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a ida, a volta, a festa

 a mala pesava 13,2kg. só com roupas de festa. o que inclui bolsas, sapatos, maquiagem e pashmina. ... do ônibus, uma placa indica "cidade". um conforto no coração. a cidade não é pequena, mas tem alma de cidade pequena. uma lindeza. as pessoas andam com calma, as calçadas são largas, limpas e planas, e há muitas e muitas casas de cem anos, lindas de morrer. ... eu nunca voei sem dormir, mas era uma causa nobre. achei que aeroportos estivessem fechados às 5h30. mas estão abertos. e com gente. o avião é novo. está muito vazio. deve ter umas 20 pessoas. eu morri de saudades do meu velho amor no baile. de quando a gente dançava e se amava, não tanto como eu gostaria, mas era um bom amor. ... homens pretos e brancos cheirosos passam na minha frente. meu nariz sente o cheiro bom e meus olhos veem homens belos.  ... "seu cabelo tá bom. não ficou aquela bolota de bruxa" disse minha filha, enquanto eu e ela íamos andando numa calçada perto de casa, voltando pra casa...

como viajar sozinha?

faz pouco mais de um mês, acho, que ela me falou da formatura. fazia anos que não nos víamos, e eu pensei que seria incrível se eu conseguisse IR a uma colação de grau e a um baile. e então começou a epopeia. como uma mãe viaja sozinha? foram várias tarefas. quase uma gincana. - achar alguém para ficar com as crianças. e essa parte foi a mais tensa. até uma semana atrás não sabia se viriam os dois ou só o meu pai. três dias atrás minha mãe me disse que também viria. - achar alguém que leve as crianças e depois as busque na escola. primeiro meu pai sugeriu que eles não fossem à escola. "é só um dia", foi o argumento. pedi para um casal de amigos levá-los.  e voltarão de ônibus. - organizar a ida de um filho a um acampamento. ora pois, não é que no dia do baile da minha afilhada o meu filho tem um acampamento? lista de itens para a mala, ficha de saúde preenchida, documentos separados, e um bilhete com o endereço do ponto de partida de onde sairá o ônibus para o acampamento...

TITINHA, ARRUMAR. PELAMOR!

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eu tinha deixado o recado no meio de um texto. estava exausta, não aguentava mais trabalhar, e o recado ficou para a tarefa "de amanhã". como se eu soubesse que o recado ia funcionar não só para eu lembrar de arrumar um trecho horroroso de um texto ininteligível, mas para me deixar animada. e, claro, funcionou. com amor sempre funciona. bem, essa era a introdução. agora vou falar sobre o que interessa. estávamos muito cedo de manhã tomando um café delicioso na escola. é um ritual do qual sou adepta e fã há quatro anos, quando meus filhos começaram a estudar lá na roça. como provavelmente menos de 5% dos alunos moram perto da escola, tem uma garrafa de café muito fresco na cantina da escola todas as manhãs, por volta das 7h. assim, dá pra esperar meia hora pro trânsito aliviar, ou fazer uma reunião ou, uau!, conversar com as amigas. na frente da cantina, no dia em que o joão saiu para a primeira viagem de classe. o travesseiro ficou. no meu caso, que vou pra roça às 6h...

quanto vale o chambre de seda?

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o dia seria medieval. a medida é assim: se eu tenho de começar a trabalhar tão cedo que começo o dia de pijama e sem café da manhã, entra na minha cota de "dias difíceis". tenho horror de trabalhar muitas horas seguidas. acho cansativo, sem graça e besta. e eu sabia que nesse dia, com sorte, eu pararia de trabalhar perto da meia-noite. e assim foi. o lado bom, e desculpem os céticos, mas ele sempre existe, é que em dias medievais o trabalho é tamanho que a dor é pequena. e então eu fiquei olhando pro meu fabuloso chambre de seda chinesa vermelho com desenhos pretos que tive certeza de que o tal do chambre estava fazendo o começo do dia ser, pelo menos, lindo. não só a seda é macia. as partes que se cruzam na frente são enormes, e parece que o chambre me abraçou. simples. pensei que cada real investido valeu a pena. e dei graças a deus que tenho uma casa para trabalhar duro em dias assim, e poder me sentir feliz. ou quase.  ... as aulas voltam amanhã....

a rua veneza

eu tinha de chegar ao escritório para uma reunião. ainda que chata.  na hora de manobrar o carro na garagem, o cabra chega perto e pergunta se o carro é meu. sim, é. e então ele gentilmente mostra onde ele tirou uma lasca do para-choque do meu carro. e diz que está na obra do 122, e que vai deixar o telefone com o ferreira, na portaria, e eu digo tá bom estou indo pra uma reunião tchau. no caminho, fico em dúvida se devo cumprir com a besta obrigação que estava sendo postergada havia mais de um mês, talvez dois: levar o carro para lavar. fiquei pedindo para minha gentil intuição se manifestar. ante o silêncio, lá fui até o posto onde lavam meu carro em poucos minutos, na esquina do prédio onde eu teria a tal da reunião. carro limpo, vou estacionar. uma volta na rua onde sempre paro. volta na quadra. outra volta. pego outra rua, depois dou umas voltas e pego outra paralela. nada. sinto uma vontade louca de ir embora pra casa. sigo rodando. olho pra placa que indica onde estou e l...

para o joão

desde que me conheço por gente, como se diz lá na minha terra, queria ter cinco filhos. primeiro, os planos eram feitos com o namorado "amor da minha vida". aos 14 anos o namorado é sempre o amor da nossa vida. mas o namoro terminou, e claro - graças a deus -, eu não tinha nem um, muito menos cinco filhos. depois, no primeiro casamento, eu queria ter filhos. diz o meu ex-marido que toda vez que eu queria, ele não queria, e vice-versa. eu só lembro da parte em que eu dizia que queria ter filhos e ele dizia pra eu deitar na rede que a vontade ia passar. enfim, no segundo casamento, finalmente colaborei para o aumento da população. mas tudo foi muito rápido. primeiro, casei sem namorar. um dia saí para jantar com o alessandro e fomos morar juntos. sete anos depois, tínhamos mudado o estado civil, usávamos belíssimas alianças, tivemos dois filhos - o joão e a lívia - e nos separamos. well well well. e assim, dessa forma singela, termina a minha epopeia "quero ter cinco fi...

cada vez menos COISAS

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"muito bom. parece a mesa de uma rainha." estávamos preparando o nosso jantar, quando a lívia disse isso. depois do banho, ela tinha perguntado "tá, e agora eu coloco pijama?". eu disse que não, que ela devia colocar o vestido que tínhamos escolhido. para crianças, a coisa do ano novo é um pouco vaga. então eu disse a ela que íamos jantar, e depois iríamos dormir, e quando acordássemos no outro dia já era o novo ano. e quando ela responde ah, tá, é sinal de que entendeu. era um jantar para nós duas, somente. cada uma escolheu o que gostava. a lívia escolheu salada de frutas com cerejas frescas e ovos de codorna. eu, que andava bem desanimada com todas as festividades desta época, fiz uma farofa de nozes e castanhas e frutas secas absolutamente fabulosa e lentilhas. comemos à luz de velas, e brindamos com suco de tangerina e água com folhas de menta. ela brinca o dia todo, e eu vou aproveitando as férias sem nada especial, mas com a melhor coisa que se...