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cansa

quebrei meu recorde histórico de não escrever - e não me importar com isso - neste blog. tem vez que a vida parece nos deixar mais ocupados, e aí nos concentramos no que é essencial. e eu tenho me concentrado nas tarefas mudanas de começo de ano. filhos na escola, lição dos filhos, horários da natação e do piano e do inglês e da terapia dos filhos. diz uma das minhas mestras que deus tá o fardo que cada um consegue carregar. eu acredito nisso desde a primeira vez que ela me disse isso, uns anos atrás, mas eu sempre fico com um pouco de dúvida. por que às vezes o fardo parece tão pesado que a gente tem certeza de que vai cair de boca no chão? aí vem a falta de ar - uma visita que não é bem-vinda mas que se nega a ir embora -, a azia, a insônia. e a tristeza, que me presenteia com a certeza de que estou andando pra frente, me equilibrando com esforço e tropeçando dia sim, outro também. ... ontem fiquei pensando no meu medo. saí de casa tarde da noite para os meus pacatos parâmetros. ...

se eu fosse mãe de quatro

deve ser uma obsessão com comprovações. mas este fim de semana eu comprovei que é mais fácil ser mãe de quatro do que de dois. a ideia me persegue há anos. acho que desde que tive o meu primeiro namorado, aos 14, com quem fazia planos edificantes de ter cinco filhos e tals. o namoro terminou sem filhos, um ano depois, e eu me casei duas vezes, tive dois filhos com o segundo marido mas depois faltou gente pra dar conta do aumento da família. especificamente faltou um marido. mas este fim de semana a vida me deu de presente a experiência, voluntária, de ficar com quatro crianças no meu pequeno apartamento no meio de um bairro barulhento em são paulo. fredrik e leo chegaram sexta no fim do dia, e partirão amanhã, segunda-feira, bem cedinho. eles têm a idade do joão. fredrik é norueguês e leo, finlandês. eles se entendem em inglês, na bicicleta do parque, no sabor da pizza, na casquinha do mc donald's, no wii e no carro de controle remoto que o joão ganhou de natal. as coisas começ...

o bolo, a alegria, a tristeza

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ser hóspede na casa dos pais da gente é uma tarefa árdua. você se sente quase em casa, e isso é um problema. quando você é hóspede na casa de um amigo, não há dúvidas: você se comporta como tal e ponto. mas na casa dos velhos o limite entre a casa do outro e eu é tênue. você faz uma coisa achando que está arrasando, afinal se sente mui à vontade. mas não arrasou coisíssima nenhuma. além da hospedagem, tem o prazo de validade da visita. que não sei quem disse que é o mesmo do peixe fresco na geladeira: depois de dois dias começa a feder. mas era uma data festiva - natal e ano novo -, tinha um ano que eu não visitava meus pais, as crianças estavam (e seguem!) de férias e minha mãe ia passar por uma pequena cirurgia. eu ia feliz como uma criança gulosa que come sem pensar na dor de barriga. em todos os sentidos. passei parte do dia 24 de dezembro na cozinha preparando comidinhas para a ceia. e fiz o mesmo no dia 31: fiquei preparando um bacalhau, longe da piscina. mas tudo que é demai...

melhores frases - parte II

peço ao meu filho desligar a trolha do ipad que ele ganhou de natal. digo que não quero que ele se torne uma criatura retardada. ao que escuto: "não serei um retardado. serei um gamer." ... ligamos o ar condicionado no enorme quarto onde estamos acomodados na casa dos avós das crianças, mas, com o calor surreal portoalegrense, e com o tamanho do quarto, demorava um pouco pra refrescar. digo que estou sentindo o ar mais fresco, e minha filha fala lá do canto onde estava a cama dela: "aí tá bom, mas eu tô no rio de janeiro." ... "tu podes fazer eu ficar quieta?" minha tia erica estava, havia horas, perguntando pra irmã dela, minha dinda, o que ela poderia fazer em pró da irmã. tudo porque minha dinda aplica jin shin jiutsu na família, mas a tia erica, que sabe que fala demais e quase ininterruptamente, ainda não se submeteu às maravilhas da técnica. e, na cabeça dela, o jin shin jiutsu é capaz de q-u-a-l-q-u-e-r coisa.

melhores frases - parte I

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 "a mamãe é muito magra." isso ela disse quando estava tomada do espírito natalino. estávamos no carro, no longo caminho até porto alegre. ... "eu acho você a mais normal da família." a declaração me levou às gargalhadas. eu sempre falo pras crianças que somos todos loucos, e acho que eles já entenderam. ah ah ah. ... "eu sirvo muito esse prato pra casais, no jantar. o petisco é mais pra quem tá na balada, tomando uma cervejinha." o garçom tinha uma cara de alemão que só um garçom em joinville poderia ter. era um barzinho ao lado do hotel, onde tínhamos ido jantar depois do revigorante banho. eu tinha escolhido um prato, e o alemão nos sugeriu outro, com a explicação acima. eu tomava uma stella artois geladíssima, e pensava meu-deus-o-que-esse-homem-quer-dizer-com-isso?, mas achei melhor deixar pra lá. acatei a sugestão. e já que toquei no assunto, por que um ser humano usa a palavra b-a-r-z-i-n-h-o? ou é um bar, ou é um boteco, ou é um cafofo. m...

eu sabia que eu ia chorar

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saindo de casa muito cedo o porta-malas mais bem organizado de todos os tempos o joão a lica saímos cedo. era a minha prova da coragem. a última do ano. claro que só me dei conta disso depois de dirigir os pouco mais de 1.100 km que separam minha pequena casa da grande casa onde moram os meus pais, no extremo sul do país. combinamos, as crianças e eu, que iríamos sem pressa de chegar. mas isso só valeu até entrarmos no carro. ao pegarmos a estrada, os pequenos joão e lívia começaram a dizer que não viam a hora de chegar a porto alegre. pegamos muitos acidentes na nossa frente, o que nos fez parar por horas e horas. e conseguimos manter o bom humor. passadas as primeiras 12 horas de estrada, meu filho olha pra mim com aquela cara do anjo incompreendido e sugere que sigamos noite à dentro. explico que faltam 600 km, e que eu não dou conta de dirigir à noite. ele logo começa a bocejar, e aceita a nossa parada no norte de santa catarina. minha ideia de um belo banho d...

shortcuts

"que festa era aquela! nunca fui numa festa assim!" eu achei a frase maravilhosa. saiu da boca da sueli, a tagarela copeira do escritório onde trabalho. e dizia respeito à fabulosa festa da firma. dançamos até cair. ... "é tendão inflamado. ainda não tá bom. volta em janeiro. quando tá cansada, doi. quando descansa, para." esse foi o sucinto diagnóstico do dr. kong quando, às 9h30 da manhã, saí do consultório dele depois de uma sova de 1h e meia. senti muita dor, e descobri que estou mais cansada do que imaginava. ... ela me perguntou o que eu achava do pai das crianças. era uma pergunta profissional, a dela. mas a minha resposta, não. disse pra ela que na fantasia de toda mulher que tem um filho haverá um pai e uma mãe. mas que às vezes isso não funciona, como no meu caso. aí a gente é mãe solteira sem querer. o que é o pior dos mundos, não pela solidão, mas pela dureza do caminho. muito, muito duro. depois que fui embora fiquei com ódio da pergunta e da respos...