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siamo tutti bene

cada vez mais tenho certeza de que vale a pena viver o momento. isso quer dizer viver uma coisa de cada vez, fazer tudo devagar e não ter falta de ar. e então, para colocar minhas teorias à prova, meus filhos reduziram as férias deles com o pai a cinco dias. sendo que nesses cinco dias - seis, na verdade, contando o dia que eles passaram na estrada para voltar pra casa -, me ligaram muitas vezes, ora chorando, ora perguntando 'mãe, quando você vem nos buscar?'. ou seja, uma tortura, pelo menos para mim. tentei reduzir as ligações a uma por dia, e no primeiro dia do acordo eles perguntaram se podiam me ligar não só de manhã, mas à tarde também. voltaram e ficamos mui felizes. eu não acreditava que eles estavam trocando banhos de mar por um sofá velho da nossa sala, mas essa foi a escolha deles. é engraçado quando tudo o que você organizou deixa de fazer sentido. eu trabalhando - muito -, as crianças de férias em casa, a empregada de férias na bahia. o que fazer? trabalhar, cozin...

faça disso o seu nirvana - parte II

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últimas fotos. joão andou pela casa da praia para tirar fotos. uma forma alegre de dizer adeus, pensei. esta é a janela do nosso quarto, onde passamos as últimas férias desde 2005. ... eu estava em casa, achando que existem surpresas na vida que são totalmente dispensáveis. e então dei uns telefonemas para cancelar os compromissos que podiam ser cancelados naquele dia cheio de trabalho e de imprevistos. "faça disso o seu nirvana", ele me disse. levei a sério. e é isso que estou tentando fazer todos os dias. mas tem horas em que a decisão não vem. então segui outra máxima, que é "na dúvida, não ultrapasse". fiquei quieta e atenta, tentando entender como uma criança às vezes pode sentir tanta dor. e como se fosse um milagre, a resposta veio no meu sonho. clara, claríssima. acordamos nem tão cedo assim para os nossos padrões de família que vive na roça e acorda com os galos. e não saímos de casa até a metade da tarde, quando fomos andando ao cinema, para depois voltar...

faça disso o seu nirvana

ela conta a história sempre com bom humor, mas com um pouco de incredulidade também. a mãe dela foi fazer faculdade quando já tinha tido as filhas. então levava todas - três - a tiracolo. tinha uma creche na faculdade justamente para essa alunas que eram mães. mas antes de a creche exisitir - e tomara que minha memória esteja me ajudando neste momento -, a nísia levava as meninas pra faculdade e as deixava na lanchonete, enquanto ia assistir à aula. ... cheguei ao escritório com as duas mãos ocupadas. numa segurava uma mão do joão, noutra segurava uma mão da lívia. com a emprega de férias, arranjei uma substituta que, depois de um dia de trabalho, adoeceu. ela chegou à minha casa e quando fui dar bom dia ela começou a chorar, colocou uma mão sobre o estômago e começou a se retorcer. disse que fosse ao médico e depois que fosse pra casa descansar. "mas você não vai ficar brava comigo?". não, eu não ia ficar brava. nessas horas a gente não fica brava: fica furiosa ou desesperad...

voltamos

o silêncio reina. escuto o barulho do vento, uns galhos de árvores que se mexem. e uns carros que passam. mas não muito perto. voltamos das minhas curtas férias. fomos passar as festas de dezembro lá na bela e verde porto alegre. e agora as férias do joão e da lívia chegaram à metade, eu volto à labuta amanhã. eles ainda descansam em casa por uns dias, e depois irão ao rio de janeiro e à ubatuba. e ainda descansarão outros dias em casa até a volta às aulas. fomos pro sul nos despedir da linda e singela casa de praia que os meus pais construíram 32 anos atrás. eles decidiram vendê-la, e nós fomos, felizes da vida, pro último veraneio em xangri-lá. sim, este é o nome da praia, antes uma prainha, agora uma praia de gente bem rica, ou bem metida a rica, com casas grandes, cercas, alarmes e quetais. e veraneio é como a gente chama o período que passamos na praia. com "a gente" me refiro aos gaúchos. e pronto. foi só chegar pro último veraneio que eu enxerguei tudo com outros olhos...

os muito casados e os nem tão casados

eu não os conhecia. estávamos na casa de uma amiga, e ela disse que uns amigos chegariam. demos uma geral no ambiente, afinal o almoço tinha começado no final da manhã, e já era final de tarde. "vamos arrumar a casa pra eles não acharem que estão chegando no final da festa", ela disse, enquanto ajeitava cadeiras, almofadas, copos. estávamos todos sentados ao redor da mesa. quando eles chegaram, sentaram-se conosco. e então conversamos e conversamos, e o mais incrível é que cada pessoa falava e todos escutavam. e eram assuntos legais, interessantes, como se todos nós ali nos conhecêssemos havia muito tempo e sempre tivéssemos conversado daquele jeito. aí me dei conta de que estava na frente de um casal de verdade. ou, como tentei definir hoje à tarde, quando pensei neles, um casal "muito casado". não sei se faz sentido na língua portuguesa, mas parece fazer sentido nesse contexto. eles pareciam ser casados há muito tempo. davam sinais de uma intimidade que costuma vi...

ahn?

cheguei em casa mais exausta do que esbaforida. as crianças estavam felizes. hoje a doce nalva trouxe seus dois herdeiros, que somados aos meus dois herdeiros resultam em quatro crianças dentro do apartamento. eu já estava pronta pra ir pro escritório, pensando "estou sem clima em casa", ah ah ah. mas é claro que os planos idílicos nem sempre dão certo. e trabalhei feito uma mula jovem e bem disposta, mas com um mau humor insuportável. horroroso. nojento mesmo. ia ficar no escritório poucas horas, e fiquei muitas. e quando as minhas correntes foram soltas, fui caminhando até o carro com o gus, que me disse que ia fazer uma coisa muito chata. supermercado? não, disse ele. "vou ao shopping comprar presentes de natal." uau! existem pessoas capazes de façanhas incríveis. e aí, num surto "ó-mas-isso-deve-ter-um-jeito", disse pra ele ir de táxi, pra evitar filas na garagem. mas depois lembrei de uma livraria onde ele poderia comprar tudo. "mas e as crianças...

pijama, férias escolares e natal: viva dezembro!

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nem sei por onde começar. ... ela me ligou, indecisa sobre a festa de aniversário dela. em casa ela não aguenta, um brunch num restaurante que eu não conheço o marido e o pai dela ficam criticando. no sítio seria uma delícia, mas ela argumenta: "as pessoas têm fazer compras, pagar o 13o da empregada, o IPVA, organizar as festas, seria sacanagem". adorei. o aniversário é DELA, mas ela pensa na conveniência dos OUTROS. aprendi com minha amiga alice que no dia do aniversário da gente, a gente faz o que quiser. ... começo a trabalhar de pijama. coisa que nunca tinha feito na vida. mas sempre tem a primeira vez. filhos de férias, mãe trabalhando loucamente. eles querem ir ao parque com as bicicletas, comprar picolé, passear. eu tenho vários projetos com prazos natalinos. respirar fundo e com calma tem me ajudado a não surtar. e quando tenho certeza de que vou começar a chorar, sugiro pra mim mesma que é bom fazer uma coisa de cada vez. e assim não choro, e trabalho. ... comprei pa...