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acabei me distraindo

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é engraçado como algumas pessoas perdem importância nas nossas vidas, enquanto outras ganham. eu estava andando pela calçada quando ouvi a voz dele. ele caminhava na calçada oposta. andávamos em direções opostas também. ou seja, o encontro era inevitável. nos olhamos, eu acenei e, para o meu espanto, segui andando. isso faz valer a máxima "aproveite o momento". e ponto final. como assim eu não atravessei a rua para dar um beijo e um abraço? é que tudo na vida começa e termina, baby. ... ... sabia que precisava mexer com as mãos. por isso fui àquele encontro de mulheres que iam fazer trabalhos manuais. inventei uma desculpa: tinha de entregar as três bolas de natal que tinha confeccionado. mas como não teria nada para fazer no tal do encontro - eu já tinha aprendido a fazer as tais das bolas forradas de tecido -, levei um trabalho de ponto cruz que estava quase pronto. senti uma alegria imensa ao sentar entre mulheres que iam trabalhar com as mãos. e eis que me sent...

os bons modos das moças

ele chegou quando nós já estávamos na mesinha do bar. e então minha amiga e eu nos viramos para chamar o garçom e pedir um copo. ao que ele prontamente diz que era uma tarefa dele, o único homem sentado naquela mesa. e para ilustrar - e ele é um excelente contador de histórias -, contou como o então namorado da mãe dele deve ter dormido no sofá do quarto do hotel novaiorquino quando eles foram passar uma "lua-de-mel" naquela cidade belíssima. eles, a mãe e o namorado, tinham terminado de jantar em um restaurante, quando a mãe dele chamou o garçom. e pediu para ele dizer ao cozinheiro que o jantar estava ótimo, que ela tinha adorado a comida. o namorado, um gentleman - eu suponho -, ficou em estado de choque. e meu amigo gargalha. e conta que a mãe dele estava separada havia uns dez anos, época durante a qual vinha criando os filhos sozinha, quando conheceu o namorado que ficou furioso com a conversa dela com o garçom. e eu, que horror!, fiquei chocada com a história. e pe...

as baratinhas no boteco da esquina

há anos, vários anos, passo por aquele boteco e digo pra mim mesma: um dia venho tomar uma cerveja aqui. e eis que percorro vários quarteirões da vibrante vizinhança e não encontro nenhum bar decente aberto. é estranho, como bares abrem somente à noite nesta cidade cinza. depois de andarmos um bocado, paramos no boteco que fica a uma quadra da minha casa. minha amiga e eu, num happy hour depois de uma rápida reunião. era o meu rodízio, e eu tinha de parar o carro até as 17h, sob risco de ser multada se não o fizesse. por isso saímos andando em busca de um lugar decente para tomar uma ceva gelada. minha amiga é mais velha do que eu. leia: mais sábia. eu, louca pra ir ao banheiro, e ela já pergunta pro garçom se é preciso "pegar a chave". claro que era. e quando me encaminho ao banheiro um dos funcionários gentilmente pula na minha frente com o braço esticado para me dar a chave. isso deve ser uma das coisas mais brasileiras do mundo: a chave do banheiro das mulheres - acho q...

aperta e afrouxa

o telefone tocou. e uma voz masculina perguntou por alguém que não era eu. disse algo como "não sou eu". ao que escuto: queira desculpar, foi engano. meu deus!, que delicadeza. vou lembrar de dizer isso da próxima vez que discar (ahn?) errado. ... saí da escola e vi que o trânsito estava parado. isso não é normal. ali o trânsito é sempre lento, nunca parado. e então, pela primeira vez em quase quatro anos, participei do "fechamento da raposo tavares". devo dizer que foi uma experiência feliz. coloquei um pé pra fora do carro, escutei boa música com o motor do carro desligado. liguei o rádio para descobrir por que três helicópteros sobrevoavam na minha frente e um deles tinha pousado - claro que algum devia ser um urubu, dessas emissoras de TV nojentas que adoram mostrar os horrores da cidade. um motoqueiro tinha sido atropelado, me informa o ricardo boechat. não olhei no relógio, mas parece que fiquei quase uma hora parada. é incrível como todos ficamos calmos q...

vou fingir que sou uma samambaia

pronto, cheguei. tivemos uma reunião de trabalho hoje, o pai dos meus filhos, a gabi, mulher dele, e eu. organizamos os fins de semana que não eram organizados havia uns 200 anos. "mas podemos ajustar?", ela perguntou. sim, claro, sempre há imprevistos na vida de todos. graças a deus. mas eu fiquei tentando fazer cara de samambaia, e não consegui. almoçar com ex-marido não é pra qualquer uma. puta merda. mas o melhor de tudo, além da minha falta de ar ao não conseguir fingir que eu era uma planta num vaso no canto de uma sala qualquer, foi sentar ao lado dos meninos do escritório no restaurante. helloooooooo, você vai TER DE SER UMA SAMAMBAIA AGORA, BABY. e então apresentei "o pai dos meus filhos" aos meninos, e seguimos almoçando. foi um alívio poder acertar questões latentes - leia: fins de semana com ou sem filhos? -, mas não sabia que eu passava mal desse jeito. o quê? aflição assim? oh yeah. muitas aflições. dessa vez não mais adolescentes. ainda bem. uma...

gentileza provoca felicidade

cheguei à agência dos correios mais cedo do que o expediente do lugar. fui andando resolver outras coisas, e voltei 2 min antes da abertura. uma grávida e eu usufruíamos daquele cenário cinza: uma calçada dessa cor, na av. brigadeiro luis antônio, um lugar xexelento na bela e poluída são paulo. uma moça se aproxima da enorme porta de vidro, gira a chave e pronto, entramos. nem precisamos de senha, diz ela, já que os atendentes nos aguardam! 1 ponto. chego na frente do senhor que me atende e digo que tenho uma carta simples para são paulo e uma porção de coisas para o interior da bahia. tranquilamente, ele me diz que "vale mais a pena encher a caixa até completar 3 kg. pode deixar aqui separada comigo, sair e depois voltar". não, eu não queria mandar nada mais pra minha amiga além de um álbum de fotos que eu montei e fiz a capa, um livro que ela me emprestou, uma camiseta azul para combinar com o azul da cor do mar dos olhos do filho dela e dois (!) vidros de geleia de campo...

o domingo e o melhor de são paulo

não lembro sobre o que ele tinha escrito naquela coluna. mas dizia que, para duas pessoas que casam, é preciso gostos afins. e, para ele, uma das coisas era no domingo sair da cama, pegar o jornal e voltar pra cama. e então olho o título da revista que vem encartada no jornal de domingo, "o melhor de são paulo", e começo a gargalhar ao pensar o que o melhor da cidade agora é a minha cama. passeio de bicicleta na beira do rio, corrida na praça, ida ao bairro japonês para comprar tofu de alta qualidade. todos os planos foram abortados. sigo feliz aqui. lenta, com o jornal repousando sobre um travasseiro, minha agenda, um livro hilário. e, no meu colo, esta máquina com a qual escrevo. tenho sono, mas não aquele sono de dormir. é um sono de ficar mole mesmo. o bom é que sempre dá pra gente aprender coisas e descobrir outras (dá no mesmo, non?). por isso que eu adoro cada fio branco que pula - sim, eles têm vida e movimentos prórpios - da minha cabeça. ... eu tinha saído de c...