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sobre o dia em que fui ao fórum falar a verdade e nada mais que a verdade

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"o que você faz depois de uma audiência com o seu ex-marido?", ela me perguntou. sugeri que comprasse um vinho. e que celebrasse, mesmo com tristeza e estupefação, depois que os meninos estivessem dormindo. os meninos chegarão tarde hoje. estão na casa do pai. que bom. ela poderá celebrar antes de os meninos chegarem e depois que eles dormirem. mas celebrar o que mesmo? ... ... éramos três na sala de espera do fórum. sim, ela conseguiu que três amigas fossem até lá para responder às perguntas do juiz. audiências de conciliação não são um ambiente simpático. e assim foi. a advogada nos advertiu: juízes nem sempre chamam as testemunhas. não estávamos incomodadas com isso. sendo chamadas ou não, tínhamos ido lá e isso era o que importava. somente duas foram chamadas. uma de cada vez. tenso e chato. você quer ajudar, você conhece o ex-casal. mas estamos falando de dinheiro e dinheiro é um tema sombrio e sua sombra é gigantesca. ... meu sogro querido tinha horror de...

E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só.

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eu sempre duvidei de algumas verdades que escutei ao longo da minha vida. mas como eu tinha dúvidas, e não certeza de que essas verdades não valiam para mim, eu me achava uma boba. tipo uma-pessoa-que-não-é-tão-madura-nem-determinada-nem-focada-como-as-pessoas-que-eu-conheço. e assim fui levando a vida, me divertindo mais do que sofrendo, e nunca tendo a certeza de que este caminho era O MEU caminho - eu não estava enganada, eu não estava perdida, eu não estava num caminho errado. acho que eu tinha uns 10 anos quando estava passando as longas férias de verão com a minha mãe e meus irmãos na fabulosa casa que tínhamos numa praia feia do rio grande do sul e comecei a escrever. eu pegava uma cadeira de praia e me sentava no ponto mais distante da casa dentro do terreno, que era todo gramado. acho que eu fazia isso no fim do dia, à tardinha, quando ainda tinha luz para escrever, mas o sol já tinha desaparecido. eu não lembro o que eu escrevia, nem onde esses escritos foram parar. e...

o dia em que aprendi que orquídeas florescem só quando querem

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eu já ganhei muitas orquídeas. e sempre as tratei da mesma forma: já que NUNCA deram flores na minha casa, nunca mantive nem um vaso sequer. pra dizer a verdade, não lembro o que eu vazia com as plantas depois que suas flores caíam. mas quando fiz 45 anos foi diferente. uma amiga querida e vizinha me trouxe um lindo vaso com orquídeas amarelas, iguais às orquídeas que eu ganhei da minha sogra quase 16 anos atrás, quando o meu filho não nascia e a avó achou que faltavam flores na minha casa para a criança querer nascer. as orquídeas amarelas que eu ganhei de aniversário ano passado enfeitaram a minha casa por um tempo, e um dia não tinha mais nenhuma flor. em vez de eu me livrar do vaso, resolvi levá-lo até a minha pequena horta, que eu mantenho no pátio da garagem do prédio onde moro. e então se passaram meses e mais meses, um ano e meio, e a planta seguia sua vida, murcha e desfalecida, no mesmo vaso. uma vizinha que diz cultivar orquídeas disse que poderia levar minha orquídea que...

sobre inspirações, a mãe boa, a alegria e o SPA emagrecedor

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como voltar para a nossa vida de todos os dias depois de um retiro? o meu professor diz que devemos acordar na hora de sempre, tomar banho, aprontar-se, tomar café, colocar a bolsa pendurada no ombro e sair para o trabalho. sim. ele é simples e direto assim. mas desta vez, no meu quarto retiro, eu não perguntei ao Tarchin o que eu deveria fazer quando voltasse para casa. aliás, desta vez eu passei o retiro todo sem fazer nenhuma pergunta. o que é quase um feito que merece uma medalha, em se tratando de mim, uma pessoa tão tagarela. um retiro é sempre um presente. sai o cenário de todos os dias e entra um cenário de todos os dias longe de casa. você leva você mesmo, de preferência. e tudo o que faz parte do pacote: suas alegrias, seus medos, seus horrores e suas expectativas.  eu não sabia o que era um non-residential retreat, mais urbano, como me foi explicado. sabia que iria dormir fora do local das aulas. e só. como sempre, convidei alguns amigos, mas todos tinham a...

o 576M - Vila Clara e tudo o que eu precisava escutar do mestre

o nome do ônibus que eu deveria tomar é 576M - Vila Clara. pelo menos era a opção que parava mais perto do lugar onde eu tinha de ir, dentro do parque do Ibirapuera, à noite. segundo o google maps, o 576M passa no ponto a cada 15 minutos. eu acreditei. e fui pro ponto. as pessoas que andam de ônibus todos os dias em são paulo, onde o transporte público é um lixo, aparentam ter muita paciência. elas SABEM que o busão não vai passar logo, sabem que vai estar cheio, sabem que vai estar sujo. eu, que não ando de ônibus todos os dias, sempre acho que o ônibus não vai demorar horrores, afinal são paulo é uma cidade tão grande, por que iriam tratar tão mal as pessoas que sacodem de um lado pro outro da cidade todos os dias dentro dos ônibus xexelentos que são o nosso transporte público? ora, que tolinha. cheguei ao ponto do ônibus uma hora e meia antes do meu compromisso. o google tinha me informado que em 45 min eu chegaria ao meu destino. mas passados 15 minutos, nenhum 576M tinha passad...

bom te ver!

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existem as pessoas finas. e não é o meu caso. entrei no escritório falando alto, bufando, reclamando de uma reunião dura que eu tinha acabado de ter com os meus advogados. bem louca. afinal, quem tem a ver com isso? mas a discrição não veio junto quando eu nasci. há os dias tranquilos. e há os dias insanos. mas o pior de tudo é quando vem a semana insana. e assim foi. eu pendurei na sala as bandeirinhas de tecido que costurei há séculos. minha filha achou lindo, e meu filho perguntou por que cazzo eu pendurava bandeirinhas coloridas no teto. expliquei que no mês em que se comemora são joão e são paulo, enfeitamos a casa também. ele não se convenceu. também segui fazendo as coisas de todos os dias. mas uma enxurrada de pensamentos desnecessários tomou conta da minha cabeça, que por sua vez tomou conta do meu corpo, que por sua vez tomou conta da minha alma. e eu andei me arrastando, fingindo interesse, sorrindo sem vontade. e hoje fui encontrar meu amigo no escritório dele....

como adoçar e aquecer um domingo com os biscoitos da prof dora

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desde sempre eu acho divertido estar na cozinha. mesmo nunca tendo sido uma criança daquelas que recebem elogios por conta das habilidades com comidinhas de verdade. num natal, ganhei um livrinho de receitas, e resolvi experimentar uma das receitas. para isso, preparei uma mesinha no quintal da casa onde morávamos. não lembro o que era a receita que eu tentei fazer, mas imagino que era um bolo ou biscoitos. tenho somente uma vaga lembrança de tudo dar muito errado, de os ingredientes virarem uma meleca dentro da bacia onde eu os misturava. talvez uma batedeira tenha sido envolvida - mas como eu ligaria a batedeira no quintal? não lembro dos detalhes, mas lembro que no fim, tudo foi pro lixo. uns anos mais tarde, um grupo de meninas da turma da escola se reunia na casa de uma de nós para fazer um bolo e compartilhar a receita com as amigas. devíamos ter uns 12, 13 anos. talvez 14. achávamos essa reunião muito divertida. agora as minhas receitas já viravam um bolo, e dos bons. mas dep...