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andy puddicombe e os 10 minutos sem fazer nada

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andy puddicombe, além de ter uma cara engraçada e de ser um dos criadores do headspace  (um aplicativo que traz meditações guiadas e cuja missão é "levar mais saúde e felicidade para o mundo"), fez um TED Talk alguns anos atrás que é muito, muito bom. foi uma palestra em Londres, cujo título em inglês é "all it takes is 10 mindful minutes" , algo como "tudo o que é preciso são 10 minutos atentos". andy fala da importância de não fazer nada. o que é diferente de deitar no sofá para ver TV, tomar um drink num bar ou conversar com um amigo no telefone. não fazer nada quer dizer não fazer nada. mas é tão distante que a gente confunde. como assim não fazer nada? perder tempo assim? na verdade, quando não fazemos nada, a gente ganha tempo, em vez de perdê-lo. sem não paramos, corremos o risco de cair esta semana terminei de ler o meu livro de prosa, sozinha é o dobro . depois do lançamento, no fim do ano passado, eu ainda não tinha lido o livro (parece...

por que deixamos de lado o que importa?

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toda vez que eu vou fazer minha caminhada matinal depois de alguns dias de recesso eu me dou conta de como eu NÃO DEVERIA parar. claro que às vezes é porque estou com muito trabalho, outras porque estou fora da cidade, e vez ou outra porque estou exausta e/ou doente. as desculpas são sempre muito convincentes. mas não vou escrever sobre a alegria das práticas esportivas. o que me intrigou muitíssimo dia desses, durante uma caminhada, foi como eu tenho deixado de lado algumas coisas que eu considero muito importantes. é por isso que tem gente que tem um dia da semana para jantar com amigos. fica da agenda o compromisso, tipo "toda quinta-feira está ocupada", e a pessoa não marca outras coisas e de fato encontra seus amigos. eu não tenho essa agenda, mas pretendo corrigir isso. eis que não sei por que fui dar uma olhada na minha estante de livros e desencavei um livro não muito novo, que comecei a ler. a reler, na verdade. um livro que comprei uns 20 anos atrás, quando passe...

o jabuti, a insana e o caminho do meio

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algumas pessoas são lentas. eu, não. e não, isso não é um elogio. é a constatação de uma realidade dramática. cheguei em casa com as bochechas vermelhas. eu teria uma aula pelo computador às 9h e uma reunião às 11h. e, antes disso, eu tinha de fazer compras. não tinha mais alface nem salsa nem batatas nem limões em casa. não percebi que tinha acordado no modo uau-sou-muito-louca-e-vou-fazer-muitas-coisas-hoje. passava das 5h30 quando acordei. diferentemente dos três últimos dias, desde que as aulas começaram, eu acordava com barulhos de um dos estudantes que mora aqui. chuveiro sendo ligado, portas sendo fechadas, uma pessoa andando firme sobre o chão de madeira. mas hoje, não. ninguém tinha acordado ainda. o exuberante alecrim da feira depois da rotina de quem está sofrendo de dor de garganta - gargarejo com água morna e sal, própolis e tals -, comecei a fazer a barra da bermuda da minha filha, cuja intenção era transformá-la num short. depois cerzi uma blusa de malha com per...

cala a boca

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ele conta que o professor dele, Namgyal Rinpoche, dizia para os alunos que deviam gritar "you shut up" toda vez que o louco dentro deles surgisse. a frase completa era "you shut up and get out of the way" - você cala a boca e saia do caminho. ao lado do meu professor, Jangchub Reid eu não o conheci, mas pelas fotos dá pra ver que Namgyal era um homem grande. meu professor, Jangchub Reid, como todo aluno, tem histórias maravilhosas do professor dele. quando nos conta essas histórias, eu imagino o professor dele, que devia dar gritos muito altos. assim como meu professor, cuja voz muitas vezes parece sair de dentro de uma caverna muito grande e muito escura. eu adoro frases, e "you shut up and get out of the way" eu anotei em um dos meus caderninhos de ensinamentos de Dharma. mas, como toda frase que escutamos e gostamos e anotamos, eu esqueci dela. até esses dias. Venerável Namgyal Rinpoche como em tudo na vida, quando nos sentamos para prati...

a qualidade da lentidão ou aquietando a louca dentro de mim

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fui dar uma olhada no texto de perfil que eu tinha no LinkedIn. ainda que eu não use muito o site. e encontrei, no meio da minha descrição de mim mesma, algo como "pratico meditação mindfulness diariamente para ser cada vez mais lenta". isso é verdade. mas eu excluí a frase. que não parece agregar ou descrever uma qualidade, mas sim uma insanidade. ontem eu havia saído de casa cedo, por volta das 9h. banho tomado, roupinha fresca, colar combinando, ia andando com a minha mochila pesada, carregando meu computador que não é tão pequeno nem tão leve quando vi, andando em minha direção, meu vizinho velhinho cujo nome eu desconheço (ou não lembro, porque eu confundo meus vizinhos velhinhos). - bom dia! - indo passear? - ele me pergunta, parando e dando a mão para me cumprimentar. - indo trabalhar. - mas a essa hora? então você é quem manda lá! - eu trabalho em casa. mas agora estou indo para uma reunião. seguimos o nosso caminho, ele indo pra casa, carregando sacolas plásti...

Na casa da mãe morta

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Visitas são como peixe fresco. Duram dois ou três dias na geladeira. Depois disso, começam a feder. Eu, que fiquei 15 dias hospedada na casa do meu pai, no Sul do país, me esforcei para não feder MUITO. É um ato de bravura ficar tanto tempo como hóspede na casa de alguém. Ou de estupidez. Ou os dois juntos. Ficar na casa da mãe morta foi bom. Eu lembrei dela todos os dias. Todas as horas. E a lembrança dela me traz alegria. Na primeira noite, dormi com as janelas escancaradas, e a luz amarela do poste da rua que fica bem na frente da casa iluminava a sala. Foi uma noite linda. Eu dormia a acordava e dormia a acordava, digerindo a emoção que foi lançar meus livros em Porto Alegre. Combinamos, eu e a louca que mora dentro de mim, que esses dias na cidade em que nasci e de onde parti 24 anos atrás seriam as minhas férias. Aquela coisa de férias de quem tem salário eu não tenho faz três anos. E aquela coisa de férias de quem não tem salário eu também não tenho faz três anos. Trou...

os dias nada divertidos passados ora na cama, ora no sofá

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nós éramos três. morávamos na última casa da rua, que era uma rua sem saída. antes da reforma, a casa era pequena e ocupava metade do terreno. a outra metade era ocupada pelo jardim. brincávamos muito. tanto em casa e no quintal quanto na rua. naquela época os pais eram corajosos e deixavam os filhos na rua até a noite chegar, hora em que as crianças voltavam pra casa contra a sua vontade para tomar banho, jantar e dormir. nós três tentávamos brincar juntos, mas era difícil. meu irmão, dois anos mais velho, tinha mais energia que nós duas. minha irmã, dois anos mais jovem do que eu, aceitava brincar, mas não lembro da nossa interação. e eu era uma chata.  brincávamos de playmobil. e para horror do meu irmão, a minha brincadeira era sempre, sempre a mesma. eu escolhia um boneco homem e um boneco mulher, que formavam um casal. eu escolhia peças para uma pequena casa e cerca, e montava a casa deles, cercada. lembro de às vezes escolher um guarda que cuidava da casa deles. essa era a...