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os dias parecem séculos sem escrever

vou espalhando bilhetes amarelos, laranjas e rosas pelo carro, na agenda, e grudados no computador as inspirações vêm e ficam grudadas no papel ela me conta que o marido encontra tempo pra tudo e que é chamado pra mais coisas ainda porque quem não tem tempo é muito eficiente e eu penso em como eu tenho nojo de não ter tempo e nojo de correr e nojo de ver que há dias não escrevo dona rosa fez um bolo fabuloso que eu não comi acabo de colocar os meninos na cama a família está maior com quique e nacho os meninos da costa rica que estamos hospedando sinto uma alegria macia um tipo que nunca tinha sentido de ter esses meninos em casa quando penso em quantas casas de família já dormi quando viajava com a escola devem ter sido muitas viagens porque meu pai reclama até hoje que passou pouco tempo com os filhos que viajavam demais quase todo sábado e domingo e no meio disso tudo eu trabalho feito louca pra deixar tudo organizado pras fabulosas férias que terei dia...

por que odiar a prefeitura de são paulo?

por que uma pessoa odiaria a prefeitura de são paulo? bem, há muitas razões. mas eu vou falar só de uma. a do abandono. ... quem cuida da cidade? ninguém. vamos aos fatos. ... imagine que você more ao lado de uma balada. descontando o fato de a fila ficar na frente do seu prédio três vezes por semana, a balada em si não faz barulho. há isolamento acústico e tal. mas e o lado de fora da balada??? - uma casa alugada ao lado da balada em si serve de camarim para os artistas, que também recebem convidados, e esses convidados gritam "depois" do show que aconteceu dentro da balada. como eles são muito animados, eles costumam conversar e dar gritos até o sol nascer. - o lixo da balada é recolhido quando as pessoas já foram embora da balada, hora em que eu ainda estou dormindo. por volta das 4h, 5h. os sacos com as garradas vazias rolava uma escadaria. depois de eu reclamar, os funcionários não arrastam mais os sacos. somente os carregam, o que faz (um pouco) menos barulho. ...

sobre velocidades

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fazia muitos, muitos anos que não a via. fiquei olhando, sem ter certeza se seria ela mesmo. foi quando ela me olhou e disse tiiiiita. eu nem sabia que ela sabia o meu nome. e ela me olhava no olho, e escutava com o coração o que eu dizia. ela me olhava e dizia que eu estava muito bonita. e isso ela falou algumas vezes. com seriedade e concentração. eu disse a ela que ela também estava muito bonita. ela riu, sabia que eu estava falando sério também. e então ela diz: você está mais calma. sim, passaram-se uns 17 anos. "você sabe que você era muito acelerada, e essa é a sua questão." ela tinha me visto poucas vezes. e sabia o que eu demorei anos pra descobrir, e que está levando anos para mudar. a minha velocidade. pensei que eu nunca mais escreveria aqui. essa é a árvore que enfeita a rua maria carolina. duas vezes por ano ela fica assim, tomada de flores. o dia era cinza quando tirei a foto. não só os galhos ficam cor de rosa: a calçada fica com um tapete de flores....

o que é importante mesmo?

é um exercício interminável. o tal do foco. a palavra dá um pouco de nojo quando penso que é papo de quem fala em planejamento de carreira - ai que chatice! mas não estou falando de olhar pra fora. estou falando de olhar pra dentro. o assunto é recorrente, e eu tenho de pedir desculpas se por acaso provoco tédio nalguma alma. acho engraçado como as dores de barriga são tão diferentes. os anos passam, e a dor de barriga sempre vem me visitar. dessa vez foi por conta de várias viagens. curtas, mas viagens. então é uma função de onde vai ficar minha filha?, quantas horas demora pra chegar?, será que meu filho aguenta passar a noite no ônibus e ir pra escola de manhã cedo? depois tem a função como-vamos-chegar-ao-aeroporto. e como vamos voltar tarde da noite? depois tem a terceira viagem, em que um fica, o outro vai. e depois terá o dia em que sairei de manhã para levar meu filho até o rio de janeiro, e no fim do dia eu volto pra casa. me sinto tão boba falando de dores de barriga que p...

vou te encher de beijos

me ajuda a fazer a lição?, diz ela, e abre seus bracinhos macios. desde sexta, quando perguntei no carro quem tinha lição, ela tem feito isso. eu achei estranho quando ela disse que tinha lição. porque às sextas a professora costuma dar uma folga. e então ela me conta o que era a lição: encher a mãe de beijos e ajudar com alguma tarefa em casa. ... eu sempre escuto quando ele acorda. nem tanto pelo barulho dos espirros, mas pelos passos. ele pisa com força, e isso faz barulho, mesmo num chão de taco antigo sobre o qual ele pisa com os pés descalços. ele entrou no meu quarto, deitou ao meu lado, me deu um beijo e um abraço, e disse 'feliz dia das mães'. saiu, e fechou a porta. esse foi o meu primeiro presente do domingo no qual se comemora o dia das mães: dormi até as 9h. isso é um luxo para quem tem filhos pequenos. ... saí da cama e ela foi rápido pegar o presente que tinha feito pra mim. estava escondido debaixo da cama dela. era um castiçal feito com um pote de vidro s...

'foi legal ir de bicicleta à locadora'

era uma manhã de domingo. e ele tinha pedido para pegar um filme na locadora. no caminho para comprarmos algo para cozinhar para o almoço, passamos na locadora, que estava fechada. abriria ao meio-dia, e ainda faltava meia hora. eu estava na cozinha, preparando o almoço, e sugeri ao joão que ele fosse até a locadora a pé. ele pediu pra ir de bicicleta. é claaaaro que não, disse. de carro, então, ele pediu. mas eu estava cozinhando, e seria preciso esperar um pouco. chamei o joão novamente e insisti que ele fosse buscar o filme enquanto amélia que era mulher de verdade assava uma carne maravilhosa no forno. ele concordou e foi. quando voltou, com as bochechas vermelhas, disse "foi legal ir de bicicleta à locadora". como? "ué, mãe, você não disse que eu podia ir de bicicleta?" como diz o outro, quando eu estou levando a farinha o joão já está voltando com o pão. afe! não fiquei pensando muito. era domingo, passava pouco do meio-dia, e as ruas do bairro são vazias ...

he is 11

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eu estava mui emocionada. tinha comprado uma mochila pra dar de presente a ele. e escrevi um cartão belíssimo. o bolo ele pediu que fosse sorvete. então às 6am cantamos parabéns, a lívia e eu. e eles devoraram o sorvete que havia sido colocado numa forma de bolo com fundo removível - napolitano, flocos no meio e napolitano de novo, tinha sido a instrução. foi um dia cheio. pra mim e pra ele. eu fui pro escritório, e o joão, pra escola. depois ele tinha uma aula extra no começo da tarde, voltaria pra casa da escola sozinho de ônibus - o melhor presente que eu já dei na minha vida - e ainda iria pro inglês. nos encontramos em casa no fim do dia. antes eu tinha ligado pra casa e tinha pedido que a santa nalva dissesse pra ele me ligar quando chegasse. eu não estava tensa, mas estava apreensiva. tensa uma mãe fica quando o filho vai atravessar a rua sozinho pela primeira vez. ele me ligou um minuto depois. e só pelo "oi mãe" nem precisava dizer mais nada. ele estava feliz. o ...