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ogrices

a gente não se fala regularmente. mas ela é a única pessoa da família do pai dos meus filhos com quem mantenho contato. manter contato seria relegar nossos encontros a meras formalidades. e isso seria mentira. mas temos em comum uma sogra, já que ela foi casada com um dos irmãos do meu ex-marido. mais de uma década se passou, e sempre temos o telefone da outra para mui esporádicos telefonemas e mui alegres encontros. a lana me ligou um ou dois dias depois do dia das mães. demos risada ao telefone. ela ligava para dizer que a casa nova já tem telefone, e queria me passar o número. e conversando sobre os filhos, viagens e tals ela me conta que ficou muito brava com o pedro, que não tinha dado nada de presente de dia das mães para ela. a enquadrada foi curta e grossa: ela disse a ele que ele devia dar conta de dar um presente, um botão de rosa que fosse, em algumas datas especiais para ela, como aniversário e dia das mães. podia guardar algum dinheiro pra isso, ou comprar algo barato, ...

por que você veio aqui?

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o grupo tinha umas dez pessoas. e cada um tinha de dizer por que estava ali. o que falávamos ali não devia sair daquela sala. por isso só vou escrever o que eu disse. era um curso de meditação, e havia principiantes e iniciados. eu respondi que estava ali porque queria andar e fazer tudo mais devagar. queria me tornar uma pessoa mais lenta. ninguém disse isso. cada um tinha um motivo, e me pareceu que cada um falou de coisas muito íntimas. sobre a minha intenção de mudar a velocidade, isso não me parece íntimo. nem profundo. ao contrário. me parece bem raso, como um pires. o curso terminou já faz uns meses, e as oito ou nove aulas que tivemos mudaram a minha vida. já escrevi sobre isso, e tenho falado sobre isso à exaustão. na prática, tudo segue igual, mas eu enxergo tudo diferente. e quando a gente começa a ter umas ideias diferentes das que tínhamos, parece que o universo se encarrega de nos mostrar outras coisas, e assim, como uma bola de neve que dizem que vai aumentando confo...

e o oscar vai para...

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cheguei em casa um pouco depois das 7pm. minha filha tomava banho, meu filho tinha o i-pad no colo. minha empregada querida tinha a mesma cara de sempre - e por isso os baianos estão à frente de toda a população ocidental. minha barriga doía. era uma dor estranha, como se eu estivesse para parir a qualquer momento. eu vim dirigindo do escritório para casa respirando para sentir de onde vinha essa sensação estranhíssima. a dor tomava conta do abdômen e da região onde eu tenho a cicatriz da cesárea. tchau, nalva. lívia, coloca o pijama, vai jantar e já pra cama! joão, quantas lições você fez? ... pausa para meditação. ... é uma piada. eu queria jantar e dormir. mas meu filho tinha lições. muitas. ele trocou de escola este ano. ele e o pai escolheram uma escola "normal". coloco com aspas porque o joão estudava numa escola de pedagogia waldorf, e todos os dias dizia que não gostava da escola. foi um teste de aceitação. ou como diz o mestre, "você foi traída...

cansa

quebrei meu recorde histórico de não escrever - e não me importar com isso - neste blog. tem vez que a vida parece nos deixar mais ocupados, e aí nos concentramos no que é essencial. e eu tenho me concentrado nas tarefas mudanas de começo de ano. filhos na escola, lição dos filhos, horários da natação e do piano e do inglês e da terapia dos filhos. diz uma das minhas mestras que deus tá o fardo que cada um consegue carregar. eu acredito nisso desde a primeira vez que ela me disse isso, uns anos atrás, mas eu sempre fico com um pouco de dúvida. por que às vezes o fardo parece tão pesado que a gente tem certeza de que vai cair de boca no chão? aí vem a falta de ar - uma visita que não é bem-vinda mas que se nega a ir embora -, a azia, a insônia. e a tristeza, que me presenteia com a certeza de que estou andando pra frente, me equilibrando com esforço e tropeçando dia sim, outro também. ... ontem fiquei pensando no meu medo. saí de casa tarde da noite para os meus pacatos parâmetros. ...

se eu fosse mãe de quatro

deve ser uma obsessão com comprovações. mas este fim de semana eu comprovei que é mais fácil ser mãe de quatro do que de dois. a ideia me persegue há anos. acho que desde que tive o meu primeiro namorado, aos 14, com quem fazia planos edificantes de ter cinco filhos e tals. o namoro terminou sem filhos, um ano depois, e eu me casei duas vezes, tive dois filhos com o segundo marido mas depois faltou gente pra dar conta do aumento da família. especificamente faltou um marido. mas este fim de semana a vida me deu de presente a experiência, voluntária, de ficar com quatro crianças no meu pequeno apartamento no meio de um bairro barulhento em são paulo. fredrik e leo chegaram sexta no fim do dia, e partirão amanhã, segunda-feira, bem cedinho. eles têm a idade do joão. fredrik é norueguês e leo, finlandês. eles se entendem em inglês, na bicicleta do parque, no sabor da pizza, na casquinha do mc donald's, no wii e no carro de controle remoto que o joão ganhou de natal. as coisas começ...

o bolo, a alegria, a tristeza

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ser hóspede na casa dos pais da gente é uma tarefa árdua. você se sente quase em casa, e isso é um problema. quando você é hóspede na casa de um amigo, não há dúvidas: você se comporta como tal e ponto. mas na casa dos velhos o limite entre a casa do outro e eu é tênue. você faz uma coisa achando que está arrasando, afinal se sente mui à vontade. mas não arrasou coisíssima nenhuma. além da hospedagem, tem o prazo de validade da visita. que não sei quem disse que é o mesmo do peixe fresco na geladeira: depois de dois dias começa a feder. mas era uma data festiva - natal e ano novo -, tinha um ano que eu não visitava meus pais, as crianças estavam (e seguem!) de férias e minha mãe ia passar por uma pequena cirurgia. eu ia feliz como uma criança gulosa que come sem pensar na dor de barriga. em todos os sentidos. passei parte do dia 24 de dezembro na cozinha preparando comidinhas para a ceia. e fiz o mesmo no dia 31: fiquei preparando um bacalhau, longe da piscina. mas tudo que é demai...

melhores frases - parte II

peço ao meu filho desligar a trolha do ipad que ele ganhou de natal. digo que não quero que ele se torne uma criatura retardada. ao que escuto: "não serei um retardado. serei um gamer." ... ligamos o ar condicionado no enorme quarto onde estamos acomodados na casa dos avós das crianças, mas, com o calor surreal portoalegrense, e com o tamanho do quarto, demorava um pouco pra refrescar. digo que estou sentindo o ar mais fresco, e minha filha fala lá do canto onde estava a cama dela: "aí tá bom, mas eu tô no rio de janeiro." ... "tu podes fazer eu ficar quieta?" minha tia erica estava, havia horas, perguntando pra irmã dela, minha dinda, o que ela poderia fazer em pró da irmã. tudo porque minha dinda aplica jin shin jiutsu na família, mas a tia erica, que sabe que fala demais e quase ininterruptamente, ainda não se submeteu às maravilhas da técnica. e, na cabeça dela, o jin shin jiutsu é capaz de q-u-a-l-q-u-e-r coisa.