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o que fazer para não 'sofrer dos nervos' no claustro

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quando eu era criança, havia muitos adultos que sofriam dos nervos. assim é que se referiam a um diagnóstico genérico quando falavam de alguém que tinha essa tal doença, 'dos nervos'. fiquei pensando nessa forma generalizada de se referir a pessoas que, imagino, ficavam mais nervosas do que os outros. e hoje, passada a primeira semana em que filhos começaram a ficar em casa em pleno mês de março por conta de uma pandemia, imagino que muitos de nós seriam, na década de 70, diagnosticados com a doença dos nervos. gostamos de reclamar, nos acostumamos a reclamar e seguimos reclamando. agora, quando nos foi imposto o claustro, reclamamos mais ainda. mas eu queria poder deixar de reclamar e de integrar o grupo das pessoas que sofrem dos nervos e passar para o grupo dos que aproveitam o momento. porque isso é o que temos pra hoje. como? 1 - dormindo mais mesmo que sigamos trabalhando, economizamos o tempo dos deslocamentos de ir e vir. luxo. dormir um pouco mais cedo, acordar um...

os sábados, o coronavírus e o bolo de limão

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eu adoro sábados. mesmo trabalhando em casa todos os dias, os sábados são dias diferentes dos outros. não tem despertador pra acordar ninguém, e todos os três moradores da casa dormem até o sono terminar. e apesar de eu ficar em casa todos os sete dias da semana, aos sábados o ritmo é outro. não há escola, não há horários, não há emails para responder e às vezes passo o dia todo sem receber uma única mensagem de whatsapp. hoje não foi diferente. acordei quando ainda estava escuro. vim pra sala fazer minhas práticas de mindfulness. fui pra cozinha tomar meu café da manhã. passei roupa e acabo de colocar no forno um bolo de limão. mas entre uma atividade e outra, resolvi dar uma olhada nas notícias. uma amiga faria um bazar na casa dela no domingo, e cancelou. e outra amiga viria para são paulo para participar de uma feira no museu da casa brasileira, e eu queria saber se a feira iria acontecer. não, a feira foi cancelada. e soube que as escolas municipais e estaduais vão parar a ...

andy puddicombe e os 10 minutos sem fazer nada

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andy puddicombe, além de ter uma cara engraçada e de ser um dos criadores do headspace  (um aplicativo que traz meditações guiadas e cuja missão é "levar mais saúde e felicidade para o mundo"), fez um TED Talk alguns anos atrás que é muito, muito bom. foi uma palestra em Londres, cujo título em inglês é "all it takes is 10 mindful minutes" , algo como "tudo o que é preciso são 10 minutos atentos". andy fala da importância de não fazer nada. o que é diferente de deitar no sofá para ver TV, tomar um drink num bar ou conversar com um amigo no telefone. não fazer nada quer dizer não fazer nada. mas é tão distante que a gente confunde. como assim não fazer nada? perder tempo assim? na verdade, quando não fazemos nada, a gente ganha tempo, em vez de perdê-lo. sem não paramos, corremos o risco de cair esta semana terminei de ler o meu livro de prosa, sozinha é o dobro . depois do lançamento, no fim do ano passado, eu ainda não tinha lido o livro (parece...

por que deixamos de lado o que importa?

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toda vez que eu vou fazer minha caminhada matinal depois de alguns dias de recesso eu me dou conta de como eu NÃO DEVERIA parar. claro que às vezes é porque estou com muito trabalho, outras porque estou fora da cidade, e vez ou outra porque estou exausta e/ou doente. as desculpas são sempre muito convincentes. mas não vou escrever sobre a alegria das práticas esportivas. o que me intrigou muitíssimo dia desses, durante uma caminhada, foi como eu tenho deixado de lado algumas coisas que eu considero muito importantes. é por isso que tem gente que tem um dia da semana para jantar com amigos. fica da agenda o compromisso, tipo "toda quinta-feira está ocupada", e a pessoa não marca outras coisas e de fato encontra seus amigos. eu não tenho essa agenda, mas pretendo corrigir isso. eis que não sei por que fui dar uma olhada na minha estante de livros e desencavei um livro não muito novo, que comecei a ler. a reler, na verdade. um livro que comprei uns 20 anos atrás, quando passe...

o jabuti, a insana e o caminho do meio

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algumas pessoas são lentas. eu, não. e não, isso não é um elogio. é a constatação de uma realidade dramática. cheguei em casa com as bochechas vermelhas. eu teria uma aula pelo computador às 9h e uma reunião às 11h. e, antes disso, eu tinha de fazer compras. não tinha mais alface nem salsa nem batatas nem limões em casa. não percebi que tinha acordado no modo uau-sou-muito-louca-e-vou-fazer-muitas-coisas-hoje. passava das 5h30 quando acordei. diferentemente dos três últimos dias, desde que as aulas começaram, eu acordava com barulhos de um dos estudantes que mora aqui. chuveiro sendo ligado, portas sendo fechadas, uma pessoa andando firme sobre o chão de madeira. mas hoje, não. ninguém tinha acordado ainda. o exuberante alecrim da feira depois da rotina de quem está sofrendo de dor de garganta - gargarejo com água morna e sal, própolis e tals -, comecei a fazer a barra da bermuda da minha filha, cuja intenção era transformá-la num short. depois cerzi uma blusa de malha com per...

cala a boca

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ele conta que o professor dele, Namgyal Rinpoche, dizia para os alunos que deviam gritar "you shut up" toda vez que o louco dentro deles surgisse. a frase completa era "you shut up and get out of the way" - você cala a boca e saia do caminho. ao lado do meu professor, Jangchub Reid eu não o conheci, mas pelas fotos dá pra ver que Namgyal era um homem grande. meu professor, Jangchub Reid, como todo aluno, tem histórias maravilhosas do professor dele. quando nos conta essas histórias, eu imagino o professor dele, que devia dar gritos muito altos. assim como meu professor, cuja voz muitas vezes parece sair de dentro de uma caverna muito grande e muito escura. eu adoro frases, e "you shut up and get out of the way" eu anotei em um dos meus caderninhos de ensinamentos de Dharma. mas, como toda frase que escutamos e gostamos e anotamos, eu esqueci dela. até esses dias. Venerável Namgyal Rinpoche como em tudo na vida, quando nos sentamos para prati...

a qualidade da lentidão ou aquietando a louca dentro de mim

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fui dar uma olhada no texto de perfil que eu tinha no LinkedIn. ainda que eu não use muito o site. e encontrei, no meio da minha descrição de mim mesma, algo como "pratico meditação mindfulness diariamente para ser cada vez mais lenta". isso é verdade. mas eu excluí a frase. que não parece agregar ou descrever uma qualidade, mas sim uma insanidade. ontem eu havia saído de casa cedo, por volta das 9h. banho tomado, roupinha fresca, colar combinando, ia andando com a minha mochila pesada, carregando meu computador que não é tão pequeno nem tão leve quando vi, andando em minha direção, meu vizinho velhinho cujo nome eu desconheço (ou não lembro, porque eu confundo meus vizinhos velhinhos). - bom dia! - indo passear? - ele me pergunta, parando e dando a mão para me cumprimentar. - indo trabalhar. - mas a essa hora? então você é quem manda lá! - eu trabalho em casa. mas agora estou indo para uma reunião. seguimos o nosso caminho, ele indo pra casa, carregando sacolas plásti...