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eram 18h58, e eu na cama

assim como o dinheiro, que a gente pode usar onde quiser e perder o controle, a nossa energia pode evaporar sem a gente saber onde foi parar. e foi sem me dar conta disso que achei que dois anos com calças dependuradas no armário sem uso eram o suficiente. cito as calças mas há também os vestidos, as bermudas e os shorts. e então copiei a dieta medieval detox que eu gosto de fazer de vez em quando e que fazia dois anos, desde que os marlboros e eu rompemos a relação, que eu não conseguia fazer. nesse longo período de mais de 600 dias, descobri que carregar quilos a mais não era privilégio de comilões que têm preguiça de fechar a boca. há os que não conseguiam fechá-la, mas como isso nunca tinha acontecido comigo, pensava que não existisse. colei a folha de papel com as instruções da dieta detox ao lado da mesa da cozinha, onde meus filhos e eu costumamos tomar o café da manhã e jantar. comprei tudo o que era preciso - iogurtes, toneladas de verduras, pão sueco - e avisei a doce nalva...

sozinha

eram 8h, e eu teria de sair para uma reunião na escola às 8h30. nenhum dos dois queria ir para a casa do pai. e, de repente, os dois resolveram ir. as mochilas estavam prontas. faltava a bicharada que os acompanha à noite na cama. cada um com seus bichos, e lá fomos nós. crianças no pai, fui para a minha reunião. sem pressa. nem para chegar, nem para ficar, nem para partir. quando era hora de voltar pra casa, tive a feliz dúvida da liberdade. não sabia para onde ir, nem o que fazer. vim pra casa. tentei almoçar com uns amigos, mas nos desencontramos. almocei em casa, sozinha e feliz. montei um pequeno álbum de fotos, que será um presente para minha anfitriã das férias baianas. e dormi. quando acordei, o dia já tinha acabado. fiquei na cama acordando devagar. saí da cama e fui colocar ordem na cozinha, que tinha sido abandonada depois do almoço. jantei, li o jornal, li um pouco de um livro e dormi de novo. eu tinha certeza de que não passaria a noite sozinha. há muitos meses minha fi...

le haim

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  havia tempos falávamos em comemorações. mas como estamos sempre ocupados, não sobra tempo para celebrarmos. mas celebrar o que mesmo? eram tantas coisas que tínhamos esquecido. primeiro, trabalhar com pessoas ótimas. segundo, vários trabalhos que conseguimos terminar com trabalho árduo. terceiro, novidades nas equipes - as novidades são sempre recebidas com temor, mas é preciso apreciar o novo, mesmo com desconforto. a data foi marcada. e, no dia, estava eu a fechar um trabalho. então entre um e-mail e outro, e entre uma checagem de um arquivo e outro, eu ia até a cozinha misturar a massa da torta de maçã, ou ajudar a nalva a montar a incrível e leve lasanha que ela preparou, ou ver se as crianças estavam indo pro banho para eu colocá-las na cama ANTES que os meus amigos chegassem. oh yeah, não era o ideal, mas o que é o ideal mesmo? o que eu tenho ou o que eu queria ter? minhas costas ardiam um pouco, e meu filho, com muita doçura, disse "mãe, vai tomar um banho e relaxar...

shortcuts

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 ela diz que não quer ter filhos. odeia trocar fraldas com cocô. .... parecia uma rainha. fomos ao parque fazer um piquenique com as crianças. e ela, que esteve doente, ainda se sente cansada. sentou-se numa sombra, e lá ficou. linda, lúcida e feliz. .... ela me conta que quando o conheceu, teve vontade de ter três filhos com ele. mas não dá. quando ela teve o terceiro filho, fez cirurgia para evitar mais um herdeiro. ela TINHA achado que três eram de bom tamanho. porque ela os cria sozinha. .... o sonho dela é ser mãe. "existem sonhos da vida da gente que não acontecem", me diz, sobre a irmã que ainda não é mãe. .... ela ficava louca com ele. mas não dizia nada, porque ele era casado. "não sou vagabunda, não sou vagabunda, não sou vagabunda", disse pra amiga quando contou que o havia encontrado. tinha virado um mantra. mas ela seguia sonhando com ele. e isso ela não contou pra ninguém. .... trago seu amor em 6 horas. estava escrito numa placa na av. JK....

desculpa, mas você não tem direitos

a palavra "desculpa" é para colocar um pouco de fineza nos fatos, se é que isso é possível. era uma vez um restaurante japonês que abriu uma filial na rua henrique monteiro - ruazinha pequena, cheia de restaurantes que atendem às trocentas pessoas que trabalham na região, faria lima, rebouças e arredores. o tal do restaurante, temakeria & cia., instalou o que eu imagino ser um exaustor, na chaminé. e o exaustor, barulhento, é ligado por volta das 11h até as 15h e depois por volta das 18h até a 1h. o barulho entra por t-o-d-a-s as janelas do meu apartamento. no início pensei que fosse um barulho daqueles que alguém da vizinhança provoca mas que um dia para. mas não parou. e então começou a minha epopeia. que agora eu conto aqui porque não sei mais o que fazer. liguei para o restaurante, e perguntei se o tal do barulho vinha da chaminé deles. a moça que me atendeu, andrea, disse que não, que o barulho devia vir do restaurante vizinho. pedi para falar com o gerente. ela t...

aproveite o momento

estamos sempre cheios de "teres", "fazeres" e "quereres". não sei se o que estou escrevendo é português. mas o que quero dizer é que não sei como conseguimos criar tantas coisas que têm de ser feitas. tudo inventado por nós mesmos. hoje terminam as férias mais tranquilas da minha vida. e isso não é jeito de dizer. acho que é isso mesmo. um dia calmo depois do outro. e assim ando desconfiada que posso viver em férias para sempre. porque para viver um dia calmo atrás do outro não é preciso estar em paris, nem numa praia fabulosa de cuba. um trilhão de chavões maravilhosos vêm à minha cabeça neste instante. ontem consegui ler um texto que me foi enviado há muito tempo. talvez há mais de um ano. claro que eu teria tido tempo para ler qualquer coisa nesse tempo todo, mas não tinha disponibilidade. ontem tive. é um texto curto, em inglês, que fala das bolas de golfe. é mais ou menos assim: um professor de filosofia entrou na classe e,  em silêncio, encheu um ...

namastê

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fomos e voltamos. viajar é fácil, mas voltar exige um pouco de esforço. andar devagar feito uma lesma feliz para ir à praia é a coisa mais fácil do mundo. mas continuar me mexendo na velocidade de uma lesma na frente do computador, com papéis e listinhas ao meu lado, é duro. mas eu consegui. levei um dia inteirinho para fazer umas poucas coisas - poucas, mas que exigem concentração, como arrumar a casa para a pequena reforma que começa amanhã, mandar os papéis para o contador, comprar mantimentos para a casa e organizar umas contas. chegamos à casa da praia no fim do dia. minha ideia era colocar meus chinelos e andar até a praia, para ver e saudar o mar e a areia. mas a lívia estava cansada e com fome, e éramos as primeiras a chegar na casa. acendemos as luzes, olhamos os quartos, ligamos para a nossa anfitriã para saber em qual quarto poderíamos dormir. chacha chegou tão tarde que eu não vi. quando acordei, a casa estava em silêncio. fotografei uma das janelas da s...