerente, dulce, não estava. mas "ela vai ligar pra você".
liguei pra prefeitura. contei a história, que resultou em um número de protocolo. cerca de 45 dias depois, ligo novamente para a prefeitura, e fico sabendo que a prefeitura p-e-r-d-e-u a minha reclamação.
liguei para a ouvidoria da prefeitura. no primeiro contato, não informei corretamente o número da casa onde fica o restaurante, e por causa disso não seria possível registrar a minha queixa. no segundo contato, com o número do protocolo em mãos (referente a tal da reclamação que a prefeitura "perdeu"), sou informada que na minha queixa, "anônima" (coisa inexplicáel, já que a prefeitura não aceita reclamações anônimas!), o endereço do restaurante era rua henrique monteiro, número 87.068. sendo que essa rua é minúscula: de um lado tem somente uma quadra, do outro, são três quarteirões curtos. a ligação foi longuíssima, mas a atendente ficou com pena de mim e foi bem gentil.
"em 7 dias o órgão da prefeitura recebe um ofício, e a partir daí terá 30 dias para resolver o caso", me informa a moça antes de fizer que a ouvidoria do município agradecia o meu contato.
liguei novamente para o restaurante. mais uma vez a andrea me diz que a dulce não está, anota o meu telefone e diz que ela entrará em contato.
entrei em contato com o procon, que sugeriu que eu procure o tribunal de pequenas causas. vale a pena, dá pra pedir indenização de até 20 salários mínimos, mas demora uns 6 ou 8 meses. durante os quais eu conviverei com o barulhinho que invade a minha pequena casa todos os dias, exceto domingo.
mandei a história para a coluna de direitos do consumidor da folha de s. paulo. e também para a band news fm, rádio que parece se importar com as reclamações das pessoas que vivem nesta cidade abandonada que é são paulo.
depois de escrever esta história, vou mandá-la para alguns amigos, uma blogueira, uma colunista enlouquecida, um site de direitos do consumidor e talvez para mais uns jornais e telejornais.
mas vamos combinar, né?, que não interessa uma historinha tão sem graça como esta: mulher reclama de barulho dentro do seu apartamento, provocado por chaminé de restaurante japonês.
que horror. como podemos viver com tamanha fleuma? como podemos seguir felizes nesta cidade que está se lixando para todos? é só ver as obras gigantescas e desorganizadas que tomam parte de pinheiros desde o início do ano! e a violência absurda que incomoda a todos, resultado de uma cidade que está se lixando para as áreas de lazer, para o aproveitamento do espaço público, para a educação das crianças, dos jovens, dos adultos. uma cidade cujos ônibus não são lavados, e cujo metrô é uma lata de sardinhas.
enfim, quem pode, pode. então há os muros absurdamente altos, os alarmes insuportáveis, os guardinhas de rua em cada esquina.
desculpa, mas você não tem direitos. não é assim?

4 comentários:

  1. Que absurdo, Tita!!!! Vou compratilhar no FB o teu post também!!!! Vai para os jornais!!!!
    beijos,
    Ana

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  2. Incrível, Tita. Isso é tão comum... esses casos de desrespeito com os moradores, de intolerância, descaso, burocracia engessante. São Paulo realmente é uma cidade agressiva com seus moradores. Mas te digo como "forasteiro" que ainda está longe de ser das piores. Vai em Belém, 70% feita de favelas, onde 90% das ruas não têm esgoto tratado, e vais sentir a diferença, hahahahahaha.
    Brincadeira (mas os dados são verdade!), acho que tens que meter a boca no trombone mesmo. Vai nos jornais, divulga isso no Facebook. Infelizmente, visibilidade vem antes de qualquer discussão nesse país de merda. Hehe.

    Beijo!

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    1. vou a belém qualquer dia desses. pras crianças (e a mãe delas) conhecerem o brasil todinho.
      e vamos que vamos. o cara do restaurante japa é lento, de forma que terei de fazer mais barulho do que a infeliz da chaminé dele...

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