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bahia roots - parte II

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filhos não costumam ouvir o que as mães falam. por isso viramos papagaios, e passamos os dias dizendo muitas vezes a mesma coisa. ora pois, na bahia não foi diferente. o joão concluiu que não lavar os pés no banho é uma boa ideia, e assim foi. até que dias antes de irmos embora, bingo! um bicho de pé infeccionado - sem detalhes, é claro, porque mais explicações seriam desagradáveis - e com bicho geográfico. eu acho muito aflitiva a ideia de um bicho no meu pé. agora um bicho que anda eu acho insuportável. e lá estava meu filho, na casa de uma médica, nossa anfitriã no litoral e no sertão baianos, que olhava os pés dele e dizia "ah, mas tem que lavar". horror dos horrores. e uma humilhação, claro, porque eu sou daquelas que tomam banho todos os dias. a coisa toda se resolveu de maneira mui simples. minha amiga chacha apareceu em casa (a dela) no final do expediente com um amigo. "esse é o cirurgião do hospital", disse ela animadíssima. e lá se foi ele dar uma olhada...

bahia roots - parte I

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A mais bela de todas as viagens é o amor. Mas a melhor de todas as viagens é aquela que fazemos para dentro. ... consegui cumprir o que eu tinha combinado comigo. não fiz as contas, mas vou contar os dias no calendário agora: 32 dias de férias. ainda não acabou. temos ainda um dia. voltamos todos. os retornos são lentos. férias, viagens e ócio cansam. não tenho explicação. usei calça jeans duas ou três vezes. nenhum de nós acordou cedo. meus filhos não experimentaram frutas novas. a falta de ar foi pra indonésia, e eu não atendi o celular. nossos pés ficavam pretos, ou melhor, marrons. as crianças andaram 6km numa trilha. e meu filho desceu numa pedra enorme com muita água - meu lugar no céu está parcialmente garantido. inacreditavelmente ninguém engordou 6kg. também ninguém comeu carne de sol - as porções eram enormes e eu não tinha parceria. meu filho entendeu a diferença entre um resort e férias roots. e a todo tempo eles perguntam "o que é roots, mamãe?". na verdade, ning...

o que é bom?

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eu ainda não acredito. mas a despressurização vai acontecendo devagarinho. eu surtei e escolhi prevaricar por 30 dias. T-R-I-N-T-A. pra quem nos últimos dez anos viajou para lugares conhecidos, carregando ora um filho, ora dois, trata-se de uma grande aventura. enorme. trabalhei feito uma mula jovem hoje, mas dirigi pouco. isso quer dizer que o dia foi muito, muito produtivo. e agora me sento alegremente para escrever montes de palavras, ilustradas por montes de fotos. estava saindo do escritório ontem, me despedindo e contando da minha viagem pra bahia, quando ele perguntou "por que você não manda seus filhos pra um acampamento e vai viajar sozinha?". ele não tem filhos. ainda bem. na hora não respondi, mas disse que achava um horror "terceirizar os filhos" - o que não tem nada a ver com o acampamento, pelamordedeus. não olhei pra cara dele pra ver, e nem sei se ele ouviu. mas saí do escritório pensando em como sou sortuda de gostar de viajar com os meus filhos, e ...

a primeira vez

eu sempre ouvia de amigas casadas e com filhos que eu pelo menos tinha folgas. claro que nessa conclusão minhas amigas não incluíam a "carga dobrada" que mães que criam filhos sozinhas têm. acordam sozinhas fazem o café da manhã sozinhas levam o filho pra escola buscam da escola e arrumam o almoço e coordenam as atividades fora da escola e dão o jantar e colocam na cama todos os dias. escrevo enquanto meu filho dança enrolado na toalha, todo molhado, e minha filha me pergunta como se escreve patricia. mas voltando às folgas sobre as quais falava, não há mais folgas. primeiro minha filha disse que não iria passar fins de semana na casa do pai. depois, meu filho falou o mesmo. eu acho que mulheres desenvolvem dispositivos chamados "vou dar conta" depois que dão à luz. sem esses dispositivos, jamais seríamos capazes, pais e mães, de dar conta do recado. neste momento os pequenos selvagens gritam e se jogam contra o sofá. a vida sem açúcar seria, definitivamente, mais c...

por fora

dia desses recebi um e-mail engraçado. uma amiga me mandava o texto de alguém que tinha escrito sobre as vantagens de se namorar uma mãe solteira. li, achei engraçado, e respondi que tinha adorado. mas as vantagens de se namorar uma mãe solteira ficaram na minha cabeça. dizia o texto que ela, a tal da mãe solteira, "já tem filho", ou seja, não seria uma pessoa interessada num relacionamento só pra procriar. e que a tal também "já casou", ou seja, não ficaria pedindo o rapaz em casamento. bem, o fato é que eu tenho amigas que nunca casaram nem tiveram filhos e estão vivendo suas vidas felizes e faceiras. e conheço mulheres que tiveram filhos, se separaram, e depois casaram novamente e tiveram mais filhinhos. fiquei pensando e me dei conta de que o texto incomodava - a mim, claro - porque tratava a mãe solteira como uma espécie diferenciada. e depois de ter achado a tal da campanha do dia dos namorados muito divertida, achei um grande saco. ... tínhamos combinado o ja...

a paciência é um músculo, mas às vezes dá cãimbra

uau, faz um século que não escrevo. falta de inspiração. mas eu adoro ser obsoleta (leia: ter um blogue e não escrever mui frequentemente). fui ver o que o houaiss diz: 1 que já não se usa; arcaico, antigo 2 fora de moda; ultrapassado, antiquado bem, o fato é que existem temas que não têm o MENOR apelo. e a paciência, pelamordedeus, é um deles. eu juro que eu adoraria ser uma pessoa feliz. não estou sendo cínica. penso naquelas mulheres cheirosas, bem penteadas, "bem lavadas", como disse o tom jobim, com o sorriso de quem não tem problemas, só soluções. sim, é fake, mas que maravilha! as que são casadas com homens belíssimos, então, nem se fala. aí fazem uma foto com as cabeças encostadinhas, aquele sorriso bem lindo, dentes brancos, uma lindeza. mas deve ter dado alguma coisa errada quando eu encarnei, e comigo nunca foi assim. quando eu era magérrima eu usava roupas imensas pra não mostrar o meu tamanho. e pior ainda, quando engordo não me importo. pra piorar, acho qu...

a cozinha e o coração

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o dia tinha começado triste. tem dias que são assim. e aí você pode achar um horror ou ficar quieta e ver o que acontece. eu costumo achar um horror. odeio chorar antes das 10h. mas eu acordei e muito cedo estávamos chorando, meu filho e eu. ele chorou muito, e eu fiquei quieta, tentando ser uma estátua por fora, para ver o que acontecia por dentro. e então chorei com ele, porque vamos combinar que tem tristezas que devem ser compartilhadas. não brigamos, não gritamos. eu estava tentando entender o que ele queria dizer com as palavras que saíam da boca dele dançando uma polca. quando entendi, chorei e babei com ele. literalmente. mas quando as lágrimas secaram, o frio passou. e nós ficamos o dia todo em casa. fizemos almoço, pão integral, cookies de chocolate e brigadeiro. na verdade, passamos o sábado todo na cozinha. no outro dia, estávamos nos preparando para ir ao parque quando meu pequeno filho me perguntou se eu estava gostando do fim de semama. "você acha que está melhor do...